Luanda - 1. Queria antes partilhar convosco a mais simples definição do conceito de diplomacia que encontrei: - A diplomacia e uma poderosa ferramenta dedicada a planear e executar a politica externa dos estados, sempre relacionada a questões de guerra e paz, comercio exterior, promoção cultural e tudo o que são os interesses dos estados e organizações politicas com características de Estado como foi o caso da UNITA.

Fonte: Club-k.net

2. Falar da diplomacia da UNITA é falar da dinâmica da Luta de Libertação Nacional e do conflito interno independência no contexto regional e internacional de então.

 

Falar da diplomacia da UNITA é falar de um domínio reservado do Presidente do Partido. Portanto, todas as iniciativas aqui mencionadas foram da sua iniciativa e por ele impulsionadas e apoiadas.

 

3. 1966- A história da Diplomacia da UNITA, data da sua fundação em 1966.

 

Sabemos todos que a UNITA surge num contexto político complexo, pois havia já 2 outros Movimentos de Libertação no xadrez da Luta de Libertação Nacional. Foi o impacto da sua accão militar no terreno e a dinâmica da sua politica externa sobretudo em África, nesta primeira fase, que fizeram com que a UNITA se pudesse guindar ao mesmo patamar com os outros dois do ponto de vista da legitimidade. Foram nessa altura protagonistas da acção diplomática da UNITA nessa altura, os camaradas: José Ndele e Ruben Chitakumbi na Suiça, Tony da Costa Fernandes no Egipto, Ernesto Mulato nos EUA/Philadélfia, Jorge Sangumba em Nova York, António Dembo em França, Kapessi Kafundanga na Zâmbia e Stella Maunga na Suécia.

 

4. Três factores foram determinantes para o desgaste do sistema colonial português tendo como consequência a Revolução dos Cravos a 25 de Abril 1974, a saber:

a) A pressão dos nacionalistas de Angola, Moçambique e Guine Bissau pela luta armada,


b) A acção dos democráticas e revolucionários portuguesas, dentro e no exilio

c) O isolamento politico e diplomático a que estava sujeito o regime de Salazar por parte da comunidade Internacional.

A ditadura Salazarista não resiste, em Portugal abre-se uma nova página da sua história com o processo de descolonização.


Para o caso de Angola, partimos do Acordo de Alvor, que deveria ter sido o instrumento jurídico constituinte da primeira Republica de Angola Independente. São sobejamente conhecidas as iniciativas diplomáticas que a UNITA desenvolveu no sentido de preservar o espirito e a letra deste Acordo, procurando evitar que a sua rotura desse lugar ao conflito que Angola conheceu. Disso é evidência o esforço do Dr. Savimbi em criar primeiro uma plataforma entre os três movimentos em Mombaça no Kenia com vista às negociações que conduziriam a conclusão com Portugal, do Acordo de Alvor, bem como promover o entendimento entre o MPLA e a FNLA em Luanda logo depois dos primeiros confrontos em Maio de 1975. Foi ainda uma iniciativa de Jonas Savimbi e o seu esforço diplomático junto de governos Africanos que resultou na realização da cimeira de Nakuru, em Junho do mesmo ano, que reuniu os três Movimentos de Libertação numa tentativa derradeira de salvar os Acordo de Alvor.


5. Fracassados que foram os esforços de restabelecer a paz, instaurou-se e Angola, a exclusão politica através intervenção de tropas estrangeiras, o que colocou o conflito angolano no contexto da guerra entre as duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética. Temos hoje inúmeras testemunhas de actores políticos de então, incluindo Rosa Countinho e mesmo historiadores que confirmam a decisão tomada na altura, de inviabilizar os Acordos de Alvor para levar o MPLA ao poder com ajuda de forcas cubanas apoiadas por material bélico soviético.
No contexto daquela exclusão, a UNITA viu-se obrigada a procurar aliados dispostos a prestar-lhe auxilio para a defesa dos valores da Liberdade e da Democracia multipartidária.


6. 1976 Depois da proclamação da independência, num clima de Guerra total, a UNITA, na pessoa do Dr. Savimbi, desdobrou-se em contactos pelo continente Africano procurando uma vez mais, encorajar os seus lideres a promoverem o entendimento entre os Angolanos. Este esforço culminou na realização da uma cimeira da então OUA em Janeiro de 1976, que terminou num impasse.


Este impasse associado à decisão de proibir qualquer tipo de ajuda a forcas Angolanas, tomada a 19 de Dezembro de 1975, pelo Congresso Americano, numa altura de crescente envolvimento cubano e soviético, levou as forcas Sul Africanas a retirarem-se em Março de 1976.


Nessa situação à UNITA restavam duas opções: submeter-se á política da URSS ou resistir.


Obviamente que a UNITA optou pela resistência conduzindo uma Guerra de guerrilhas que, com o tempo, se foi alastrando e consolidando um pouco por todo o país.


Pela primeira vez a União Soviética enfrentava uma Guerra de guerrilhas fora das suas fronteiras. Era um império em expansão, considerado no ocidente invencível por um lado e por outro ninguém dava importância às reclamações da UNITA.


7. A 10 de Maio de 1976, a UNITA realizou uma conferencia em Sandona, no Leste do país, depois da qual emitiu o que ficou conhecido como o Manifesto do Kwanza.


Este documento revestiu-se de grande valor diplomático por ter sido a primeira comunicação oficial da UNITA ao mundo, feita depois do início da Guerra de guerrilhas. Nesta comunicação a UNITA anunciou as suas intencões, explicou as suas razões e manifestou a sua firme convicção de empreender uma longa mas exitosa luta.


8. Em Marco do ano seguinte, a UNITA realizou o seu IV Congresso na província do Huambo, para o qual convidou o jornalista Leon Dash do prestigioso jornal americano Washington Post. Foi a primeira testemunha da sobrevivência, crescimento e da sua capacidade de organizar o Partido que chegou ao exterior, especialmente no ocidente, onde ninguém acreditava que a UNITA fosse capaz de sobreviver à grande coligação MPLA/URSS/Cuba depois da retirada das tropas sul africanas.


9. Em Maio de 1978, outro acontecimento do valor diplomático teve lugar na região. Apoiadas por Luanda, forcas katanguesas invadiram pela segunda vez a província congolesa do Shaba, agora Katanga, do então Zaire. Essa invasão foi parada apenas graças a intervenção de tropas francesas, com o apoio logístico de Marrocos.
Este facto, criou a oportunidade para a UNITA aprofundar relações com as autoridades zairenses, marroquinas e também lançar as bases de uma nova aproximação com a França, abrindo portas para as primeiras representações semioficiais naqueles países.

Estava assim criado o que viria a ser o triângulo de resistência ao expansionismo soviético: África do Sul, Zaire e UNITA. Sobre esse triângulo o Velho Jonas disse um dia e eu vou citar:


“Mesmo que seja difícil, cuidemos das nossas relações, com a África do Sul. Pois se nós não o fizermos, o MPLA não hesitará em usá-las contra nós.” – Fim de citação.


10. Neste período, o presidente Agostinho Neto fez uma aproximação com Mobutu, com quem assinou um acordo de não agressão em Setembro. Era ainda intenção declarada deste Acordo, relançar a actividade do CFB.
Naquele contexto, o funcionamento do CFB não tinha apenas valor económico mas também militar (logística) e diplomático, dando ao mundo a impressão de um controlo total da situação do pais pelo governo. O CFB passou assim a ser palco de violentos e constantes combates.


11. Em Outubro de 1979, o Dr. Savimbi visitou Washington a convite de organizações da sociedade civil. Durante a visita avistou-se com o General Alexander Haig, que veio a ser o primeiro Secretário de Estado de Reagan.
A segunda invasão do Shaba tinha criado maior interesse pela luta da UNITA por um lado, e por outro, a sua sobrevivência e dinamismo, então irrefutáveis, permitiram que os Americanos e a Europa ocidental em geral, vissem a UNITA como uma organização de mérito próprio e não como simples “fantoche” como os adversários queriam fazer crer através da sua propaganda.


De facto, a UNITA tinha nesta altura o controlo de quase toda a fronteira sul do país. Foi assim que, em Marco de 1980, esta convidou a ONU a estabelecer contactos com o representante da UNITA, Eng. Jeremias Chitunda a fim de discutir a possibilidade da implementação da chamada zona desmilitarizada no Sul de Angola, no âmbito das resoluções da ONU sobre a independência da Namíbia. Desnecessário será, dizer que tal projecto nunca foi implementado por falta de vontade política do MPLA.

12. Ainda durante o ano de 1980, dois factores de interesse diplomático e estratégicos tiveram lugar:

1. A criação da Jamba como QG da UNITA

2. A eleição de Ronald Reagan a presidência dos EUA.


Tendo conquistado a vila de Mavinga, a UNITA tinha sob seu controlo, um vasto território que precisava de administrar e defender. A Jamba passou a ser o centro das actividades da UNITA, e polo do pensamento alternativo que rivalizava com Luanda. Nos anos seguintes passaram pela Jamba inúmeras delegações vindas de todos os continentes, representantes de governos e ONGs. Emanavam da Jamba apelos a democracia, tolerância, a descentralização do poder e reconciliação nacional, enquanto Luanda argumentava que a democracia era estranha a Angola e contrariava a cultura Africana. A destruição da Jamba passou então a ser a maior obsessão de Luanda.


13. Foi ainda realizado o V Congresso neste ano, que aprovou a adesão da UNITA a politica do Linkage – independência da Namíbia em simultâneo com a retirada das tropas cubanas de Angola e terminou com apelo ao MPLA no sentido de iniciar um diálogo directo e sério sobre o fim do conflito.

No fim do ano, foi criada a Escola da Bembua para a formação de quadros que foram dinamizando a acção politica, militar e diplomática nos anos subsequentes.


Apos o Congresso, o Dr. Savimbi deslocou-se a um certo número de países Africanos a fim de promover os ideais da luta da UNITA e esclarecer os seus objectivos, que tinham sido definidos como:

A retirada de todas as tropas estrangeiras de Angola

Negociações directas entre o MPLA e a UNITA

A institucionalização de um sistema politico multipartidário, assente em eleições periódicas, livres e Justas.
Seria absurdo que se desenvolvessem tantos esforços para a promoção de um processo democrático na Namíbia, negando simultaneamente aos angolanos o mesmo privilégio.


14. Como vimos antes, a eleição de Reagan, tinha criado um novo quadro internacional que a UNITA tinha necessidade de explorar em beneficio da sua luta. Durante a XIV Conferencia Anual de 1982, realizada na Jamba, foi criada uma Comissão dos Negócios Estrangeiros, encarregue de acompanhar a evolução da situação internacional e de recomendar ao Presidente do Partido iniciativas a assumir. Iniciou-se ainda a projecção da criação de um corpo diplomático que estivesse à altura de explorar a nova situação internacional para reforçar o grupo já implantado no exterior.

No seu informe o Dr. Savimbi disse e eu volto a citar: ”O momento actual é extremamente favorável a UNITA e a resistência do povo angolano. É um imperativo de consciência reunirmo-nos aqui hoje para fazermos um trabalho aturado de análise e projectar acções…” Fim de citação.


Assim, em 1983, foi reforçado o corpo diplomático da UNITA tendo sido, na altura, os principais actores, Jeremias Chitunda e Marcos Samondo, nos EUA, Tito Chingunji e Jardo Muekalia, no Reino Unido, Lukamba Gato, na Franca, Alcides Sakala e Tiago Kandanda, na Alemanha Ocidental, João Vahekeni, na Suíça, Wilson dos Santos, em Portugal, Jaime Furtado, em Marrocos, Jonh Marques Kakumba, na Cote d”Ivoire, Honório Van-dunem, no Senegal, Sebastião Dembo, no então Zaire e Isaias Samakuva, junto das autoridades sul africanas estacionadas na Namíbia.
15. A ordem internacional era na altura, ditada pela dinâmica da Guerra-Fria, era do interesse da UNITA identificar potenciais aliados e buscar apoios políticos, diplomáticos e materiais que concorressem para a concretização dos seus objectivos.

Após a tomada de posse de Reagan em Janeiro de 1981, a diplomacia da UNITA nos EUA tinha dois objectivos imediatos:

-encorajar Washington a promover uma solução negociada do conflito Angolano.


-revogação da Emenda Clack, permitindo assim libertar o executivo dos constrangimentos legais acima referidos.
Assim, durante a primeira metade da década dos 80, os americanos, através de Chester Crocker, sub secretário para os assuntos Africanos promoveram, iniciativas visando negociações entre os actores externos do conflito Angolano , estabelecendo uma relação directa entre os conflitos da Namíbia e de Angola. Na lógica de Crocker, o desengajamento simultâneo das forcas Sul Africanas e Cubanas de Angola, criaria condições propiciadoras da reconciliação interna em Angola e da independência na Namíbia. Assim, Crocker promoveu e defendeu de corpo e alma a chamada política do ‘’Constructive Engagement’’ que visava alcançar estes objectivos.


Luanda e Pretória assinaram os acordos de Lusaka, em de Fevereiro de 1984, com o beneplácito de Washington. A 15 de Junho do mesmo ano, José Eduardo dos Santos disse durante um comício no Namibe que o MPLA não tinha alternativa senão liquidar a UNITA. Enquanto nós buscávamos uma solução negociada interna, o MPLA procurava oportunidades para “liquidar a UNITA”.


16. Em Fevereiro de 1985, o Dr. Savimbi encontrou-se com C. Crocker, na cidade do Cabo, África do Sul, a quem manifestou a posição favorável da UNITA, em relação aos esforços em curso e, nomeadamente, a política do linkage, tendo também exortado o seu interlocutor a incluir no seu complexo plano para a região, a solução do conflito interno angolano, na base dos objectivos assumidos pela UNITA:

a) a retirada de todas as forças estrangeiras.

b) negociações directas com o Governo do MPLA.

c) institucionalização de um Sistema multipartidário.

Era intenção da UNITA, facilitar e contribuir para a paz e estabilidade da região, desde que o desengajamento das forças estrangeiras levasse à solução negociada do conflito interno angolano.

17. Em Junho de 1985, realizou-se uma Conferência na Jamba, denominada “Internacional Democrática” que reuniu representantes de forcas de Resistência de Angola, Nicarágua, Laos, Cambodja, Cuba, representantes da sociedade civil americana e Lew Lehrman, representante de Ronald Reagan. Os objectivos dessa conferência eram:

- reforçar os laços de amizade e encontrar pontos de acção comum

- transmitir ao mundo que era possível resistir a expansão soviética.

- promoção da Jamba como um centro capaz de albergar eventos internacionais em segurança.
18. Porém, em Agosto de 1985, estava em curso a primeira grande ofensiva contra as áreas libertadas da UNITA, nomeadamente Mavinga e Cazombo; continuavam as negociações entre os actores externos sem qualquer previsão de inclusão da UNITA no processo global;

R. Reagan ia já no seu segundo mandato e não tinha sido ainda revogada a Emenda Clarck, nem tinha sido adoptado qualquer programa concreto de ajuda à UNITA e a Europa, exprimia de forma tímida apoios aqui e acolá mas, na essência, andava a reboque do plano de Washington para a África Austral.


Face a esta situação conjuntural, o Dr. Savimbi decidiu desencadear uma ofensiva diplomática nos EUA, que reuniu em Washington, Jeremias Kalandula Chitunda, Tito Chingunji e Wilson dos Santos. Esta acção, levou, finalmente à revogação da Emenda Clark e libertou o executivo americano. De salientar, que o envio de quantidades, até então inéditas, de material bélico soviético, e o envolvimento de oficiais generais do exército vermelho naquela ofensiva, tornaram-se factores instrumentais que viabilizaram o bom desempenho da diplomacia da UNITA, nos EUA e na Europa ocidental e África.

19. Em Janeiro de 1986, o Dr. Savimbi visitou Washington e foi recebido por Ronald Reagan na sala oval da Casa Branca. Neste encontro foram reiterados os objectivos da luta da UNITA no quadro do plano geral para a região e foi acordado um programa de ajuda “efectiva e apropriada” RPT que promovesse o equilíbrio na correlação de forças no plano militar e viabilizasse o diálogo conducente a institucionalização da democracia em Angola.


Tão logo foi derrotada a ofensiva de 1985, nas margens do rio Lomba, deram início planos de preparação de uma outra ofensiva para 1986. Tais indicações ajudaram a acelerar o processo de concessão de ajuda que foi concretizado em Abril de 1986. Daí em diante, a dinâmica da interacção Guerra-Diplomacia favoreceu consideravelmente a luta da UNITA. Quanto mais ofensivas Luanda lançava, maior era o apoio que a UNITA granjeava.
20. Ainda em 1986, a UNITA realizou o VI congresso na Jamba que emitiu um plano de paz denominado: “Plataforma para Reconciliação Nacional”, Nele eram feitas propostas concretas para o início do diálogo directo.
Representantes da UNITA desdobraram-se pela África, a fim de apresentar este plano aos líderes Africanos, foi ainda apresentado aos governos europeus, e ao governo Americano.

Em 1988, o MPLA continuava a rejeitar negociações directas, privilegiando as ofensivas militares que se tornavam acontecimentos anuais.


Pelas proporções que o conflito foi ganhando, devido ao cada vez maior envolvimento internacional no teatro das operações, os Estados Unidos tornaram-se no epícentro da Diplomacia da UNITA.


Assim, em Washington, a actividade da UNITA passou a visar a mobilização do Congresso e da sociedade civil com dois objectivos complementares:

-manter o programa de assistência militar, permitindo a UNITA resistir as constantes ofensivas militares, que Fidel Castro classificou mais tarde como “Absurdas”,


-influenciar a politica do executivo Americano no sentido de coordenar com seus parceiros europeus e africanos a concretização da retirada de todas as tropas estrangeiras de Angola.


-promover o diálogo interno e instituir um sistema politico multipartidário.


21. A ascensão de Gorbachev à Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética e à presidência da então União Soviética e a promoção da “perestroika” enfraqueceram os argumentos de Luanda e potenciaram o engajamento América/União Soviética na procura de uma solução para o conflito interno Angolano.


No dia 13 de Marco de 1989, a UNITA emitiu outra proposta de paz, que incluía a cessação das acções ofensivas e o início do diálogo. Esta proposta passou a ser objecto de promoção na África, Europa e América e foi entregue a uma delegação do MPLA durante a reunião tripartida de Havana, em de Marco do mesmo ano.


Luanda rejeitou, mais uma vez, a proposta porém, começava a sentir a pressão dos parceiros Africanos e de governos ocidentais. Assim, decidiu dar alguns passos tímidos, autorizando o falecido velho Mendes de Carvalho a encontrar-se com representantes da UNITA para auscultação, (Tito Chingunji e Alicerces Mango) enquanto no plano diplomático, fazia fuga em frente selecionando cuidadosamente líderes Africanos com os quais poderia promover um processo de paz cujos contornos podia controlar.


No dia 8 de Abril de 1989 José Eduardo dos Santos reuniu com Omar Bongo, Sassou Nguesso, em Brazaville e no dia 16 de Maio reuniu em Luanda, oito chefes de Estado, que emitiram um plano de paz que se resumia na amnistia, integração dos membros da UNITA e um exílio dourado para o Dr. Savimbi. Este comboio do MPLA foi andando com a mediação de Mobutu, até que descarrilou, em Gbadolite a 22 de Junho 1989

A carta ao Rei do Marrocos, solicitando apoio para o programa de exílio. Já tinham dez milhões para o efeito.
22. Seguiu-se a ofensiva “Ultimo Assalto”, tão feroz como as outras. A obsessão de destruir a Jamba mantinha-se e tendo em conta que a União Soviética de Gorbachev já não era fonte inesgotável de apoios, Luanda lançou-se com tudo que tinha, em Dezembro de 1989, para quebrar a espinha dorsal da UNITA e forçá-la a aceitar os seus termos da sua paz.


23. Fracassado o “último assalto” no dia 7 de Maio de 1990, Luanda não teve outra saída senão aceitar o início do diálogo. Estava em causa reconhecer que tínhamos e temos todos o mesmo direito de participar em pé de igualdade na vida politica, económica e sociocultural de Angola, nossa Pátria comum.


Porém, impunha-se deslocar a mediação para uma entidade política, ou espaço político, que tivesse familiaridade com a cultura democrática, para escaparmos ao casaco aglutinador e monolítico das soluções africanas até então ensaiadas. A nossa história e a nossa dimensão, exigiam a alteração de paradigmas políticos tradicionais e redutores.


Assim, o falecido Jeremias Chitunda e Ernesto Mulato viajaram para Washington nesta altura para pôr em causa a capacidade de mediação de Mobutu. Tínhamos ganho com a sua mediação a consagração do princípio de uma solução negociada. Porém, era irrealista esperar dele a promoção de uma solução democrática, prática que inviabilizava no seu próprio país. Na procura de alternativas, Portugal afigurava-se mais confortável.


24. Seguiu-se uma concertação Americano/Soviética que facilitou a transferência do processo para Lisboa e, no dia 24 de Abril de 1990, teve lugar o primeiro encontro exploratório em Évora, sob a mediação de Durão Barroso. Representaram o governo Pitra Neto e o Gen. Cirilo de Sá Ita e a UNITA o falecido camarada Adolosi Mango e Lukamba Gato.


Nesse encontro, Luanda insistia na manutenção da “ordem jurídica vigente”, propondo apenas mudanças cosméticas do sistema político. A UNITA insistia num acordo assente no principio do mutipartidarismo. Esta diferença fundamental impediu o avanço desse primeiro passo que apenas durou dois dias num ambiente bastante tenso e de profundas desconfianças.


25. Em Setembro de 1990, o Dr. Savimb visitou de novo Washington para reiterar a aceitação de um acordo assente no multipartidarismo. Tiradas as dúvidas, Washington prometeu trabalhar com Moscovo sobre o assunto.
No dia 1 de Dezembro o Departamento de Estado enviou um convite ao Dr. Savimbi para se deslocar de novo a Washington, no dia 9 de Dezembro. Chegou também nesta altura a Washington, o falecido Vandunem Loy. Baker e Shevardnadze estavam reunidos em Houston.


No dia 13 de Dezembro, teve lugar no Departamento de Estado, uma reunião pentapartida (US, URSS, Portugal, MPLA e UNITA). Lopo do Nascimento dirigiu a delegação do MPLA e Jeremias Chitunda a delegação da UNITA. As partes discutiram e assinaram um documento intitulado, “Conceitos para Resolver questões Pendentes entre o Governo da República Popular de Angola e a UNITA”. Na essência, este documento incluia:

a) o reconhecimento da UNITA como organização politica com direitos;
b) o compromisso do MPLA com o pluralismo;
c) aceitação da realização de eleições;
d) observação internacional do cessar fogo;
e) formação de um exército nacional em pé de igualdade.


26. Dai em diante, as negociações obedeceram estes parâmetros e assim se consagraram os objectivos da luta da UNITA nas páginas do Acordo de Bicesse, em Maio de 1991.


27. 1992-Paradoxalmente, e a política é exactamente isso, saber identificar a cada momento, o nosso interesse. A pesar do envolvimento total da América no processo e em apoio a UNITA, o desmoronamento do Império soviético alterou diametralmente a postura dos americanos em Angola, antes das eleições de 1992. Mudaram-se os interesses, mudam-se as amizades.


Na Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM), os americanos começaram por alinhar as suas posições com as do MPLA e URSS. Pouco antes das eleições comunicaram oficialmente o fim do seu apoio à UNITA.


28. Feita a leitura dessa nova conjuntura internacional, e conhecendo bem o modus operandi dos americanos, depois de uma reunião da direcção no Miramar, o Velho decide que naquelas circunstâncias, apenas os europeus, a França, em particular poderia escutar a UNITA. Foi tomada a decisão de enviar para Paris uma delegação com dois objectivos:


a) Explicar as causas da mudança da postura americana e as suas possíveis consequências para o processo de democratização de Angola.


b) preparar as condições para que o Dr. Savimbi fosse recebido ao mais alto nível possível, em París.


A Delegação dirigida por Lukamba Paulo Gato partiu em Janeiro de 1992. Em Março do mesmo ano o Dr. Savimbi era recebido a um nível muito alto em Paris tendo obtido resultados muito concretos, úteis ao processo eleitoral que se seguiu.


29. Devido aos incumprimentos pelo governo, sobretudo das cláusulas respeitantes as questões militares, e posteriormente a fraude eleitoral, o Acordo de Bicesse descarrilou, com as consequências que todos conhecemos. A pesar de tudo isso, ainda foram mantidas iniciativas com vista a salvar o processo, nomeadamente Namibe, Addis Abeba, em 1993, Abidjan e Lusaka, em 1994. Encontro com Nelson Mandela, em 1996 em Nkunu, sua aldeia natal. Múltiplos encontros no Bailundu e Andulu, com delegações do governo que apenas resultaram na proposta de José Eduardo dos Santos de oferecer ao mais velho o lugar de segundo vice-presidente como prova da sua ‘’boa vontade…
’’

Honra e Glória à memória do presidente fundador da UNITA
Que vivam para sempre os ideais do 13 de Março

Muito obrigado pala a vossa atenção

 



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