Luanda -  A Direcção da Emissora Católica de Angola (ECA) na pessoa do Padre Maurício Kamutu protagonizou na passada quinta-feira (4/05) uma lamentável e musculada interferência na gestão editorial daquela rádio ao impedir que a Secretária-Geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) apresentasse a sua versão dos factos, depois da Deputada Tchizé dos Santos ter dito que Luísa Rogério (LR) lhe tinha pedido desculpas.

O pedido de desculpas que LR garante nunca ter existido, teria sido apresentado durante uma conversa telefónica entre as duas, depois da SG do SJA ter afirmado à ECA que havia uma incompatibilidade e um conflito de interesses na indicação da Deputada do MPLA para integrar uma das comissões criadas pelo MCS para gerir a TPA.

Esta recusa é muito pouco compreensível e nada aceitável, pois sabe-se que foi a ECA que pediu a Luísa Rogério um comentário sobre as recentes movimentações na RNA e na TPA.
Claramente cabia a LR o direito de se pronunciar sobre um gesto que lhe foi indevidamente atribuído, com a agravante do mesmo pôr em causa a sua credibilidade e coerência. Agora só lhe resta recorrer ao direito de resposta e aguardar pela reacção da ECA.

No mesmo dia, note-se, a direcção da ECA censurou pelo menos mais uma entrevista que foi pedida a um outro jornalista sobre o mesmo assunto relacionado com a nomeação de Tchizé dos Santos.

Como é evidente, o jornalista em causa também não solicitou nenhuma entrevista a ECA, tendo o mesmo apenas respondido a uma solicitação que lhe foi feita pela Rádio Ecclésia.
Aqui está, pois, um bom e escaldante assunto para Siona Casimiro e o próprio Maurício Camutu abordarem na sua “Visão Jornalística”, que é um acutilante espaço de opinião e análise que os dois, numa produção conjunta, apresentam semanalmente na Emissora Católica.
O programa tem direito, por vezes, à retransmissão noutros órgãos, como aconteceu no Folha-8 com o seu último e violento ataque ao CNCS, organismo que acabou sendo convertido pela católica dupla num “órgão de inquisição editorial”.

Embora estando em desacordo frontal com uma tal conversão que só pode ter sido produzida pelas lentes defeituosas e desfocadas do laboratório da “Visão Jornalística”, temos que reconhecer que os católicos são os maiores especialistas em matérias relacionadas com a inquisição e a diabolização dos seus adversários, como atesta a sua própria experiência histórica que remonta à Idade Média quando torturavam até a morte inocentes e indefesos cidadãos para confessarem supostos pactos com o Belzebu.

Esperemos que aceitem o nosso repto, já que a censura, para além de ser inconstitucional é, sem dúvidas, a ameaça mais grave que pesa sobre a liberdade de imprensa em Angola.
Não deixa de ser curioso que um dos produtores da “Visão Jornalística” sempre tão atenta e preocupada com os “assaltos à liberdade de imprensa”, tenha sido agora ele próprio a dirigir um destes assaltos.

Quanto ao outro, para já, nada consta.

PS- Foi com o maior espanto, deste e do outro mundo, que ouvimos na Ecclésia Tchizé dos Santos apresentar-se como sendo a precursora da comunicação social privada neste país, que nas suas contas terá surgido apenas em 2000 e pela sua inspirada e criativa mão com uma revista qualquer cujo nome acabei por nem fixar.
Esta informação, como é evidente, não corresponde à verdade, nem pouco mais ou menos.

Fonte: http://www.morrodamaianga.blogspot.com/



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