Luanda - De acordo com o Jornal Folha 8, que publica a informação, a  democracia aconselha que as Forças Armadas estejam sob dependência do poder político para serem capazes de cumprir, cabalmente, com o objecto que a Lei Constitucional lhes reserva. Igual comportamento exige-se dos oficiais superiores, com intuito de serem um exemplo, não só de aprumo, como também de verticalidade nos actos públicos. Infelizmente, não é o que tem acontecido com o general José Maria que volta-e-meia surge nas páginas dos jornais, acusado de ter andado à pancadaria em público. 

Polémico e conflituoso quanto baste, quer na hasta pública, quer a nível do seu gabinete, a vida do general José Maria, segundo o jornal, é um somatório de conflitos que em nada abona a favor da sua imagem enquanto oficial general e das Forças Armadas (FA). E já não colhe falar em provocação de outros para tentar tapar as recorrentes cenas de pugilato público.     

A última cena ocorreu há cerca de 15 dias, na zona da Praia do Bispo, no abrir de uma manhã em que o general reserva e bem para a sua manutenção física, exigindo a todos que o vejam correr, reconhecimento, tal como se tem da Coca-Cola e lhe batam continência. Não o fazendo, mesmo se tratando de civis, como no caso, estes devem ser espancados por desrespeito à imagem do chefe. E foi isso que aconteceu, ao passar defronte à residência do secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo, “Dino Matross”, com os seus guardas, ligados à empresa de Segurança Socorro, que ao não terem reconhecido um cidadão de calções, se mantiveram sentados, diante do seu objectivo e foram violentados, " você não me viu? Não me conhece? Não sabe que se deve levantar e bater continência".   
    
O desgraçado sustentou o seu comportamento, por desconhecer de quem se tratava, quando o general mandou parar um patrulheiro da Polícia Nacional, ordenando que levassem o "pobre guarda", por desrespeito a um general.  

Mas, à cautela, os agentes ponderaram a decisão a tomar pelas nuvens escuras do conflito, tendo, nesse intervalo, a vítima aproveitado para se refugiar no interior da residência.  Descontente, o general terá chamado pessoas da empresa Socorro para informar do caso e exigir uma punição ao guarda por alegado desrespeito a um oficial superior das FAA. Coincidentemente, no dia seguinte, depara-se de novo com o mesmo guarda e tenta nova investida; mas, como estava presente o supervisor, este tentou conter o general, que este não se fez rogado e foi-lhe dando uns soquetes, preferindo entrar no quintal da residência de Dino Matross para evitar o pior.  Sabe-se ter o mesmo, depois solicitado um encontro com o secretário-geral do MPLA, mas este terá declinado, segundo a fonte do F8, após ouvir a sua guarda e considerar o incidente inamistoso, por estar em casa na altura dos acontecimentos, sendo o acto protagonizado uma falta ao respeito.      
 
 "Não acredito em coincidência, pois há cerca de dois anos aconteceu o mesmo com o guarda do então vice-presidente do MPLA, camarada Pitra Neto e agora com Dino Matross, secretário - geral. Estará este general a testar os guardas colocados nas casas dos dirigentes do partido no poder para futuras acções"?, interroga-se J. A. António, militante do M, acrescentando na sua opinião "haver uma intenção incubada que os dirigentes devem estar atentos para não serem surpreendidos".

 A ser verdade este sentimento, o general José Maria deveria tentar mudar o seu comportamento para não ser apontado, voluntária ou involuntariamente, como um obstáculo à segurança dos políticos. Está, desta forma, criada uma atmosfera de crescente instabilidade, de incerteza e de dificuldade, quer a nível do poder como das FAA, para digerir os prejuízos que as recorrentes lutas públicas do general acarretam para a credibilidade das instituições e dos seus dirigentes.
   
 Crise no seio da CIM 

São unânimes os especialistas em inteligência e contra inteligência militar em atribuir o mal - estar na sua Direcção, devido ao seu actual responsável máximo, general José Maria, não só pelo facto de não ser um expert da área, como lhe faltar humildade e capacidade de trabalho em equipa. Tanto assim, o chefe da CIM, ao invés de se empenhar no objecto da sua direcção, é acusado de andar a degladiar fogosamente com outras áreas de actuação, pela posse de poder indevido, usando todos os meios para esse fim, subordinando as conveniências das Forças Armadas aos seus interesses pessoais, chegando mesmo a conflituar com o SINFO.

"Não é competência da CIM abordar cenários das zungueiras, mercados informais, taxistas e dos políticos na oposição, como pretende a sua actual direcção", denunciou ao F8 um alto oficial dos Serviços de Informação do Estado, acrescentando ainda haver um clima de tensão interna a aconselhar uma "intervenção urgente do comandante - em -chefe para colocar ordem no circo".                                         

Para os especialistas a função do CIM é o de aconselhar o Estado a traçar uma correcta política de Defesa Nacional, antecipar cenários que possam pôr em perigo a soberania nacional, através da apetência expansionista de países vizinhos ou ainda a aquisição excessiva de material bélico e armas capazes de em poucos minutos alcançar o nosso espaço nacional. "Esse é o objecto do CIM e não outro", lembra o especialista.                                                                               
Não estando a ser cumprido, esperava-se, ao menos, pela existência de um clima sadio, mas denúncias apontam para um de crispação, entre o chefe-adjunto, general Zé Grande, o inspector general Massano e outros responsáveis. Até os oficiais generais se sentem acorrentados pelo caciquismo, mas sem intervenção na marcha das coisas da direcção que não seja a de irem ao serviço, olharem para as paredes ou jogar cartas no computador.                                  
Neste ambiente, quem faz papel de adjunto na prática quotidiana é o chefe do Planeamento, tenente-general Nelito, sendo ainda o general Filó outro dos seus lugares tenentes de quem se diz cobras e lagartos, por ser a correia de transmissão da intriga.                                                                           
Neste caso, parece tornar-se necessário atacar o mal pela raiz, isto é, travar este clima, cujos maus fígados do general "boxeador" não são, alegadamente, capazes de encontrar solidariedade na parte do ministro da Defesa, chefe do Estado Maior General das FAA e demais chefes dos ramos. Sendo verdade é preocupante, porquanto ele tem de servir as pessoas que não fala, por mero capricho e agenda pessoal.    
              
No ar da CIM corre a teoria de José Maria pretender criar um novo ramo das FAA para ser promovido a general de 4 estrelas, pelo número de oficiais generais recrutados e, neste momento, são mais de 30, entre brigadeiros e majores-generais, a maioria sem um relacionamento ou tarefas para desempenhar, mas um número bastante para condicionar a decisão do comandante-em-chefe, principalmente se o homem consumar a promoção de 5 tenentes-generais, tendo já neste momento quatro, que são: Massano, Zé Grande, Samokonga, Vaz e muito seguramente ele poderá propor o seu eterno delfim, dirigente Filó, para fechar o quinteto, mas, alegadamente, "tudo visando um fim pessoal, em que ele quer, a todo o custo, chegar as quatro estrelas", explicou a fonte de F8.

General manda brigadeiro andar a pé

Um facto que está a chocar a direcção da Contra Inteligência Militar prende-se com o inedetismo de uma posição tomada há três meses pelo general José Maria de ter mandado o chefe-adjunto da DPCIM, brigadeiro Neto, encostar a viatura, inicialmente, por um período de 30 dias, pelo facto de este não ter atendido ao telefonema do "chefe" num fim-de-semana.
 
As razões foram explicadas, seguidas dos respectivos comprovativos, pois o brigadeiro que se encontrava no serviço teve de sair, com urgência, para atender a uma solicitação familiar; uma sobrinha estava a passar mal e precisava de cuidados médicos no hospital.

Por atrapalhação, deixou os celulares no período em que, justamente, o general José Maria telefonou. Quando regressou e viu as chamadas, retornou e explicou o sucedido, mas o chefe, rigoroso nas suas decisões, ordenou, como castigo: "encostar o jeep, por um período de 30 dias", levando o brigadeiro a andar a pé ou de carrinha. E, como a disciplina militar impõe o cumprimento das ordens superiores, o brigadeiro Neto não retorquiu e encostou a viatura; nem mesmo quando comunicou ao seu superior hierárquico o falecimento da sobrinha, este não se demoveu nem comoveu, pelo contrário, pois a ordem já se arrasta por mais de três meses e não se vislumbra uma solução a breve trecho.      

É verdade correrem riscos de prisão ou mesmo de vida quem aponte o dedo crítico para as atitudes musculadas do general José Maria, mas não nos podemos acobardar todos, quando problemas patológicos colocam em causa a imagem das instituições do Estado, no caso das FAA.

Esperemos que alguém com capacidade de aconselhar este oficial o faça, em nome da estabilidade e da pacificação, pois são muitos casos para os erros serem imputados sempre aos outros, quando este país tem mais generais e não se conhece tanta apetência para a pancadaria pública, como fazem os gangsteres dos bairros.

Nota Final: Esperemos que este respeitável general não atente contra a vida de um dos nossos jornalistas, por sinal seu vizinho, pois não é ele a fonte desta notícia que julgamos, pelos dados, aqui trazidos e os outros não publicados por acharmos, enquadrar-se nos "Segredos de Estado" de utilidade pública.  

Fonte: Folha8



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