Luanda - Arcebispo de Luanda criticou a parcialidade dos meios de comunicação social no tratamento dos partidos concorrentes às eleições de 23 de agosto. UNITA contesta resultados oficiais em 14 das 18 províncias.

Fonte: Jornal I

O arcebispo de Luanda apontou esta semana o dedo aos meios de comunicação social angolanos pela forma desequilibrada com que fizeram a cobertura das eleições gerais de 23 de agosto. Falando aos jornalistas, em Luanda, durante o anúncio da Nota Pastoral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Filomeno Vieira Dias referiu que «é unânime, mesmo por parte dos observadores internacionais que chegaram apenas dois dias antes das eleições, que não houve um tratamento igualitário nesta campanha».

 

Embora sem referir o nome do MPLA, nem de João Lourenço, sucessor de José Eduardo dos Santos, Dom Filomeno Vieira Dias, citado pela Lusa, acrescentou que «houve por parte de alguns órgãos, sobretudo os estatais, o privilegiar de uma candidatura que vocês conhecem».

 

Na Nota Pastoral, a CEAST lança um «veemente apelo» aos órgãos de comunicação social para que «não transformem estes instrumentos de promoção do bem, da integração, da paz, diálogo e do convívio em instrumentos de instigação e propagação do terror, do medo, da insegurança, da desordem, da divisão e da difamação gratuita».

 

Sobre os resultados das eleições, contestados pela oposição, a Nota Pastoral apela à sua aceitação: «Cabe aos políticos dos partidos e coligação concorrentes dar corpo e sentido ao convívio de vontades expresso nas urnas, aceitando com serenidade e responsabilidade o veredicto final». Embora acrescente que devem recorrer à lei se acharem que há erros: «Utilizando os instrumentos legais para dissipar possíveis equívocos e buscando, acima de tudo, o bem da Nação, assente na justiça, na paz e na verdade».

 

Na quinta-feira, em comunicado, a comissão política da UNITA, principal partido da oposição em Angola, anunciou que o apuramento dos resultados eleitorais não foi feito de acordo com a legislação.

 

«O apuramento provincial realizado de acordo com a Lei 36/11, de 21 de dezembro, apenas ocorreu nas províncias de Cabinda, Uíje, Zaire e Malanje», lê-se em comunicado de imprensa.

 

A segunda força política angolana refere que os seus mandatários e representantes presentes nas contagens de voto em todas as 18 províncias do país «não assinaram as atas, em virtude de os procedimentos utilizados não estarem em conformidade com a lei».

 

Devido a reclamações apresentadas pela UNITA e pela coligação CASA-CE, a terceira maior força política, a CNE decidiu suspender a reunião plenária da manhã de ontem. A UNITA reclamou o facto de as atas de apuramento eleitoral nas províncias de Benguela, Lunda Norte, Cunene, Namibe, Moxico e Luanda não terem obedecido ao previsto na lei. A CASA-CE apresentou uma reclamação idêntica, mas para as províncias do Cuando Cubango, Huambo, Moxico e Malanje.

 

Os resultados provisórios das eleições de 23 de agosto, adiantados pela CNE, deram a vitória ao MPLA com 61% dos votos e a eleição de 150 deputados num Parlamento com 220 deputados.

 

 



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