Quatro horas depois do ataque, as autoridades policiais ainda não se tinham deslocado a casa de Baciro DabóBissau - O candidato presidencial guineense, Baciro Dabó, foi assassinado hoje de madrugada com vários tiros, disparados por homens vestidos com uniformes militares, na sua residência em Bissau, disse à Lusa fonte da candidatura do ex-ministro da Administração Territorial.

Fonte hospitalar, garantiu ainda que o antigo ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Hélder Proença, também foi hoje morto a tiro na estrada que liga Bula, norte do país, a Bissau.

Segundo a mesma fonte, o corpo de Hélder Proença entrou na morgue do hospital Nacional Simão Mendes ao início da manhã de hoje.

De acordo com um comunicado entretanto divulgado pela Direcção-Geral dos Serviços de Informação do Estado, Baciro Dabó estaria envolvido numa tentativa de golpe de Estado, que seria liderada por Hélder Proença.

Segundo o comunicado, "durante a operação, alguns renderam-se voluntariamente, enquanto outros mostraram resistência contra as forças de ordem, o que culminou com trocas de tiros, tendo sido vitimados mortalmente".

O comunicado não especifica quem foi morto e se há pessoas detidas.

Lamine Djatá, director de campanha de Baciro Dabó, disse à Lusa desconhecer o que aconteceu, adiantando que esteve a jantar com o candidato na sua residência, de onde saiu cerca da 1h00 (2h00 em Lisboa).

Pouco depois de ser conhecida a morte do candidato, dezenas de apoiantes e vizinhos do bairro da Ajuda, a três quilómetros do centro de Bissau, concentraram-se junto à residência de Baciro Dabó. 

Quatro horas depois do ataque, as autoridades policiais ainda não se tinham deslocado ao local, constatou a Lusa.

O governo da Guiné-Bissau reuniu-se hoje de emergência para analisar a situação, com a presença do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas interino, Zamora Induta.

A Guiné-Bissau vai realizar eleições presidenciais antecipadas na sequência do assassínio a 2 de Março do presidente "Nino" Vieira, horas depois do chefe das Forças ter sido morto num ataque à bomba.

O início da campanha eleitoral para as presidenciais está marcado para sábado.

PM e PR interino ausentes

A alegada tentativa de golpe de Estado abortada na madrugada de hoje na Guiné-Bissau ia ocorrer na ausência do país do primeiro-ministro, Carlos Gomes júnior, do Presidente da República Interino, Raimundo Pereira, e do ministro da Defesa, Artur Silva.

O primeiro-ministro guineense encontra-se em viagem privada a Portugal há cerca de duas semanas, enquanto o ministro da Defesa e o Presidente da República interino se encontram em França.

Ausentes da Guiné-Bissau estão também o ministro da Função Pública, Fernando Gomes, e o ministro da Comunicação Social e porta-voz do governo, Fernando Mendonça.

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Fonte: Lusa



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