Luanda - “… Ontem como hoje, a delapidação patrimonial é protagonizada por personagens tipo de (delapidador), cuja acção obstrui a implementação da lógica da salvaguarda do património histórico e cultural dos povos e das nações, como são os casos dos homens, destruidores e modernizadores…” In Lacroix.        

Sendo a cidade um estranho produto que reflecte todas as contradições da sociedade, apraz-nos perguntar então porque esta necessidade do planeamento urbano?   


Os objectivos reais do planeamento urbano estão muitas vezes digamos que ocultos, para lá dum discurso urbanístico conciliador e integrador, em que as exigências divergentes e mesmo até contraditórias que nos parecem, aparentemente concordantes e sobretudo ” harmonizantes” no espaço (“ zoning”) e no tempo (escalonamento da execução), a verdade é que os planos são à expressão de conflitos de poder entre classes e grupos sociais dominantes, de antagonismos existentes no interior destas categorias, pelo que acreditamos que o planeamento urbanístico, deverá ser favorecido pela criação de equipamentos colectivos a cargo dos serviços públicos.

      

Tem sido praxe entre nós, na avaliação duma determinada zona, em que é solicitada à análise do espaço para o seu reordenamento, pensarem somente na função residencial, sempre na esteira das chamadas “ cidades dormitórios” passando por vezes muito ao lado dos nossos visionários, que acabam por esquecer que existem regras imprescindíveis que devem ser seguidas e obedecidas, sempre na base da harmonia estética, na criação das zonas de conforto e na identificação pessoal do espaço por parte de quem por lá reside e avalia a zona.      

As encomendas dos planos de urbanização, impõem determinadas regras, que dizem que toda solicitação de encomenda para os equipamentos sociais e urbanos, deverão ter em atenção um conjunto de normas que em nosso entendimento constituem à ossatura “sustentácular” de uma encomenda bem sucedida, a nível dos equipamentos sociais e urbanos, devem incorporar, à definição dos objectivos que se prossegue com determinada encomenda, por exemplo as áreas destinadas à habitação, deverá englobar o respectivo modelo ou tipo de habitação que o cliente pretende, e aqui entenda-se a expressão cliente que tanto pode ser uma pessoa colectiva ou particular.


Áreas para o comercio, contrariamente o que tem sido norma pelo menos na fertilidade imaginaria dos nossos génios, aquando da idealização de determinados projectos de urbanização, por exemplo os mesmos têm estado advogar que à urbanização passa só e apenas pelos arruamentos e a edificação de casas seguindo um determinado padrão harmónico, tendo em consideração a função meramente habitacional, transformando bastas vezes essas frentes, em autenticas vilas dormitórias. Quando em nosso magro entendimento, deve-se ter sempre em atenção seu destinatário, pelo que deve-se procurar em nosso entender, fazer por criar zonas de conforto para os utentes dos equipamentos, zonas de lazer e recriação, áreas para o ensino e desporto, de resto são equipamentos fundamentais para formatação, integração moral e social da pessoa humana, onde se aglutinaria as áreas de residência para estudantes, áreas para apoio colectivo e, estamos a pensar nas forças da ordem publica, nos bombeiros, serviços de apoio social de resto já ouvimos o comandante Inocêncio de Brito, reclamar destas carências, ao nível das forças da ordem publica, mas que acabam por ser extensivas, a grande parte dos serviços sociais básicos em, muitas dessas novas frentes de urbanização em Luanda 


Quais devem ser então as imposições que os clientes devem defender ao solicitar um determinado serviço desta envergadura?

O cliente devera impor as áreas de máxima ocupação do solo, até porque o espaço deve ser delimitado com base nas normas da gestão territorial., devera haver de forma bem especifica as áreas máximas de impermeabilização, devera igualmente estar estipulada as áreas mínimas para os espaços verdes que deverão ser sem duvidas os pulmões das cidades. 

  - No que ao levantamento diz respeito deve-se em atenção os seguintes aspectos:


Tendo em atenção a topografia das regiões, deve-se fazer o levantamento topográfico do local fazendo a respectiva elaboração do cadastro, a confirmação dos registos e fronteiras, fazer a confirmação dos registos e fronteiras, marcações nos respectivos terrenos e as confrontações altimétrica e malhas associadas, declives e exposição das encostas.

- No capítulo, da hidrologia temos que ter em atenção as seguintes áreas:


. A planta de uso do solo, as zonas verdes existentes (os imóveis existentes e os a manter) o numero de fogos / numero de pessoas.


. A demolir (o numero de fogos e o numero de pessoas)    


. Zona de protecção (funcionamento e ambientais)  


De realçar, que não se deve descurar do fornecimento de todas as informações complementares desde aspectos ligados a nossa idiossincrasia, até o fornecimento completo de toda legislação complementar, e duma forma holística deve-se fornecer todas as informações possíveis e imaginarias, para se evitar os chamados “ erros de paralaxe” na idealização e projecção das encomendas solicitas.         


“…O planeamento urbano só poderá ser entendido como acção colectiva, quando a classe popular for capaz de defender activamente os seus interesses e lutar pela participação nas decisões e no controlo da gestão do espaço, porque a influência dos movimentos sociais urbanos sobre o planeamento urbano poderá desempenhar assim num papel importante, transformador a nível local num verdadeiro centro de poder. Estamos de facto muito longe daqueles políticos e urbanistas de serviço, que opinam e advogam à transformação do sistema económico induzido pela formação da cidade…”


Cláudio Ramos Fortuna

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Urbanista   
Fonte: Club-k.net