Luanda - África, um continente acorrentado, Para quando África?, os massacres em África, …radiografia de um continente, a colonização em África, Teologia africana da reconstrução, Filosofia africana da reconstrução, O genocídio do Ruanda, O empenho político da Igreja no Congo, A comunidade de St. Egídio e o conflito moçambicano, Diamante de Sangue, Lágrimas de Sol, O que não estão a dizer sobre a SIDA, A globalização e os conflitos no Sul, O que a África não disse, etc.

Estes títulos de livros e filmes que revelam a miséria africana, sintetizam um pouco aquilo que os estudiosos chamam a "crise africana" ou a crise do muntu.
Entre as multiformes insuficiências que a África vive, queremos destacar aqui a falta de capacidade que os africanos revelam para criarem um ambiente de paz nos seus países (prova disto é que após a descolonização as guerras não desapareceram).

A hecatombe sangrenta na região dos grandes lagos é o nosso objecto de análise. Temos plena consciência que a complexidade do conflito é passível de ser analisado em vários ângulo (perspectiva), mas a nós interessa nestas breves linhas, olhar para as causas. Porque interessamo-nos as causas? Porque nada se pode solucionar quando não conhecemos a sua génese. Penso que já se descreveu os actores, as consequências, as condenações que merecem e outros temas atinentes…

 O conflito na região dos grandes lagos, tem quatro causas combinadas de forma cíclica giratória (concatenadas e compenetradas) que podem ser representadas da seguinte forma:


 
Esta representação demonstra o seguinte: nenhuma causa é mais importante que a outra; são sistémicas, ou seja, uma alimenta a outra para que o todo seja uma realidade.
As causas são: psico-antropologica-teologica, economicista, política e étnica.
 
1) Psico-antropológico-teológico. Esta causa tem uma dimensão universal, porque identifica-se com todos os homens, culturas e locais de deste globo. Não se pode analisar um conflito sem partir do homem concreto e singular. O homem é um ser naturalmente agressivo na sua constituição psíquica (não confundamos agressividade com violência). Agressividade esta, quando não moldada pode resvalar para a violência. Porém, queremos afirmar categoricamente, que a violência brota no coração do homem. Desde esta perspectiva antroporealista, a violência tem como grau inicial o homo naturalis… que está marcado pelo pecado que o manchou na sua bondade, embora reconheçamos que a Graça com o seu assentimento permite-o evitar esta depravação ética: a violência.

2) Economicista. Sobre esta questão, não necessitamos tanto argumentário, porque temos plena consciência que a má distribuição da riqueza naquela zona, beneficiando um grupo, contribui na exaltação da chama que perdura nos Grandes Lagos. Importa frisar, que sobre esta causa já ouve muitos estudos.(Cf. CHINGULI, E, A Geopolítica do conflito na região dos grandes Lagos). Por outro lado, as potências ocidentais também estrumentalizam alguns líderes daquela região, para a concretização dos seus intentos. Não faltam filhos daquela parcela do mundo, que por ganância provocam conflitos para extrair riquezas fora dos parâmetros legais, tudo porque estão descontentes com as autoridades. "Está mais do que provado que a má distribuição da riqueza é um factor propiciador de conflitos militares (…) [Cf. CRUZ, D, Pax Romana: Fertilizante para Guerra].

3)  Ético-político. Em África, o adversário político é visto como inimigo, disto se deduz a inexistência naquela região, de uma ética politica assente em fundamentos da moderna ciência política e de uma metafísica com influxos morais no campo político. Para África, o adversário político é um alvo a bater mortalmente. Não temos dúvidas, o muntu Bantu está numa crise ética gravíssima que leva a esta violência exacerbada que continua à semear todo tipo de perversidade naquela região.

4) Étnica. Nos anos 60, Nkrwmah, esteve preocupado com os conflitos étnicos no continente – conflitos que adviriam do mau recorte das fronteiras pela conferência de Berlim. Sobre esta questão já muitos estudos foram publicados. Alguns estudiosos negam a influência (causalidade) da etnicidade no conflito dos grandes lagos. Uma posição não aplaudida por E. Chinguli, na obra acima expressa. Para nós, sócio-realistas não temos dúvidas da influência étnica no conflito, e o exemplo inquestionável é o genocídio do Ruanda de 1994.

O conflito dos Grandes Lagos, no que diz respeito a causas é um desafio interessante para estudos, porque é isto que levará a criação de um caminho solucional definitivo. Mas é necessário reafirmar a complexidade do conflito e a interconexão das causas, para não cairmos no erro de dar ênfase a um ângulo genésico em detrimento de outros.

Fonte: Club-k.net



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