[004.JPG] Luanda - Pensei analisar a lógica da cronologia historico-política do universo político de Angola. Neste processo reflexivo deparei-me com um arquitecto em cenários políticos na pessoa da Sua Exc. Presidente José Eduardo dos Santos. Não gostaria de desaguar áqui a película de montagens políticas e outras estrategias orquestradas por JES tanto em Dolosie (Congo Brazaville) ou na URSS, onde estudou, porque espaço não terei. Não quero áqui envergar uma camisola política mas seguro professionalmente esta faca para não ferir o meu pequeno ser escondido na carapaça duma consciência neglicênciada.

No topo do único partido, o MPLA que década em décadas governou a nação com uma política de ferro, o Eng. JES teve a coragem de impôr de forma audaciosa ao seu main oppositor, o Dr Jonas M. Savimbi uma retirada sabática. Com incertezas ditadas pela evolução no xadres político-militar, este cenário baseou-se numa luta psicológica da mistura entre a frustração e a intimidação. Propôs-se na altura ao guerrilheiro Savimbi um asilo político no Gabão num bungalow nas beirras da praia com garantia de encaixar, numa transferência bancária, dez milhões de dólares USD. Proposta que foi energicamente rejeitada, pois o arsenal politico-militar dos maninhos era ainda volumoso e pesado.

Uma vez que falharam as eleições de 1992, a Unita emagrecida em armamento já que sofrera embargo, em contrabalanço as avantajosas expectativas do MPLA no campo militaro-político, apresentou-se um novo cenário a Unita em forma de choix multiple. Isto foi depois das visitas de duas eminentes personalidades políticas vindas da França e ONU ao ninho do comunismo aparatchick em Futungo de Belas. O presidente Dos Santos apelou ao demunido Savimbi para entregar-se e ser julgado pelo povo. Outra possibilidade ofertada foi a capitulação ou então tombar com as balas dos bravos das gloriosas Faplas. Nestas imposições já não haviam incertezas já que as condições para o sucesso já eram asseguradas. Finalmente, num certo dia Savimbi viria tombar misteriosamente no Moxico numas confrontações. Assim concretizou-se o mais colorido cenário do JES.

Cenários do presente

Hoje vive-se em Angola um dilema imposto pela natureza política que se comenta nos corredores dos edificios do Kremlin angolano: a substituição estratégica do JES pelo presidente da AN o Sr Nando. Esta fonte fofoco-bajuleira chamou a minha atenção, daí as lágrimas da minha caneta escoregam no rosto desta folha para colocar as barras nos ts, para que o leitorat tenha como saboriar o que se cuzinha nos fornos da política angolana. Nos dois anos que antecederam as eleições de 2008, a Sua Exc Presidente prometera uma surpresa aos angolanos. Surpresa que foi altamente interpretada como o retiro do cavalo branco. Finalmente se comprendeu que o Cenarista não é ainda disposto para give-up power. Parece que os filhos de Angola preferem ajudar já que a idade, saúde e outros aspectos psicológicos não permitem muito para que o ngavovo continua no comando.


Os cenários que predominam a situação e a condição do Presidente Dos Santos repousam em poucas lógicas e realidades. O trabalho realizado pelo JES durante mais de trinta (30) anos no poder é que determina o restrito condicionalismo mas a sua sabedoria e o amor patriótico podem jogar um decisivo papel. A hipótese é que sendo angolano JES tem o pleno direito de ficar e viver a sua paz em Angola ou então viver por si oprimido no estrangeiro sem gozar plenamente a sua riqueza. No actual arquitectorial labirinto onde se autocolocou, JES tem de continuar na presidência para melhor proteger a sua fortuna e defender seguramente a sua familia. Esta tarefa simboliza exorcitar-se dos seus demónios comunistas já que o seu espaço de manobra política esta cada vez mais compressado. Actualmente tem poucos confiantes no círculo da influência e mais lobos silenciosos mesmo no seio do Movimento dos camaradas. A sua idade e saúde já colidem com as cláusulas da realidade constitucional seja ela renovada ou aperfeçoada. Ficar eternamente no pico da montanha não é seguro pois a natureza alerta terramotos.

Há quém no MPLA esta descontente! Não será possivelmente possível de esmagar contínuamente a oposição nas eleições porque os dentes do jacaré também apodrecem. Haverá dias que as estrategias vão falhando. Nenhum angolano espere que o seu Presidente se converte por um ngundeiro; somos muitos sofisticados para isso. A escolha do Nando como outro elemento capaz de proteger o JES e a familia não vai depender da vontade política da nação ou do partido mas dum cenário montado pelo JES. Existem centenas de possibilidades surpreendentes de ver a cadeira presidencial ocupada pela filha, já que é partidária, tem boas qualidades e experiência na gerência. Esta surpresa não será bemvinda aos outros poderosos clãs da concurrência financeira e política e produzirá instabilidade e anarquia. As ocurências deste futurismo serão uma surpresa a quém declarou ‘’neste momento não há ninguém no MPLA para substituir o actual líder do Partido maioritário’’

Manter-se no presidium sem planos, programas e iniciativas para esperar a chamada ao mundo do silêncio é loucura. Corre-se o risco de sofrer uma crise vasculo-cardíaca visto as pressões da oposição, dos amigos, dos poderosos clãs e do povo, porém abandonar o poder é o último cenário. Para tal tem de se criar condições já que até hoje o MPLA não está disposto nem preparado a permutar-se para a oposição. Não faço uma previsão mas tudo indica caso que venha a perder as eleições tendo a actual mentalidade, poder financeiro, midia (jornais, TV, radio etc), e o total controlo das forças de segurança e militar, Angola corre o risco de assombrear nas hostilidades. Não haverá nenhuma intervenção militar estrangeira já que o mundo por aí fora aprecia ainda os verdes do suor angolano.

 Viver entrincheirado com a familia no asilo não será saúdavel para a familia, em princípio pela Primeira Dama. A ngunda não é vida para os ricassos, é para os filhos de pobres e os zé-ninguém. Contudo este é a melhor via que o ocidente oferece aos ex-presidentes. Via este, que facilite-lhe recuperar toda a riqueza acumulada pelo pião que regressará com mãos abanadas na sua terra para morrer apedrejados.

Pelo poderio adquirido e constituido tanto políticamente e financeiramente nenhuma estrutura interna pode pressionar o PR Dos Santos a manter-se involuntáriamente no comando. A única quebra-cabeça no MPLA será a divisão da massa financeira em percentagens. Esta divisão será dilémica porque não oferece as possibilidades de fazer as contas. A pressão externa ainda é prematura uma vez o barrómetro do G8 (e não G20) opera com o aperto do dedo da própria população e o angolano ainda não tem a..., para além da cobra que se crie em casa ainda não cresceu. Fazer uma substituição a sério necessitaria uma preparação antecipada de décadas portanto o tempo já não favorece ao Partido da situação porque o povo que ansiosamente tem esperado está-se desmotivando.

O futurista cenário do queijo e a faca

Então o que o nosso Presidente deve fazer? Esta pergunta foi facilíssima para propor ao Savimbi mas não é fácil auto-responder. Só o arrivista JES que pode resolver esta equação como tem ainda possibilidades e probabilidades para escolher. O povo angolano já não julga ninguém mas a própria consciência angolana chegou no espaço e no tempo de funcionar com sabedoria. A faca e o queijo, que o povo não toca, estão nas suas mãos! Nesta altura o povo que só entende a política de comer bem , ter o seu emprego, visitar um bom médico, enviar filhos na escola, dormir em paz na sua casa, andar livremente nas ruas sem medo usando a sua liberdade de exprimir-se sem receio, que haja água, luz e toiletes públicos não tem choice. Portanto os trinta anos no poder não ofereceram isso... e realizar este milagre em quatro anos é um cenário exageradamente fantasmático que já requere explanações antecipadas. Sobretudo quando está claro que as inaugurações de pontes e picadas é uma funçéo para os comissários provinciais.

Pode o MPLA survive sem finanças? caso vai-se levar todo o bolo. Por áqui pode-se explicar as declarações visionárias de Melo Xavier. Esta pergunta merece um outro artigo. Contudo a nossa equação requere sacrifícios já que vive-se só uma vez e a preciosa vida nunca é longa.

NsimbaJD©2009pub/05


Fonte: http://kinzinzi.blogspot.com/



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