Joanesburgo - A segunda feira  do dia 19 Maio não era a mesma que as outras em Joanesburgo. As ruas adjacentes a “Market Street” estavam vazias. Lojas fechadas e ausência dos comerciantes asiáticos que têm negócios espalhados por essas avenidas. Era visível pequenos grupos de sul africanos concentrados em conversas.

Fonte: Club-k.net

ImageNuma  parede branca  há uma improvisada publicidade e escrito a verde, o nome de capitais de alguns paises africanos como  “Lagos, Kinshasa, Ponta Negra, Luanda”.  Ao lado há um portão  trancado ao público. Quem pela primeira vez passa por lá apercebe-se que esta diante de uma agencia  de estrangeiros especialidazada em envio de mercadorias para o exterior da África do Sul. Em frente, a este local um imigrante foi queimado vivo. A policia não foi a tempo de socorre-lo porque acabara por  perder a vida a porta do Hospital, no passado Domingo em que a cidade registou incidentes de ataques de xenofobia cujo  numero de prezas já estavam contabilizadas em 12 vitimas.


Na manha daquele “dia santo” o Jovem de nome Tarro saia da igreja metodista de Joanesburgo. Ele não sabia o que se estava a passar. Foi interceptado por um grupo de populares. Pediram lhe para dizer numa das línguas locais a palavra “cotovelo”. Ele não sabia e foi espancado. Feriram lhe a testa. A pressa  de agredir era tanta que  nem sequer deram conta que Tarro não era imigrante. Não respondeu  porque era mudo.

 No fim da “comission street” há  um enorme centro comercial de nome “Oriental Plaza” cujos vendedores são na sua maioria mulçumanos de origem indiana. É o único estabelecimento de imigrantes que na segunda feira, esteve aberto ao publico. As pessoas mostravam-se seguras. O local é todo vedado e há guardas armados a protegerem todas entradas que da ao recinto. O shopping não é invadido por duas razões. Primeiro:  Os responsáveis do centro investiram fortemente na segurança  que desencoraja os marginais. Segundo: Os Sul africanos acreditam muito na tradição e respeitam cegamente o poder das orações dos mulçumanos. Nos dias normais o “Oriental Plaza” fecha as 16horas. Mas neste primeiro dia da semana, os trabalhadores recolheram mais cedo. Por volta das 12 horas muitos comerciantes estavam a fechar as suas lojas. Uma medida de prevenção, supomos.

As 14 horas algumas ruas apresentavam-se serenas.  Qualquer grupo de homens concentrado é suspeita. ninguém quer passar ao lado. algumas lojas abertas. As  fechadas  demonstram ser propriedade de algum imigrante. Uma loja de comestíveis de origem portuguesa, nos lados do restaurante Vasco da Gama foi saqueada na noite passada. Os escombros são visíveis. Algumas Lojas de Chineses também não foram poupadas.  Alguns carros da policia rondam as ruas. Mais a frente nos lados, do Consulado de Angola há um outro centro comercial, o “Oriental Bruma”. Quem lá for a primeira vez da conta que a tradução para o Chinês do letreiro,  denuncia que o mesmo pertence a comunidade asiática. Logo na entrada, de um dos portões, depara-se  com um papel branco escrito “Closed” ( encerrado).  O homem armado que é o guarda reitera o dizer fazendo um sinal com as mãos.

Nessas redondezas há também uma pousada de portugueses. Os hospedes angolanos que chegaram para motivo de saúde estão alheios ao assunto. Os donos da casa preferem não informa-los do que se esta a passar nas ruas de Joanesburgo. Provavelmente para não criar pânico entre os doentes.

A cidade silenciou-se  fruto da violência que se arrastou dos bairros como Alexandra, contra os imigrantes a quem os Sul africanos acham-nos culpados por estarem a tomar os seus empregos. As estatísticas indicam que o desemprego  atingiu 40% da população negra na África do sul. Os sul africanos são descritos, no local de trabalho, como trabalhadores que falam muito. Os empregadores vêem que empregar um estrangeiro é  mais rentável. Para alem de serem maus pagos, os imigrantes nunca reivindicam e aceitam toda imposição. Entretanto os nativos  encaram isso como uma usurpação por parte dos imigrantes a quem se vingaram nas ultimas semanas. 

Entre  terça  e quarta feira os dias foram diferentes. Os comerciantes regressaram aos seus postos de empreendimento. Vários Chineses são vistos andar pela rua. O ANC postou cartazes pelas paredes apelando a tolerância e a não agressão aos estrangeiros. O Presidente Thabo Mbeki criou uma comissão para apurar o que esta por detrás desses ataques. Mbeki disse ao seus compatriotas que “os cidadão de outros paises africanos são humanos como nos e devem ser tratados com respeito e dignidade”. As igrejas, a Winie Mandela e toda sociedade juntaram-se para condenar esses ataques que inspirou grupo de outras áreas. O líder do  ANC Jacob Zuma condenou os ataques advertindo que “Nos não podemos permitir que a África do Sul seja famosa pela xenofobia. Não podemos ser um pais xenofobico”.

Um dado interessante é que o que os  sul africanos fazem aos seus vizinhos de Moçambique e Zimbábue nunca fariam aos nigerianos que são fortemente unidos e dispostos a morrer no acto de vingança.

Expansão dos ataques

ImageNo bairro Soweto, a policia prendeu quatro pessoas que assaltaram vendedores moçambicanos. Na província do Kwazulu Natal os populares pegaram em pedras e paus para atentar contra os imigrantes. Bheki Cele um dirigente local do ANC que nas estruturas provincial responde pela segurança denunciou que as investidas estavam a vir de áreas cuja simpatia vai para o IFP (Inkata Freedom Party) partido a quem ele acusa de estar por detrás dos acontecimentos na região. Cerca de  100 pessoas ficaram dispersas. Cele fala da ocorrência de uma reunião entre membros do IFP que teriam orientado a população a actuar desta forma.

Na cidade do Cabo  alguns membros da comunidade Somali proprietários de lojas queixaram ter recebido cartas de ameaças . Os residentes e representantes das comunidades juntaram se para tomar medida de prevenção contra eventual violência. Dada a expansão  dos ataques, uma força da oposição política “Aliança Democrática” apelou a policia a intervir com maior reforço. Em resposta o Presidente Mbeki autorizou os militares a tomarem conta da situação. Desde o fim do Apartheid esta é a primeira vez que os militares saem a rua.

Ate Quarta feira os dados apresentados pela  policia informavam que  42 estrangeiros tinha sido mortos  enquanto que 16000 foram desalojados. Prenderam 400 pessoas na seqüência da violência. Uma  pesquisa indica que pelo menos 20 % dos imigrantes  pensa abandonar a África do sul.

Os episódios foram manchetes em quase todo mundo. As organizações dos direitos humanos tem reagido cada uma da sua forma. A Fifa escreveu  alertando as autoridades Sul africanas sobre os problemas que teriam face ao Mundial de 2010 que se aproxima.

Xenofobia e a comunidade angolana

ImageOs angolanos ao contrario das outras comunidade trazem dinheiro para África do Sul e não são vistos como elementos que querem tirar empregos de ninguém. Vivem em áreas distantes dos musseques. No inicio da década presente chegaram a ser apontados como presumíveis  responsáveis  pela inflação que  a moeda sul africana enfrentava. Os angolanos  são vistos como imigrantes disciplinados. convivem melhor  com cidadãos brancos que sul africanos de raça negras a quem viam como africanos diferentes que não nutriam simpatia alguma por negros iguais  que não fossem da sua terra. 


Preço de Angola , Moçambique e Zimbábue na democratização da África do Sul

Os ataques aos estrangeiros sobretudo aos Zimbabuenos e Moçambicano é também visto como ingratidão ao apoio prestado por esses paises  na luta do ANC que hoje dignifica os negros sul africanos. Vejamos. O Ministro da presidência, do Interior, da Saúde, da Segurança,  são elementos que estiveram em Angola tendo beneficiado de apoio das autoridades. Muitos quadros da África do Sul foram ajudados com documentos angolanos para procederem viagens e estudaram a custa de bolsas de estudos concebidas a luz da  então política do MPLA em estar solidária com os povos oprimidos. Numa conferencia do ANC no inicio de 84 em Luanda, o então líder deste movimento Oliver Tambo reconhecia que Angola estava pagar um preço caro pelo apoio ao seu povo. Tambo morreu com o desejo de que com o seu partido no poder a prioridade para política externa seria Angola. Jacob Zuma o actual líder manifestou desejo em honra-lo materializando este desiderato.

 Angola e Moçambique também abriram portas ao ANC para base militares tendo ambos paises sido vitima das hostilidades do regime do apartheid. Na zona moçambicana da Matola,  alguns populares foram vitima de um raid do regime do apartheid em retaliação ao apoio que Samora Machel prestava ao ANC mesmo depois dos acordos de Inkomaze. O Zimbábue é visto como um dos paises da região que mais apoio deu ao ANC.


Fonte: www.Jornalangolense.com



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