Cabinda – A guerrilha cabindesa entrou numa nova fase operativa. Comandos móveis aproximam-se da capital do território ameaçando os estrangeiros. Portugal, acusado de não respeitar compromissos, é para a guerrilha «um dos alvos principais».
 
Após a operação de 20 de Abril junto ao cemitério da aldeia de Chimbenza I que, segundo a resistência, causou a morte de cinco soldados das Forças Armadas Angolanas (FAA), o comandante da guerrilha, denominado Laurindo, afirma que as acções militares da resistência prosseguiram até Tando Zinde, nos arredores da cidade de Cabinda causado a morte de 12 militares angolanos e ferindo sete.

Em represália ao ataque do dia 20 as tropas angolanas prenderam vários habitantes das localidades periféricas onde ocorreram as operações, Chimbenza I e II e Bolanto, na região Necuto, sendo transferidos para os centros penitenciários do Dinje e Yabi.

Segundo o mesmo militar da guerrilha com estas operações, que já atingem a periferia da capital do território, a resistência pretende desmentir as declarações do ministro sem pasta António Bento Bembe quando afirma que «já não há guerra em Cabinda», e ameaça que «a guerra vai prosseguir até o Governo angolano aceitar negociar».

Para o comandante Laurindo «todos os estrangeiros que se encontrem em áreas operativas estão ameaçados em Cabinda e são considerados inimigos da guerrilha todos que se manifestam cúmplices das posições de Bento Bembe». No entanto «os portugueses são os principais alvos», sublinha o comandante, «Portugal não respeitou os compromissos estabelecidos com a guerrilha quando foram libertados os reféns da empresa Mota & Companhia e agora tem de assumir as consequências».

Seguindo uma nova estratégia militar a resistência cabindesa reforçou a sua capacidade operativa na zona sul do território com um «comando especial autónomo, em constante mobilidade, composto por 23 combatentes» chefiado pelo comandante Kimbango que depende do Chefe de Estado Maior da guerrilha, Estanislau Boma.

O aumento das acções da resistência, o perigo de ocorrerem acções no centro da capital, e as ameaças contra os estrangeiros acusados de «colaboração com o Governo», levou o general Furtado, chefe do Estado Maior General das FAA, a deslocar-se precipitadamente a Cabinda a fim de tentar compreender a situação no terreno e dar instruções para o reforço das unidades das FAA.

Após o ataque aos expatriados chineses que terá causado a morte de um trabalhador, ferindo dois, onde também morreram sete soldados angolanos que efectuavam a escolta aos camiões da empresa chinesa, um clima de insegurança instalou-se junto dos trabalhadores estrangeiros em Cabinda.

Um chefe da guerrilha, que pediu anonimato, afirmou por telefone à PNN que a «resistência cabindesa irá tudo fazer para mostrar até ao Mundial de futebol de 2010 que ainda há guerra em Cabinda».
 
Fonte: PNN Portuguese News Network



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