Lisboa - Foi identificado/apanhado  o oficial da Polícia Nacional responsável pela agressão contra  os sete activistas, em frente a uma prisão em Luanda, quando tentavam visitar um outro ativista. O responsável pela agressão é o intendente Eusébio, segundo uma denúncia do preso político e docente, Nuno Àlvaro Dala, nas redes sociais.

Fonte: Lusa/Club-k.net

"O responsável pela agressão é o intendente Eusébio"

“Este senhor é o intendente Eusébio. Ele, tal como o inspector-chefe Pedro Lemos e um responsável do Serviço Penitenciário são os responsáveis da agressão de que fomos alvo quando tentávamos visitar o Dago Nível.”, descreveu o activista que por outro lado adiantou a ocorrência de uma queixa junto ao Comando Provincial da Polícia, na tarde de sábado.

 

“Nos próximos dias serão também abertos processos-crime contra o responsável do Serviço Penitenciário. Cada um dos agentes participantes da agressão há-de pagar como previsto na Lei. Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para que a justiça seja feita. Não desistirei”, prometeu.


Luaty Beirão: "Que raio de país é este? Estivemos ali em que condição?"


Luaty Beirão, em entrevista à SIC Notícias, disse não compreender por que razão ele, e outros ativistas, foram este sábado detidos, enquanto aguardavam pela hora de visita na cadeia de Viana, em Angola, onde permanece detido outro ativista do grupo, Francisco Gomes Mapanda (Dago Nível).


"É difícil de descrever qual é a palavra técnica para descrever aquilo que nos fazem", queixou-se o luso-angolano, acusando a polícia de o "querer tirar à força de um sítio, sem apresentar uma prova legal". "Gostava de saber que lei estava a violar", apontou.

 

Luaty contou que se formou "um reboliço" e que a polícia arranjou confusão "desnecessariamente". O ativista diz ainda que foram abordados por cerca de 30 polícias fardados e outros 30 à paisana que, inclusivamente, os terão agredido. "Agrediram-nos ali na rua. Deram-me chapadas e pontapés. Estou com umas pontadas, não estou a conseguir respirar em condições", detalhou.

 

"Os que estavam à paisana começaram a tentar roubar os telemóveis de quem estava a filmar e a fotografar", descreve. Depois desse momento, segundo o ativista, meteram-nos no carro e levaram-nos para a esquadra, sem explicarem o porquê, sem apresentar qualquer prova ou justificação, reforça Luaty Beirão, que entretanto já foi posto em liberdade, juntamente com os outros sete elementos do grupo.

 

"Que raio de país é este. Nós estivemos ali em que condição? É detido, é retido, é o quê?", indigna-se o ativista que está plenamente convencido de que as detenções serviram só para "nos retirar de um sítio onde eles não queriam que nós estivéssemos".

 

De acordo com Luaty Beirão, durante a semana houve outros protestos e o desejo do grupo é que Dago Nível seja libertado, salientando que já foi cumprida metade da pena.

 

"Aquilo que ele fez no tribunal, o Nito também fez, e o Nito está solto. Dualidade de critérios? Fomos mostrar solidariedade, fomos ali em protesto nos primeiros dias, com cartazes, coisas muito simples, muito singelas, ainda assim os polícias acham que têm de nos tirar. Hoje era só para visitar, não era protesto nenhum", frisou.

 

O ativista disse que tentaram apresentar uma queixa contra os polícias agressores, mas foram aconselhados a fazê-lo na área de inspeção do comando geral da Polícia, para onde se deslocaram dois membros do grupo para abertura de um processo.

 



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