Luanda - Normalmente, não tenho o hábito de escrever sobre questões que de repente a midia coloca na moda, ou seja, nunca quis ser o primeiro pela seguinte razão: amadurecer o máximo a problemática, permitindo que consigamos trazer algo de sui generis. Quando assim não acontece normalmente os analistas caem no mimetismo que os reduz a razão débil. Acho que a febre B.H.O já está relativamente a arrefecer por isso já posso deixar algumas linhas sobre a problemática.

No caso – fenómeno Barack Obama – que acompanhei com muita atenção e calada de fundo (reflexão profunda/profunda reflexão). A razão do acompanhamento milimétrico foi tão-somente o amor a sophia, para um desempenho satisfatório no nosso exercício académico habitue. Sobre o caso, houve variadíssimas análises, aqui e fora de Angola. Grandes catedráticos do direito, da politologia, da sociologia politica, etc, etc., fizeram várias leituras e falaram as mesmas coisas em terminologias diferentes. Quase todos ficaram acorrentados nos seguintes temas: Afeganistão, retirada das tropas no Iraque, a resolução do conflito Israel-palestiniano, normalização das relações com o Irão e os países da América Latina, com realce para a Cuba, Venezuela e Bolívia – este é o ângulo internacional, em que Obama deixou claro que vai primar pelo diálogo e não pela imposição da força nem condições prévias. Outra questão que está a ser vista de forma especial é a possível relação e visão que Obama tem ou terá para África (recorde-se que também é uma questão internacional mas está a ser visto em separado). Na senda das questões que o novo presidente norte-americano vai enfrentar está também em voga os problemas internos no plano social e económico, este último que se traduziu num problema de quilate global.

Concordo plenamente que abordem estas questões e como têm feito até agora, mas esta não é a única forma de ver o problema, por isso, para mim é enfadonho ouvir os mesmos dizeres … e numa visão reducionista – só na político!
Depois de calar fundo diante de tanta cabula dos …Entendo que devemos olhar o problema numa perspectiva semiótica e que vai sem dúvidas resvalar para outros terrenos como o político, o ético, o antropológico e o histórico.
 
Que simbologia?
 
Desbravemos o ângulo de abordagem que nos interessa. O primeiro presidente católico que a os Estados Unidos teve, John Kennedy quando anunciou a sua candidatura ao cadeirão máximo… houve um cepticismo geral pelo facto de professar a religião não dominante naquele país, pelo menos em termos numéricos. Para o caso Obama também houve um ambiente de cepticismo, mas triunfou tal como a personalidade em epígrafe.

Obama fez questão de viajar de comboio quando se dirigia a Washington para a tomada de posse tal como aconteceu com Abraham Lincoln. Por outro lado, usou a mesma Bíblia de Lincoln para a sua investidura. Que carga simbólica!
Durante a campanha e não só, muitas linhas do pensamento obamaniano tem como fonte de inspiração Martin Luter King e outros líderes americanos que colocaram os alicerces da América que é hoje.

Outra nuance simbólica, se não a mais importante, reside no facto de ser negro, a razão fulcral de toda esta mediatização que se deu a sua personalidade e feitos. Sendo negro e presidente da nação mais poderosa do mundo, simbolicamente vai sem dúvidas mudar a forma do homem branco olhar as pessoas de cor e muitos não brancos psicologicamente feridas pelo complexo de inferioridade, poderão erguer o rosto diante da pretensa raça superior de acordo com o eurocentrismo e a antropologia barata dos primórdios.

No âmbito da ética política das sociedades abertas, verdadeiramente democráticas, o adversário politico é tão somente o outro eu que num instante momentâneo se separa para defender ideias diferentes das minhas e por isso não posso mata-lo ou inviabilizar as suas liberdades e epifanias da antropologia, do seu ser como acontece em muitas ditaduras declaradas ou não. A subida de Obama, simbolicamente demonstra que América é uma sociedade que basta ter talento, mérito para ascender. As oportunidades são iguais…dai que devemos seguir este exemplo que na verdade é um dos caminhos para o desenvolvimento pleno. Aqui também está devidamente subjacente o valor ético e político da tolerância.

Um aspecto profundamente marcado pelo símbolo é a dimensão transcendental da qual Obama não dispensou na sua tomada de posse, ao convidar um dos pastores mais críticos em relação as suas posições para celebrar o culto que precedeu a sua investidura. Isto é fenomenal! Isto revela que o novo presidente conhece bem a composição humana que não é simplesmente matéria mas é também espírito, dai que esta dimensão também deve ser atendida sobre pena de cairmos numa miséria moral e humana sem saída. Obama sabe que o poder das nações e dos homens reside na Providência.

Estes actos protagonizados por este homem e com tanta carga simbólica revelam bem a mundividência de Obama em relação ao poder das questões não só factuais, tangíveis mas também das forças fora do alcance oftalmológico ou sensitivo em geral. Isto é uma verdadeira visão holística do homem.
 
…meu medo. Tenho medo. Tenho medo se Obama falhar durante o seu consulado. Caso a sua governação não seja boa vai seguramente fazer que as velhas teorias antropológicas racista renasçam reafirmando com muito vigor que o negro não tem mesmo capacidade é um ser inferior, não tem racionalidade nem alma.

Não podia deixar de escrever breves linhas relativas a posição de Obama em relação a África. De acordo com um livro intitulado "Obama nas suas Próprias Palavras" afirma: "A África não pode continuar com as mãos estendida a pedir esmola, ela tem de ser a solução da sua crise…", por isso gostaria chamar atenção para que haja contenção nas expectativas, aliás ele é o presidente dos EUA, com muitos problemas, e não dos estados unidos de África.

Fonte: Club-k.net
 



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