Luanda – Na sequência do despacho presidencial 290/17 de Outubro e suas oportunidades, Domingos Freitas, falou sobre as perspectivas da indústria em Angola. O jovem angolano ostenta o cargo de director geral da Weatherford, uma das cinco principais multinacionais que opera na indústria de petróleo e gás. Este profissional experiente possui um doutoramento feito numa prestigiada universidade dos Estados Unidos de América.

Fonte: Club-k.net
A Weatherford é classificada como uma das maiores provedoras de serviços de Petróleo e Gás em todo o mundo. Como Angola se encaixa neste panorama?
Domingos Freitas (DF): Weatherford está presente em Angola há mais de uma década. Em 2014, iniciamos uma estratégia para reforçar a nossa posição no mercado angolano que tem sido muito bem sucedida. Do ponto de vista corporativo, Angola foi identificado como um mercado de crescimento estratégico.

Será que Angola é capaz de fornecer os recursos humanos que as empresas internacionais exigem?
DF: As empresas no mercado têm vindo a desenvolver-se bem num tempo extremamente curto, e o mercado de recursos humanos está melhorando. O programa de treinamento implementado pelas operadoras nos ramos de petróleo e gás está a produzir bons engenheiros angolanos, mas as empresas precisam de continuar assumindo a responsabilidade de se envolverem na formação e treinamento dos seus quadros.

Na Weatherford começamos a reconstruir nossas operações angolanas em 2014 e tornamos prioritário o desenvolvimento de nossa força de trabalho nacional. A empresa investiu fortemente para recrutar e treinar profissionais angolanos. Orgulho-me em dizer que aproximadamente 80% da equipe hoje são nacionais angolanos, incluindo os nossos principais gerentes.

Desde 2016, a produção foi estável, mas a actividade no geral foi baixa. Como desenvolverá a indústria de petróleo e gás angolana em 2018?
DF: O ano de 2018 será importante para a indústria de petróleo e gás angolana. O Despacho Presidencial no 290/17 represente uma nova oportunidade para dinamizar o investimento na indústria. Também vários concursos realizados serão adjudicados e começarão em 2018.
Durante estes tempos de baixos preços de petróleo, projectos offshore de capital intensivo eram muito arriscados, no entanto, os intervenientes da indústria encontraram uma plataforma de diálogo, daí o motivo de que muitos estejamos esperançosos, sobre o Despacho Presidencial nº 290/17, que é a luz de esperança necessária.
 
Qual é o potencial de Angola para a produção de petróleo terrestre e é qual o papel que as empresas locais esperam desempenhar?
DF: O potencial está lá, o que é uma boa notícia. A produção de petróleo terrestre não é nova para Angola. Muitas reservas onshore estão inexploradas, mas prontas para a produção com o investimento necessário. Uma legislação sobre o onshore é necessária, definindo as responsabilidades em termos de investimentos em infra-estruturas terrestres, entre outros. O presidente da AECIPA vê o onshore como forte oportunidade para as empresas de serviços locais.
De forma geral, o Onshore definitivamente será um campo para as criações de empregos directos e indirectos ao petróleo e gás e um ganho para as famílias angolanas.
 
Enquanto outras nações da OPEP viram os níveis de produção cair junto com os preços do petróleo, Angola conseguiu equilibrar a produção total. O que torna o sector de hidrocarbonetos do país tão…?
DF: Hoje Angola beneficia de generosos níveis de produção que são o resultado de uma exploração substancial realizada em anos anteriores. Existe uma clara intenção de aumentar a produção, o que aumentará as reservas, a riqueza do país e fomentar a diversificação da economia.

Que reduções fiscais deveriam ser criadas para atrair mais investimentos:
DF: Certamente, a redução de impostos implica uma menor receita fiscal para Angola, mas o Presidente da República apontou com razão outros ganhos, como a melhoria da vida das populações nas regiões que albergam os projectos, através da criação de mais empregos.
Definitivamente, a criação de emprego nos sectores público e privado representa um ganho para qualquer governo, já que o desemprego é um problema muito grave.
Acredito existirem vários incentivos fiscais em carteira que ajudarão a melhorar o ambiente empresarial, levando ao aumento de empresas, aumento de empregos para os jovens e a riqueza nacional.

Como gestor qual é o seu segredo para uma gestão de sucesso?
DF: Deus! Olhe, existem várias formas de encarar esta pergunta, mas o fundamental ao meu ver é entender a sua empresa, entender o mercado, entender os seus clientes e entender a concorrência. Trabalhei em várias indústrias, este é o dominador comum por experiência própria.



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