Lisboa - A sociedade angolana “convive com um vulcão” que poderá “explodir a qualquer momento” se não foram tomadas medidas sérias contra a pobreza e a exclusão social, alertou o escritor angolano e vencedor do Prêmio Camões, Artur Pestana “Pepetela”.

Segundo o escritor, o livro de Carvalho pode ajudar a sociedade angolana, particularmente “os que têm voz para ajudar” a tomar consciência que se convive com um vulcão.

“E se esse vulcão um dia explodir, não foi por falta de aviso”, afirmou Pepetela, acrescentando que o livro é de todo o interesse para o poder público, “a todos os níveis”.

“Pois que o papel dos sociólogos não é decididamente o de propor políticas, acaba sempre por sugerir temas de reflexão, que, de alguma forma, influenciam determinas escolhas”, frisou.

Sobre os deficientes físicos, grupo social mais marginalizado em Angola, de acordo com o autor do livro, acrescentando ser “um desperdício” a quantidade de pessoas que poderiam ser úteis à sociedade.

“No universo estudado pelo autor, mais de metade dos interrogados dizia ter uma profissão, no entanto, cerca de dois terços não conseguem arranjar emprego. Que desperdício!”, disse Pepetela.

Exclusão

De acordo com o escritor, o estudo de Paulo de Carvalho que denominou “os excluídos dos excluídos” mostra que se a grande maioria da população de Luanda sofre de exclusão social, de pobreza, de injustiças, “os deficientes físicos sofrem mais”.

O escritor e Prêmio Camões em 1997, Pepetela, que também é sociólogo, não deixou de fazer referência à questão da pobreza, onde Carvalho analisou brevemente na obra a formação da nova burguesia, exemplificando os meios utilizados por essa classe para monopolizar os bens públicos.

“Não é objeto do trabalho, mas é evidente que não se pode falar seriamente em Angola de exclusão social sem se referir aos que beneficiam ilicitamente da exclusão dos outros”, afirmou Pepetela.

No final, Pepetela encoraja o autor a “continuar nessa senda”, contribuindo com o seu trabalho de recolhimento e análise para o aviso sobre a sociedade que está sendo criada e com indicações dos perigos que “fervilham neste caldeirão de Luanda”.

“Espero que continue nessa senda, com toda a coragem necessária. Sempre haverá alguns ouvidos atentos”, concluiu.

No livro de Paulo de Carvalho, este chama à atenção para a existência de mais de 150 mil deficientes em Angola, os mais expostos à exclusão social e considera que são urgentes programas de acompanhamento destas pessoas para que possam inserir-se na sociedade com o seu saber e ser útil, o que muitas vezes não acontece por causas como os preconceitos ou a falta de auto-estima, situações debeláveis com acompanhamento eficaz.


Fonte: Lusa



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