Luanda  - Somos estudantes da Universidade Privada de Angola, sita no Talatona Província de Luanda. Nesta mesma Universidade vivemos um drama enorme, somos estudantes do curso de Medicina há mais de 4 anos. Acontece que no fim do ano antepassado fomos surpreendidos com a notícia de que afinal de conta o curso no qual frequentávamos era considerado ilegal, segundo o regulamento do Ministério do Ensino Superior. Daí começou o nosso drama mas nem tanto, porque apesar de tal situação seguíamos com as nossas actividades lectivas normais isso é, os estudantes do 1o e 2o ano assistiam normalmente as aulas dentro da instituição e os demais anos nos centros hospitalares.
 
Fonte: Club-k.net
 
Na perspectiva de que o problema se resolvesse continuamos estudando e a pagar os valores normais das propinas no valor de 35 mil kwanzas, até que no fim do primeiro semestre do ano passado foi emitido uma orientação por parte do Ministério do ensino Superior, que fossem expulsos ou impedir a entrada dos estudantes das universidades com cursos ilegais nos hospitais estatais para fins didáticos, assim fomos retirados dos hospitais. Aí se estava a agravando o nosso DILEMA, a nossa instituição tudo fez para que pudéssemos concluir o ano lectivo, neste caso o 4o ano.
 
 
Já este ano desde o início do ano lectivo corrente, estamos em casa (3o,4o e 5o ano) apenas o 1o e 2o ano encontram-se em actividades académicas na universidade. No mês de Maio, revoltados com a situação realizamos uma manifestação junto a Reitoria da universidade para que nos dissesse alguma coisa. A mesma devido a nossa insistência se viu obrigado a nos receber para uma reunião de concertação, onde na pessoa do Senhor magnífico Reitor da universidade Dr. Caetano João Domingos, informou-nos que a universidade já havia entregado o dossier para a legalização do curso por duas vezes ao Ministério, na qual o primeiro foi extraviado e o segundo reprovado. Dado a essa informação seguimos insistindo e o senhor reitor jurou poder fazer um novo dossier e entregar.
 
 
À 15 de Junho, tivemos outra reunião com a reitoria onde fomos informados que o dossier estava feito e entregue ao Ministério, o mesmo tardaria 15 à 30 dias para que fôssemos respondidos.
 
 
Já em Agosto no início do segundo semestre, fomos surpreendidos com a visita dos representantes do mistério a fim de ser feita uma vistoria na instituição universitária e um diálogo com os referidos estudantes. Daí fomos informados que para a legalização do curso a universidade tinha de ter laboratórios devidamente equipados, quadros qualificados, nomeadamente doutores e mestres e um hospital-escola.
 
 
Depois deste processo, incentivados a esperar uma resposta do senhor ministro do ensino superior Dr. Adão do Nascimento, no prazo de 15, 30 ou 60 dias úteis. Já lá passam dois meses e não nos dizem nada, preocupados com a situação confrontamos outra vez a universidade e esta disse-nos não ter recebido nenhuma resposta.
 
 
Estamos praticamente no fim do ano, dentro de poucos meses estaremos de férias, não sabemos mais como resolver este problema. Somos filhos de pessoas humildes que tanto lutam para pagar as nossas propinas durante o ano, principalmente nesta fase económica em que o país se encontra. São 4 anos de batalhas, noites não dormidas, dias sem comer em condições em busca de um sonho, o de ser Médico e poder ajudar o país.
 
 
Agora nos perguntamos, se o ministério não aprovar o curso, onde irão os 268 estudantes do 3o ao 5o ano? Temos apenas duas universidades na qual podemos encontrar o curso de Medicina (UAN e o Piaget), será que as mesmas terão capacidade de nos receber? Quem nos devolverá o tempo perdido? O nosso dinheiro? Estamos em uma fase em que o país necessita de tantos profissionais de saúde, para poder suprir a carência nos hospitais, nós somos bons estudantes de Medicina e comprovamos isso aquando das nossas aulas no Hospital Geral de Luanda no combate a malária, isso antes de sermos escorraçados.
 
 
Escrevemos esta carta para pedir as entidades superiores que nos ajudem a realizar o nosso sonho, o de sermos médicos e poder ajudar essa Angola de todos nós. Somos na sua maioria jovens com uma média de 22 anos de idade, temos capacidade e força de vontade, queremos dar o nosso aporte ao desenvolvimento socioeconómico do país que nos viu nascer. Não queremos muito, apenas que nos permitam seguir estudando.
 
 
A universidade neste momento alega não ter condições para mandar os materiais de laboratórios que se encontram na república da Namíbia, pedimos a compreensão do senhor ministro do ensino superior, a Sua Excelência
 
Senhor Presidente da República, aos empresários, aos camaradas deputados e a sociedade em geral, que nos ajudem a superar estes obstáculos.
 
Nunca é tão fácil perder-se, como quando se julga conhecer o caminho....
 
Ajudem-nos a realizar o nosso sonho... QUEREMOS SER MÉDICOS...

 



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