Luanda - A coligação angolana CASA-CE vai contar a partir de quarta-feira com um centro de escrutínio paralelo das eleições gerais e pretende, ainda no próprio dia da votação, divulgar publicamente os primeiros resultados.

Fonte: Lusa

A informação foi avançada hoje à Lusa pelo secretário executivo nacional da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), Leonel Gomes, acrescentando que a operação envolverá, no terreno, milhares de delegados de lista, que vão enviar para Luanda os resultados por cada mesa e assembleia de voto.

"Para que desta vez, em Angola, os resultados eleitorais reflitam efetivamente a vontade expressa pelos cidadãos nas urnas e não sejam mais aqueles que querem o poder pelo poder", afirmou o dirigente da CASA-CE, atualmente segunda maior força política da oposição.

"Neste momento temos acima de 42 mil delegados inscritos na CNE. Espero bem que, desta vez, o credenciamento seja para todos os partidos, não seja como em 2012, em que o único partido que teve efetividade de delegados foi o MPLA e mais ninguém. E nós ficamos sem poder controlar 82% das assembleias de voto".


De acordo com Leonel Gomes, este centro de escrutínio consiste num sistema informático que vai receber os resultados das atas das operações por cada mesa de voto e das atas por assembleia de voto, enviadas pelos delegados de lista da coligação e inseridas no sistema por operadores próprios.

"As atas síntese da assembleia de voto vão ser comparadas com as das operações eleitorais. Vão servir para nós estabelecermos um termo de comparação entre aquilo que vem das assembleias e os resultados apurados nas mesas", explicou o dirigente.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto, algumas a serem instaladas em escolas e em tendas por todo o país, com o apuramento centralizado nas capitais de província e em Luanda, estando 9.317.294 eleitores em condições de votar.

"Por questões de segurança temos três pontos diferentes daquele que é do conhecimento geral. Porque infelizmente, às vezes, acontecem aqueles 'tsunamis' humanos, provocados. Se eventualmente eu for afetado aqui, os outros dois pontos são perfeitamente secretos e seguros e não vão ser afetados", sublinhou.

A CASA-CE garante mesmo que ainda durante a noite, à medida que cheguem os primeiros resultados, "de imediato" estes serão tornados públicos por aquele centro de escrutínio.

"Vamos partilhar com os angolanos e o mundo aquilo que está a acontecer com o escrutínio. À medida que estiverem a ser apuradas as mesas, os dados chegam de imediato. Em tempo útil e em tempo real nos estaremos a divulgar esses dados, com uma variação, se tanto, de cinco minutos por cada assembleia de voto", realçou Leonel Gomes.

Explica ainda que o "sistema está montado de tal maneira" que "onde houver erros será feito um sinal", mesa de voto a mesa de voto.

"Os nossos delegados de lista é que nos vão enviar os dados e isso vai dar credibilidade ao processo. Estão lá, a acompanhar o que está a acontecer, e inclusive as reclamações que eles forem produzindo ali vão entrar também no sistema, para caso seja necessário fazermos também o contencioso", sublinhou.

"Se a CNE cumprir com o seu papel de credenciar os delegados de lista, eu não tenho nenhum tipo de problema e vou fiscalizar este processo em todo o território nacional", concluiu o secretário executivo nacional da CASA-CE, que coordena este processo.

Uma fonte da CNE contactada pela Lusa disse anteriormente que a divulgação oficial dos primeiros resultados, provisórios, só está prevista para a partir de 24 de agosto.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votados é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições gerais de 2012.

 



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