Luanda - Na semana em que Eugénio Mateus, um antigo jornalista do semanário A Capital, foi levado a tribunal ( e condenado a pena de prisão suspensa de três meses) para responder a uma acção movida pelo chefe do Estado Maior-General das FAA, Pereira Furtado, que o acusa de crime de abuso de imprensa, o director da publicação, Tandala Francisco, foi chamado à DNIC para prestar declarações no âmbito de um processo que a Procuradoria Geral da República intentou contra o jornal.

Tandala Francisco   chamado à DNIC para prestar declarações

Em Abril deste ano, A Capital publicou na sua coluna Tendências duas breves notas em que sugere que o Presidente da República não deve ser dissociado dos actos menos conseguidos do Governo.

Como é frequente

Numa delas, o jornal escreve que ‹‹tem as impressões digitais em tudo o que acontece, pois nada se aprova em Angola, sem que o “mais velho” ponha o seu bedelho, mesmo em assuntos que ultrapassem o seu domínio››. Noutra, diz-se que ‹‹(...) o PR pode falar o que bem lhe recomendar a pura gana, mal acorda, mas não pode tomar a todos como mentecaptos.››

A Procuradoria Geral da República sustenta que em ambos os textos o jornal incorreu nos crimes de abuso de imprensa e atentado à honra devida ao Chefe de Estado. Na acusação, a PGR mostra-se particularmente inconformada com o emprego de expressões como bedelho e inocentezinho, que considera muita ofensivas à honra e dignidade do Chefe de Estado.

Nas declarações que prestou segunda-feira, o director do jornal,Tandala Francisco, negou as acusações.

A provas do ‹‹crime›› (I) JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

- O Presidente da República, é visto, quase sem pre, como o inocente de tudo o que se desenrola no país. Quando as coisas estão a correr mal, aparecem logo os defensores do templo – verdadeiros lambe-botas do inquilino da Cidade Alta – que tratam logo de retirar o «Chefe» de cena. Mas, vendo bem as coisas, o PR não é tão inocente, comoparece ser. Ele tem as impressões digitais em tudo o que acontece, pois nada se aprova em Angola,sem que o «mais velho» ponha o seu bedelho, mesmo em assuntosque ultrapassem o seu do mínio.

Na questão das demolições, por exemplo, as culpas re caem para outras pessoas, quando deveriam também ser imputadas ao PR. Que inocentezinho!…

A provas do ‹‹crime›› (II) JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS pode procurar atirar areia para os angolanos menos esclarecidos,com toda a pompa do seu discurso, mais falacioso, que realista, manifestando preocupação com a questão da ha bitação. Para esses, o PR pode falar o que bem lhe recomendar a pura gana, mal acorda, mas não pode tomara todos como mentecaptos. As promessas que tem feito, vezes sem conta, não passam de meros «show off» de alguém que sabe, de antemão, ser uma verdadeira utopia cumprir com a «aventura» de um milhão de casas até 2012. Em linguagem mais terra-terra, dir-se-ia que tudo não passa de cantiga para boi dormir. Em nem todos os angolanos são bois. Aliás, apenas cai nessa cantiga aqueles que o «idolatram», que, diga-se, não são todos os angolanos. Que«sorte» a nossa! O preto sofre…

 

-- Nota: Consulte --
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Fonte: SA



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