Luanda - O líder da UNITA comparou hoje o Presidente de Angola e o MPLA a um "gerente de loja", que tem de ser despedido porque levou a "empresa" à falência com promessas não cumpridas.

Fonte: Lusa

Isaías Samakuva, cabeça de lista da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) às eleições gerais de 23 de agosto, falava durante um comício, ao final da tarde de domingo, em Mbanza Congo, na província petrolífera do Zaire (norte de Angola).



Perante centenas de apoiantes, muitos deles crianças a muitos anos de poderem votar, Samakuva trouxe a parábola do gestor de loja, enumerou as promessas que José Eduardo dos Santos, o líder do partido que está no poder há 42 anos, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), fez nas eleições de 2012 e perguntou se estas tinham sido cumpridas.

 

"Nas lojas, nas empresas, quando se arranja um gerente para gerir a loja damos-lhe um período, findo o qual se faz um balanço. E vê-se se a loja lucrou ou se a loja deu prejuízo", disse o dirigente do partido do galo negro, no comício realizado num dos largos da cidade de Mbanza Congo.

 

No Estado, explicou Samakuva, em jeito de aula de direitos cívicos, "o povo dá um mandato ao gerente e ele tem cinco anos para concretizar aquilo que o dono da empresa pretende atingir".

 

"Neste caso é aquilo que o povo pretende atingir. Há cinco anos, o MPLA e o Presidente José Eduardo dos Santos ficaram gerentes do nosso país, dos nossos haveres e das nossas vidas. E receberam um mandato com base nas promessas que fizeram", salientou.

 

Em 2012, recordou o líder da UNITA, o MPLA prometeu "trazer escolas para muitas crianças estudarem".

 

"Vocês viram aqui as escolas a aumentar?", lançou o dirigente da UNITA, recebendo um sonoro "Não" e aplausos.

 

"Depois disseram que iriam trazer um milhão de casas, prometeram um milhão de casas. Vocês viram um milhão de casas? Depois disseram que iriam trazer emprego para toda a gente - jovens, mulheres, homens. Vocês têm emprego?", perguntou sucessivamente Isaías Samakuva, de pé num palco decorado com a bandeira da UNITA e rodeado pelos candidatos a deputados provinciais.

 

O líder da UNITA é o cabeça de lista do partido pelo que é candidato a Presidente da República. Em Angola, o Presidente é cabeça de lista do partido mais votado.

 

Lançando gritos aos apoiantes, Samakuva perguntou pela água potável prometida em 2012 ou pelo acesso a medicamentos nos hospitais. "Iê, iê, iê?", interpelou o líder da UNITA, no grito de ordem tradicional do partido.

 

"Iê, iê, iê!", responderam as centenas de militantes e simpatizantes.

 

"A loja deu lucros ou prejuízos? Se o gerente leva a loja à falência o que fazemos ao gerente? Vai para fora, é demitido. O nosso gerente, nos últimos cinco anos, `comeu a loja`", sentenciou Samakuva, entre muitos aplausos.

 

Assim, completou, a mensagem principal da UNITA para o povo de Mbanza Congo é a de que "o país precisa de mudar".

 

"Mudar não só de gerente, como o rumo do país. Porque o país está a seguir um rumo errado do qual precisa sair", sublinhou.

 

Isaías Samakuva contestou ainda um discurso recente do candidato do MPLA, o general João Lourenço, que insinou que votar na UNITA podia resultar num regresso do país à guerra civil, como a que se travou entre 1975 e 2002.

"Dizem que se votarem na UNITA vai haver guerra. É mentira! Quem é que quer fazer guerra? Niguém! Nenhum angolano quer mais guerra", disse Isaías Samakuva, herdeiro político do líder histórico da UNITA Jonas Savimbi.

 

 



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