Luanda - O dia depois de 23 de Agosto, foi para nós, um dia sem igual. Foi o alvorecer de um dia em que a minha geração terá alguém na Cidade Alta, que não será o Presidente Jose Eduardo dos Santos. O novo presidente, seja quem for, terá a sua disposição uma variedade de recursos naturais como o petróleo, diamantes, ouro, madeira, terras férteis, recursos marítimos, rios e recursos humanos para trazer o milagre económico que tanto almejámos.

Fonte: Club-k.net

Foi em 1995 estando eu no penúltimo ano da faculdade de economia, quando minha esposa e eu, estávamos de regresso, de umas curtas férias ao País de Gaulês, no Reino Unido, em companhia do Dinho Chingunji, sua esposa e filhos. Ao passarmos por uma linda paisagem, lembro-me que o filho primogénito do meu amigo Dinho, emocionado olhou para uma das tantas paisagens pitorescas à vista e disse que parecia que estávamos em Hollywood.

 

Nesta viagem de regresso a Londres onde vivíamos, falamos das belezas de Angola e o potencial turístico do país, e quão grande era, se tão somente houvesse um ministro com visão. Anos mais tarde, o Dinho foi convidado pela UNITA a liderar este ministério no governo do GURN. O sucesso do seu consulado, inclui o projecto Okavango que será um grande trunfo para os países signatários, caso haja vontade política e visão para a sua conclusão.

 

Vamos aqui estabelecer um paralelismo, tirado da antiguidade Egípcia. Houve providências, o José "deles"e não o nosso, assumiu o cargo de primeiro ministro e logo foi fazer um estoque de mercadorias em cada cidade. Estava-se a viver e época das vacas gordas ou seja a situação financeira do país estava boa. Parecia Angola antes de 2014.

 

Chegada à época das vacas magras, ou seja das dificuldades financeiras, com a fome, miséria, doenças, desemprego, estendendo-se por todo o país, Jose, abre os armazéns onde havia guardo todo excedente de mercadorias, e passa a vender os mantimentos aos egípcios.

 

Jose foi um homem sábio na administração do património de Faraó, o que não posso dizer do "nosso"José em relação ao património dos angolanos. Jose soube aplicar os recursos a sua disposição, usando técnicas de gestão, contabilidade e de economia, no sentido de separar e inventariar os estoques existentes. Tivéssemos um José assim, Angola não era o que é hoje - país de sofredores.

 

Sabemos todos que a indústria da paz, caracterizada por entendimento entre as nações, chama-se turismo. Esta indústria começa com um centro de informação, um hotel, uma casa de hospitalidade, meios de transportes, segurança física dos visitantes, preços de bens acessíveis e serviços competitivos. Locais turísticos como o nosso novo património mundial - a cidade de Mbanza Kongo- e criação de condições para receber visitantes de todo o mundo são a marca desta indústria.

 

O estado de Flórida onde vivo, recebeu 85,9 milhões de turistas nos primeiros nove meses de 2016, o que representa um aumento de 5,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, e um novo recorde para o turismo no estado do Mikey Mouse e praias cristalinas de Miami.

 

Como eles conseguiram isso? Tive a oportunidade de tirar alguns dias com a família, e visitar a costa atlântica de Florida no início do mês, incluindo Miami, ainda passando por Fort Lauderdale, Boca Raton, Palm Beach, e posso confirmar; existem poucos lugares no mundo como esses.

 

Imaginemos um cenário em que numa nova Angola que começou no dia 23 de Agosto, o novo ministério da indústria da Paz, reúne -se com o governador Florida, e solicita que o seu estado apadrinhe a nossa costa litoral de Angola, - de Cabinda até Namibe- parar termos uma mini Florida em Angola! Ele aceita o desafio é na sua primeira visita a Angola, a delegação dos homens de turismo de Florida composta até pelos executivos da DisneyWorld, SeaWorld e outros constata o potencial turístico do nosso país. Seria o começo de uma verdadeira paz em Angola.

 

A indústria do turismo, promove hoje cerca de 750 milhões de viagens internacionais por ano, além de alguns bilhões de viagens domésticas. São, no mínimo, 750 milhões de pessoas circulando e apertando as mãos de pessoas. Se cada um desses viajantes apertar as mãos de dez pessoas durante sua viagem, serão 7,5 bilhões de apertos de mão, e Angola seria parte desta sinergia.

 

Já que o turismo e a hotelaria são a indústria da paz, na minha visão de uma Angola depois do dia 23 de Agosto, deverá acontecer que os hotéis dediquem um por cento do seu tempo a reuniões, para discutirem como seu estabelecimento pode e deve contribuir para serem autênticos estabelecimento para a paz definitiva em Angola. É a paz e o entendimento que deverão servir como matéria prima de primeira ordem nos negócios do turismo em Angola.

 

Assim quando um jovem (a) fosse estudar hospitalidade ou turismo no país ou no estrangeiro, ele (a) querendo ser profissional do ramo da hospitalidade, deverá conhecer e entender os povos e as nações, aprender, saciar sua curiosidade pelo universo e ser uma ponte para cementar a paz em Angola.

 

Infelizmente, o Turismo entre nós, ainda não é uma realidade. A infra-estrutura turística ainda é zero devido a falta de investimentos sérios e sustentáveis. Quem visita o nosso país hoje, sempre vem por algum vínculo de trabalho.

 

O caso de Turismo em Florida, conforme mencionamos acima, como indústria da paz começa com a Florida Commission on Tourism ( Comissão de Florida sobre o Turismo ) que é a parceiro público / privado responsável pela vitalidade e crescimento da indústria turística de Flórida. Seu objectivo é promover Flórida, como o principal destino de viagem, tanto nacional como internacionalmente, é o foco principal da organização de apoio direto de uma outra Comissão denominada VISIT FLORIDA.

 

A VISIT FLORIDA, como comissão, cria e implementa atividades de publicidade, vendas, promoções e relações públicas para aumentar as férias, negócios, conferências e viagens de incentivo para este estado . Também auxilia no desenvolvimento do turismo natural, histórico e cultural. Ainda alavanca fundos apropriados pelo estado com contribuições do setor privado, para a comissão VISIT FLORIDA, que esta habilitada a melhorar grandemente a promoção de ativos e perspectivas de turismo do estado.

 

Entre suas atividades, a VISIT FLORIDA faz:

1. Coordena o marketing direto aos consumidores, tanto a nível nacional como internacional,

2. Trabalha com os principais escritores e transmissores de viagens do mundo e produz promoções,

3. Atua como Interface com profissionais de comércio e do sector de viagens e consumidores;

4. Atende e facilita a presença do setor de turismo de Flórida em feiras de turismo em todo o mundo,

5. Mantém representação internacional no Reino Unido, Europa, Canadá, América Latina e Japão,

6. Compila o número oficial de visitantes aéreos, terrestres, marítimos no estado, acompanha as tendências do turismo e conduz pesquisas para avaliar a eficácia dos esforços de publicidade e marketing.

7. Opera os cinco Centros oficiais de boas-vindas do estado de Florida.

 

Mas próximo ainda da nossa cultura, está o Quênia. O turismo no Quênia é a segunda maior fonte de receitas cambiais após a agricultura. Existe um Conselho de Turismo do Quénia é que é responsável pela manutenção das informações relativas ao turismo no Quênia.

 

As principais atrações turísticas do Quênia são safaris, seus 19 parques nacionais e reservas de caça. Outras atrações incluem as mesquitas em Mombasa, o famoso cenário do Great Rift Valley; as plantações de café em Thika; o Monte Kilimanjaro através da fronteira com a Tanzânia, e as praias ao longo do Oceano Índico.

 

Promover as atracções turísticas angolanas, significa revelar maravilhas escondidas das nossas costas, terras altas do interior e zonas selvagens, bem como conhecer uma cultura única que foi intocada ao longo desses anos todos.

 

A ilha de Mussulo de Luanda está cheia de praias agradáveis, mas a maior parte dos belos trechos de areia estão em Benguela, onde as antigas ruínas coloniais portuguesas também estão de pé. O deserto do Namibe apresenta um cenário perfeito para turismo, com serras e cachoeiras escondidas dentro das florestas. Assim, o património turístico da Indústria da Paz em Angola, nas mãos de um Ministro da Paz com visão como de José do Egipto, podem incluir:

 

O Famoso Parque Nacional Iona - considerado o maior do género em Angola. O Parque Nacional Iona apesar de ser negligenciado e sem infraestruturas a altura, ainda é uma das atrações mais visitadas do país. Abrange 5. 850 milhas quadradas e foi um verdadeiro paraíso para animais antes dos dias de guerra pré-civil. Grande esforços deverão ser empreendidos para reviver a sua vida selvagem, que hoje tristemente esta em declínio devido à caça furtiva extensa. Ao longo do parque existem magníficas formações rochosas para vistas e fotos pitorescas. O parque da Quissama na província do Bengo bem à beira do rio kwanza, não perde lugar.


Luanda, a nossa capital, é abençoada com lindas praias, ruínas coloniais, monumentos históricos, museus e uma grande variedade de coisas para fazer e lugares para explorar. A água esportiva ao longo das praias tropicais da Ilha do Mussulo e as compras no famoso Benfica Handcrafts Market são apenas alguns dos passatempos favoritos em Luanda. A ilha de Luanda que se parece com as cordilheiras de Key West de Miami, precisa de uma renascença . Tendo o estado de Florida como cidade Irma de Luanda, isto seria possível.


Lubango é a cidade capital da província da Huila no sul do país. É conhecido pelo seu exuberante vale tropical, dominado pela icônica estátua de Cristo, que fica em um penhasco com vista para a cidade. A cidade possui uma das maiores reservas de arquitetura colonial em Angola. Mas para ser um destino turístico, muito precisa ser feito.


A serra do Leba - esta não perde seu lugar no património turístico de Angola. Alcançando até 5.000 pés de altitude, cada vez que fiz empata viagem do Lubango ao Namibe, foi sempre uma emocionante alegria. As montanhas florestais e as cachoeiras em cascata estão em forte contraste com o deserto maçante abaixo, proporcionando um pano de fundo de tirar o fôlego.


Tenho fortes convicções que a serra do Leba, entregue a empresários sérios do Sector sejam eles de Florida, Namibia, África do Sul ou mesmo do Zimbabwe, podem com bons incentivos tais como por exemplo explorar e desenvolver turismo neste lugar por 25 anos sem pagar imposto industrial colocar a Serra do Leba no mapa turístico mundial.

 

Os turistas postos no Namibe, claro que além das parais azuis, teriam a famoso Lagoa do Arco que é um oásis de água doce com excelentes formações rochosas. É o lar de uma diversidade de vida de aves, flora e fauna e uma comunidade agrícola tradicional no deserto do Namibe.

 

Não é em vão que o Namibe, é apelidado de deserto mais antigo da Terra, Namibe é um espectacular trecho de dunas de areia e formações rochosas que vão desde Tombwa até Walvis Bay, na Namíbia. Biscado pelo rio Cunene, o deserto do Namib está inundado de areia vermelha que atravessa a costa.

 

Benguela que é localizado nas extensões de praias mais deslumbrantes de Angola. A área da Baia Azul possui deslumbrantes paisagens do deserto. A cidade também é conhecida por sua arquitetura Art Deco, ferrovias históricas, terrenos verdejantes e excelentes cenários.


O Kwanza Sul era antigamente o maior produtor de café do país. É composto das planícies de Waku Kungo, do Rio Kwanza, da Barragem de Cambambe, das Hot Springs de Conda e das Cachoeiras de Binga. Estes pontos todos são maravilhosos, assim como as ruínas das antigas fortalezas e pinturas rupestres que remontam à era neolítica.


Namibe é uma cidade portuária que tem uma combinação única de praia e deserto. Oferece o melhor acesso à Lagoa do Arco, bem como a certas partes do Parque Nacional Iona. Dentro da cidade encontram-se belas fortalezas e antigas igrejas. A cidade pode ser um bom lugar para visitar e vislumbrar a vida das tribos Mucubais.


Existem muitas teorias econômicas sobre o sector que é o nosso tema n até artigo. Para como economista, importa realçar os seguintes pilares que são universalmente aceites no sector:

 

Turismo com sustentabilidade ambiental - A sustentabilidade ambiental é provavelmente o aspecto mais conhecido do turismo sustentável. A sustentabilidade ambiental refere-se à conservação do ambiente natural, como floresta, fontes de água e marcos naturais, e ambiente artificial / construtivo, que inclui o património cultural tangível, arte e arquitetura, monumentos históricos etc. Mais do que apenas ser "verde" , a sustentabilidade ambiental se concentra em garantir que o turismo tenha pouco efeito sobre o ambiente e o patrimônio natural, de modo que seja preservado para que as gerações futuras também possam um dia desfrutar.

 

A sustentabilidade socio-cultural - esta consiste no aumento do turismo em qualquer área, e que pode ter um impacto sociocultural negativo ou positivo na comunidade. Por um lado, pode haver uma troca de idéias e valores culturais, enquanto que, por outro lado, este tipo de turismo pode contribuir grandemente para o aumento da população, migração e até mesmo o aumento das taxas de criminalidade.

 

O principal objetivo do turismo de sustentabilidade sociocultural é incentivar os aspectos positivos, minimizando a influência negativa provocada pelo turismo. A sustentabilidade socio-cultural no turismo centra-se no incentivo ao intercâmbio cultural entre turistas e as comunidades locais, preservando as tradições locais e protegendo o patrimônio cultural tangível e intangível da região. Se este pilar for ignorado, a indústria da paz, pode se tornar em um mero imperialismo contra a nossa cultura, e Angola merece melhor.

 

TURISMO COM SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA - Este pode ser um dos aspectos mais importantes para Angola, mas muitas vezes esquecidos. Não existem outros termos, a verdade é que o turismo sustentável produz sustentabilidade econômica. Muito embora o Executivo anterior nunca seriamente apostou nos benefícios do turismo, ou discutir a sustentabilidade do turismo, como chave para tornar o turismo sustentável, o sucesso do Sector a longo prazo, está neste pilar.

 

Os países acima mencionados,não chegaram ao estatuto de destinos preferidos por acaso. A sustentabilidade econômica, deve concentrar-se em manter os ganhos econômicos do turismo dentro das comunidades locais. Promover as empresas locais, e empregar os locais em hotéis e agências de viagens, isto pode sim ajudar a promover o turismo local e nacional. O objetivo principal neste caso, será garantir que as comunidades locais ganhem economicamente através do turismo.

 

Para que isto aconteça, o novo ministério da indústria da paz que terá o meu voto, precisará de convencer os investidores, de que eles vão poder repatriar os seus lucros. A cultura de gasosa na concessão de áreas de exploração já é coisa do Executivo passado. As políticas econômicas e fiscais do novo executivo, terão que ser mais a favor do investidor que cria empregos e paga salários decentes aos angolanos. Os incentivos ao turismo, serão a chave para atrair e manter operadores credíveis e capazes para o sector.

 

O caso das empresas petrolíferas, devia merecer comparação com o sector do turismo, já que sem os incentivos que os contractos de partilha oferecem as petrolíferas, como operadoras internacionais, teríamos hoje o nosso crude no fundo do mar sem condições de desenvolver a sua exploração e produção.

 

Este é o cenário do sonho de muitos angolanos. O meu maior pesadelo, será sim o país, e o próximo executivo a continuar na dependência dos recursos não renováveis, que até aqui provaram e têm sido a maldição de Angola e o seu povo. Haja Josés com visão e coloque-nos nesse sector para que as próximas gerações possam ter o orgulho e o privilégio de gozar férias na baia azul em Benguela e não em Málaga na Espanha.

 

Florida, 25 de Agosto de 2017

 

 



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