ImageLuanda - Grande parte das viaturas distribuídas aos civis que perderam as suas, durante o conflito armado, ao serviço do Estado encontram-se paradas por falta de acessórios para as mesmas no mercado angolano, deixando a entender que trataram-se de gatos forrados a lebre. 

Durante o conflito armado o governo contou com os meios particulares para responder determinadas situações, com destaque para os caminhões usados para o transporte interprovincial de pessoas e mercadorias. Muito destes meios foram queimados, lançando à pobreza centenas de cidadãos, aqueles cujo únicos meio de subsistência eram aqueles com os quais ajudaram o governo a atender as populações localizadas em zonas de risco.

Com o fim do conflito armado, o governo gizou e aprovou um programa de devolução dos meios, uma medida bastante saudada, sobretudo porque na sequência de tais acidentes muitas pessoas passaram de empregadores para motoristas, os que não resistiram contrariam AVC e morreram. Vender a crédito viaturas às pessoas que perderam na guerra resumia o programa.

Entretanto, o intervalo que foi da aprovação do programa e o início da implementação do mesmo foi de vários anos, motivando desespero e suspeição por parte dos potenciais beneficiários. O início da implementação do programa, em 2004, motivou a satisfação apenas entre os beneficiários da primeira fase. Por suposta falta de condições, o governo atende distribuiu os meios em fase.  

Os que demoravam a beneficiar suspeitavam do processo, sobretudo devido as exigências feitas pelas instituições responsáveis pela distribuição dos meios.

Livrete, comprovativo de terem perdido as respectivas viaturas ao serviço do estado, assim como registo de propriedade são alguns dos documentos exigidos para beneficiar da viatura. Grande parte dos candidatos não possuía a documentação completa motivando desesperos e reclamações. Verdade é que assim como muitos já foram contemplados outros aguardam pela sua vez.

Os que aguardam pela sua vez, rezam não só para que a mesma chega como também para beneficiarem de marcas adequadas para o mercado angolano ao contrário das que foram distribuídas até agora. Os das primeiras fases receberam as Macks de origem americana, enquanto os das fases subsequente receberam os Foton de origem sul coreana.

Tanto uns como outras manifestaram-se impróprios para o mercado angolano que carece de acessórios para os mesmos, além das mesmas apresentarem-se como incapazes para enfrentar as difíceis estradas do país. A bomba injectora de uma Foton, por exemplo, custa cerca de cinco mil dólares contra os seiscentos dólares de camiões como Volvos, Scanias ou Daf.

“Era de preferência nos darem estes caminhões (volvo, daf) mesmo que fossem das antigas e não estas bombas (referindo a um foton)”, reclamou António Narciso. Ele recebeu duas das cinco viaturas que tem direito e ambas estão paradas com problemas de bomba injectora.

Por esta e outras avarias, grande parte destas viaturas está em estaleiro, transformadas em verdadeiras sucatas, podendo ser comparadas a gato no saco. Muitos dos proprietários nem conseguiram recuperar os cinco mil dólares que lhes foram exigidos à entrada.   

Tal realidade frustrou o sonho dos beneficiários em recuperam o tempo perdido, voltar ao desafio das longas viagens levando de Luanda produtos alimentares e vestuários e regressar com os produtos do campo como faziam com as scanias, volvos e outras marcas mais adequadas ao mercado de transporte angolano. Viaturas cujos acessórios se encontram em qualquer esquina e a preço que vão de encontro aos bolsos de quem recupera de uma desaire como são estes antigos patrões das estradas lançados à desgraça pela guerra.

A difícil situação por que passam os proprietários destas viaturas motiva interrogar se o governo comprou viaturas incompatíveis ao mercado angolano por ignorância ou ignorando propositadamente as dificuldades e necessidades dos potenciais beneficiados? 

Um governo preocupado com os seus cidadãos deveria, ao comprar este tipo de viaturas, criar condições para que os acessórios das mesmas chegam-se aos necessitados sem muitas dificuldades. Facto é que o governo angolano não o fez, limitou-se a comprar as viaturas e entrega-las aos antigos parceiros que, desta feita, não sabem a quem recorrer para recuperar as respectivas viaturas.

Pessoas envolvidas no processo garantiram ao Chelapress que nada foi feito por ignorância porquanto é sabido que o mercado asiático de produção de viaturas é um tanto quanto novo e ainda tem imensas dificuldades em atender as solicitações de assessores.

O mesmo acontece com os autocarros

A mesma situação, entretanto, acontece com os cerca de mil e quinhentos autocarros que o governo comprou na China para reforçar as frotas das empresas de transporte público de Luanda, nomeadamente a Tura, Macon, Tcul e Angostraul. Passados menos de seis meses, dezenas destes autocarros encontram-se paralisados pela mesma razão dos camiões referido no artigo principal: falta de assessores. As direcções de algumas das empresas já se mostraram agastadas com a situação porquanto receberão os mesmos a crédito e, acreditam, tratar-se de um negócio mal feito.

*César Silveira
Fonte: Folha8



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