Luanda - As circunstancias da morte do major Saidy Mingas, ex Ministro das Finanças de Agostinho Neto, a 27 de maio de 1977, foram reveladas nas memorias do General José Fragoso, lançadas Quarta Feira passada em Lisboa.

 

“livro bomba ” provoca  “explusões”  dentro do regime

 

Em conformidade com excerto do livro, o Ministro Saidy Mingas teria morrido nas mãos de um soldado muito próximo a ala de Nito Alves chamado Luís dos Passos que tinha a missão de tomar as instalações da Radio Nacional.

Na ocorrência nas manifestações, o Ministro Saidy Mingas teria saído do seu gabinete a caminho do palácio para ir conferenciar com o Presidente Neto ate ser ser interceptado por uma patrulha comandada por Luís dos Passos que o teriam mandado sair do carro para minutos depois ser levado para o Miramar. Luís dos Passos acabaria por balear o refém ao  temer apanhar uma porrada de Saidy Mingas que era praticante de arte marciais.

Não ha ainda reacção de Luís dos Passos sobre as acusações que lhe são feitas. Em círculos fechados, estima-se que o “ livro bomba ” como esta a ser chamado, provocara “explusões” dentro do regime tendo em conta a forma descomplexada que o autor conta a sua versão.

Outras revelações divulgadas no livro:

- Paradeiro das ossadas de Nito Alves contrariando as versões fabricadas  insinuando que teria sido amarrado/posto num saco e atirado ao mar.

- Interferências atribuídas a Lúcio Lara que forçariam a alteraçao do texto original de um inquérito que Agostinho Neto teria delegado ao major José Eduardo dos Santos a investigar as motivações que teriam encorajados aos desentendimento das duas alas do MPLA.

Fala ainda do pai da actual governadora de Luanda e de outras figuras. Cita Agostinho Neto na qual o autor sublinha que este perdeu o titulo de herói nacional a partir do momento que mandou executar mais de 80 mil pessoas.

Quem foi Saidy Mingas:

Formado em economia, Saidy Vieira Dias Mingas foi o primeiro governante a exercer o cargo de ministro das finanças na era pós independencia (1975 - 1977). Era conhecido na Europa por reforço de uma conferencia de imprensa do MPLA em Londres na qual foi o porta voz ao lado de Rui Monteiro. A conferencia visava explicar o fracasso dos acordos de alvor.

O major Saidy Mingas como era mais conhecido, passou a identificar-se como elemento em ascensão da chamada “linha radical” do MPLA, naquela altura.  Nito Alves passou a criticar por ter sido o primeiro dirigente partidario, atribuir pretenções de “golpe de Estado” aos chamados fraccionistas, numa reunião do Comité Central em Fevereiro de 1997.

É irmão de André e Rui Mingas que na mesma senda perderiam, um outro irmão, José Mingas, afecto a segurança do Estado.  Zé Mingas era muito ligado ao irmão Rui Mingas, a quem homenageou-o dando o seu nome a um filho seu, Rui Mingas "sobrinho", dois anos antes da sua morte.

A estima que o MPLA teve pelo Ministro Saidy é manifestada na homenagem feita ao dar o seu nome a largo em frente ao BPC, na marginal conhecido por largo “ Major Saidy Mingas”. Há pretensões de se erguer um busto de Saidy  na cidade do Huambo orçado em 60 mil dólares.

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Fonte: Club-k.net



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