Luanda - O presente artigo exprime o meu ponto de vista acerca do processo eleitoral em curso ou, aborda a problemática das eleições gerais de Angola de 23 de Agosto de 2017. As fontes pesquisadas tratam da importância da competição Eleitoral das Democracias Emergente da África Subsariana.

Fonte: Club-k.net

Procuro responder à pergunta «Desta vez as eleições gerais de 23 de Agosto vão marcar um ponto de viragem?». Daí resultou de imediato a formulação das seguintes hipóteses fundamentais: as eleições em Angola surgem como consequência da luta de libertação nacional, guerra civil desencadeada com o objectivo de negar a competição política democrática e, inviabilizar o processo eleitoral previsto nos Acordos de Alvor. Quanto a justificação, socorro-me de uma máxima de Desmond Tutu (2012), quando afirma: "Se ficarmos neutros perante uma injustiça, escolhemos o lado do opressor”. Em matéria das eleições ou da competição leitoral em Angola, é sempre interessante o exercício de observar como as pessoas percebem as mesmas coisas de formas tão diferentes. Provavelmente George Orwell tinha razão quando afirmou que «ver o que está à frente do nariz requer uma luta constante›. Estou absolutamente convencido, com as eleições gerais, uma pequena lista de pequenas acções, posturas e atitudes poderiam contribuir para mudar esta nossa Angola para melhor. O método de argumentação é o hipotético-dedutivo, e concluo que os núcleos duros dos partidos da e/ou na oposição moderna em Angola apresentam dificuldades, “incapacidade?”” em levar a bom a porto a ingente mas honrosa tarefa de Angola rumo a verdadeira democracia participativa ou a mudança de regime. O período analisado é o de 1990-2017, o da vaga de democratização da África subsariana com a introdução em Angola de eleições (mais?) livres e (mais?) justas enquanto processo de recrutamento da elite política.

 

Historicamente, a queda do Muro de Berlim na noite de 9 de Novembro de 1989, marcou o início do fim do bloco comunista de inspiração soviética. O impacto desse acontecimento não foi restrito somente à Europa ou ao movimento socialista. Segundo o Professor Andre Thomashausen da Universidade da África do Sul “a queda do muro de Berlim resultou numa moderação do ANC e de reformas políticas em Angola e Moçambique.”

 

Após a sua transição de república popular para democracia multipartidária em 1991, e de acordo com a constituição adotada em 1992, Angola realizou nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 as suas primeiras eleições, destinadas a escolher um chefe de estado - o presidente - e uma legislatura. O presidente deveria ser eleito pelo povo para um mandato de cinco anos com direito à reeleição, por maioria absoluta - e se nenhum candidato alcançasse maioria absoluta, haveria um segundo turno, com apenas os dois candidatos mais votados em execução: o presidente do MPLA, Eng.o. José Eduardo dos Santos e o presidente da UNITA o Dr. Jonas Malheiro Savimbi. A Assembleia Nacional seria composta por 220 membros, eleitos para um mandato de quatro anos, 130 por representação proporcional e 90 em distritos provinciais. As eleições legislativas de 1992 deram ao Movimento Popular de Libertação de Angola, a maioria absoluta. Entretanto, o seu candidato José Eduardo dos Santos não obteve maioria absoluta na primeira volta, o que resultou na Guerra Civil Angolana terminada em 2002.

 

Em Angola as eleições gerais podem não marcar um ponto de viragem: 1a há fortes probabilidades do cenário da fraude se repetir, embora porventura algo atenuado; nas legislativas ditas gerais 2017; 2o o interesse do mundo internacional de negócios parece estar inclinado em apoiar ou favorecer o establishment, e/ou a ordem ideológica, económica e política vigente no país e portanto, não romper com a hegemonia do MPLA; 3o no médio e longo/prazo, na minha perspectiva a mudança de regime político em Angola vai depender de seguintes factores: a) a qualidade de partidos políticos na oposição; b) da qualidade da democracia; c) da constante desconfiança política e insatisfação com o actual regime; d) do vínculo entre democracia e direitos dos cidadãos; e) do apoio estável dos cidadãos ao regime democrático; f) de bom líder, e/ou líder ideal que reúna os 10 seguintes requisitos:

 

Honestidade – Um líder precisa de ser admirado para ser seguido. Para isso a sua conduta ética deve ser irrepreensível, exemplar;

 

Saber escolher colaborador; Quando solicitado que escrevesse o texto que seria colocado em sua lápide, Andrew Carnegie, o magnata suíço que dominou o mundo do aço no início do século XX, respondeu: «Aqui jaz um homem cujo único merecimento constituiu em saber escolher, para seus colaboradores, homens mais sábios e mais competentes que ele».

 

Capacidade de delegar tarefas; Quando você não consegue delegar tarefas, o problema não é com o seu colaborador. É seu como líder. É você que falhou.

 

Senso de humor – O Senso de humor no trabalho é uma competência de destaque para a liderança transvisionária. Essa virtude propicia o alto-astral, facilita as relações, abre as portas e diminui as resistências. Dito doutro modo, o ambiente de trabalho influencia – e muito na produção e na produtiddade.

 

Confiança - Quando os membros de uma equipa de trabalho confiam-se uns nos outros, há maior predisposição em cooperar, compartilhar conhecimentos e comprometer-se com os resultados almejados. Não é à toa que as mais avançadas teorias de gestão consideram a confiança um elemento-chave capaz de proporcionar a integração, a fluidez e a flexibilidade de que as empresas ou as organizações precisam para sobreviver no mundo globalizado.

 

Compromisso – Ter Colaboradores motivados, num verdadeiro espírito de equipa, compromisso e cooperação eis a chave do sucesso. Essas são algumas das principais características que muitos lideres de partidos, organizações ou gestores deveriam buscam para alcançar o êxito e /ou as melhores performances para as suas organizações.

 

Atitude positiva – Como já foi dito, o exemplo é fundamental para os colaboradores, funcionários seguirem o seu líder. Ser optimista e ter atitudes positivas tornará o ambiente mais leve e mais produtivo. Marco Aurélio , o grande filósofo que governou o império romano disse : “A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fizerem dela.“ (in, Roma Antiga, 26 Abr 121 // 17 Mar 180). “Marcus Aurelius passou os últimos 12 anos de sua vida fora de Roma, com suas legiões em combates sanguinários para abafar revoltas dos bárbaros germânicos. E não morreu assassinado por seu filho e herdeiro Commodus (como apregoado por Hollywood), mas sim pela peste que, durante mais de 10 anos, dizimou cerca de 5 milhões de pessoas em todo o império. Que peste? Especula-se, varíola ou sarampo. Assolado pela doença, longe de casa e da família, Marcus Aurelius começou a colocar no papel as suas experiências, seu aprendizado. Escrevia em grego, contando para si mesmo grandes lições passadas pela sua vida. Em conversa definitiva com seu general vitorioso, mostrada no filme “Gladiador”, aparece escrevendo. Sua obra sobreviveu aos séculos, foi traduzida aos quatro ventos e está disponível na Livraria Cultura, na Amazon, na Barnes & Noble, na Librairie Scribe, na Libreria Feltrinelli, na Atlandida Librerias e por aí afora. São as “Meditações do Imperador Marco Aurélio”. Última linha abandonada no leito de morte, em Vindobona, Germania, em 17 de março de 180. Cidade hoje conhecida como Viena”. (LEGADOS DO IMPERADOR MARCUS AURELIUS). ← ANO NOVO, STANFORD UNIVERSITY – A jornada de uma antiga fazenda, Sangue, mármore, bronze, ouro e 1.800 anos de ensinamentos, 2009). Enfim, Cada país tem o Marco Aurélio que merece...

 

8. Criatividade e Inovação- Organizações, empresas líderes e visionárias implantam metodologias de criatividade e inovação em seus sistemas de trabalho para posicionar-se no mercado com diferencial, tornando-se uma marca atraente para seu público-alvo. A criatividade não é manifestada do nada. Ela está associada ao conhecimento de uma pessoa e na coragem desta buscar opções diferentes, originais e em alguns casos até inseguras. A criatividade é também definida como a habilidade de descobrir novas soluções para um problema. É o surgimento de algo novo. Quando uma ideia, um método, uma novidade ou um mecanismo novo é agregado ao contexto vigente, seja inédito ou no desenvolvimento de uma melhoria, chamamos esse processo de inovação. A inovação exige das pessoas uma constante observação, análise e crítica do que já existe, acreditando que aquilo que é considerado bom pode ficar ainda melhor. No campo organizacional a inovação pode ser entendida como o processo de introduzir, adotar e implementar uma nova ideia como resposta a um problema encontrado, transformando essa ideia em algo concreto. Diversos estudiosos consideram que a criatividade é a fonte de onde nasce à inovação. Uma ideia inovadora nasce da criatividade e a inovação implanta com sucesso essa ideia sobre produtos ou processos de uma organização. Sendo assim, uma ideia só terá valor quando colocada em prática trazendo benefícios para uma organização ou sociedade.

 

9. Intuição – É a capacidade que um líder bem-sucedido tem de prever acontecimentos futuros. Estudar, conhecer e compreender as tendências e as dinâmicas sociais e políticas deverá constituir um primeiro passo para uma antecipação, ainda que em termos probabilísticos, das possíveis alternativas de posicionamento e acção das organizações e partidos políticos da e/ou na oposição.

 

10. Capacidade de Inspirar: um líder deve inspirar confiança, ser inteligente, perceptivo e decisivo.

Para que as eleições gerais de 23 de Agosto de 2017 possam marcar um ponto de viragem ou, romper com o status quo será necessário a realização de um plano de mudança que dependa fundamentalmente de uma liderança visionária de partido da e/ou na oposição, unidade de forças patrióticas, de maioria de número de pessoas imbuídas de patriotismo e de grande vontade de mudar Angola para o melhor ou, para uma plena democracia representativa e, a serem mobilizadas e organizadas ou designadas como responsáveis no decurso do mandato do líder que agora cessa.

 

Outrossim, seria fundamental considerar a experiência, o carácter e o perfil do líder, verdadeiro actor político e candidato a mudança de regime. Seria igualmente necessário dar a conhecer a sociedade o seu estilo de liderança e a sua autoridade e poder no seio de seu partido e o seu cadastro na família e na sociedade. Saber com que recursos (humanos, materiais, financeiros, patrimoniais e outros...) o novo candidato a líder de uma nova Angola, pretende operar a mudança em Angola. Dar a conhecer a sociedade angolana e, ao mundo ainda durante o seu longo mandato de cinco anos a frente de seu partido de origem o modelo de desenvolvimento económico, político, cultural e social tendo por base a realidade histórica, cultural, económica e política de Angola.

 

Na nossa sociedade angolana há uma espécie de reverência e/ou culto de personalidade ao actual ditador na função de PR e do MPLA, agora em fim de mandato. Faz com que aumente o nível de insegurança na participação política, receios ou medo a mudança pois existe muita pobreza material e espiritual de muitos ou muita iliteracia política que dificulta a existência de um verdadeiro estado de direito democrático. A pobreza e o medo favorecem o clientelismo político. A postura e o comportamento antipatriótico da media pública, aliada a postura traidora de muitos “políticos”, ou a bajulação de muitos “analistas políticos?” ou, académicos de meia tigela, compromete seriamente as eleições gerais e/ou como ponto de viragem para 2017.

 

De referir, em jeito de conclusão, "um regime democrático está consolidado quando uma forte maioria da opinião pública acredita que os procedimentos e as instituições democráticas constituem o modo mais apropriado de governar a vida colectiva numa sociedade (...) e quando o apoio a alternativas anti-sistêmicas é pequeno ou isolado da atitude predominante entre as forças pró-democráticas" (LINZ e STEPAN, 1996, p. 6). Para Max Weber refere, "a legitimidade atribuída às instituições políticas pelos cidadãos é uma dimensão crucial do funcionamento da vida política e, no caso do regime democrático, particularmente mais importante porque a aquiescência dos cidadãos às decisões que afetam a sua vida - a exemplo das políticas públicas - não depende da coerção política, é voluntária."

 

Pelo exposto, e por que no processo organizativo das eleições persistem todos os ingredientes e/ou elementos da mega fraude parece não ser ainda desta vez que as eleições de 20117 nos tragam a mudança ou marquem o ponto de viragem que o povo angolano tanto almeja. Todavia, o regime caduco e ditatorial do MPLA está falido e ultrapassado. Este Regime e/ou Governo já não representa o sonho da felicidade para

 

Angola e para todos angolanos ou seja, não é e nunca foi a solução para Angola! Vamos continuar a acreditar: Mudança democrática para Angola é possível.

Sabemos o que fazer!
Que Deus Abençoe Angola!
Constantino Zeferino
Docente universitário, investigador do Ceis-20.



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