Luanda - Esclarecimento do activista Luiz Araújo,  Coordenador da Direcção SOS Habitat, a cerca do recente debate na  Eclesia com o Vice Governador de Luanda, Bento Soito.

"A contrário de como qualificou a peça publicada pelo Club, considero que não enxovalhei ninguém, no ultimo Debate Eclésia em que participou o Vice Governador Bento Soito. Nem era esse o meu propósito. Apenas, com o adjectivo próprio, reagi a uma afirmação que, reafirmo, não corresponde à verdade dos factos, feita pelo Vice Governador de Luanda quando, inicialmente, alegou que o que foi demolido eram Cubatas de Chapa. Hora isso não é verdade e por isso fui obrigado a dizer-lhe que estava a mentir e que, inclusive o poderei provar mesmo em fórum judicial.
 
Reagi com indignação, sem qualquer inibição, convocado por essa grosseira falta à verdade pois pude verificar directamente no terreno e em fotos das casas demolidas, feitas pelos seus proprietários antes das demolições , que essas casas não eram de chapa mas (com o devido respeito pela nossa cultura)  Cubatas de Blocos de Cimento. Reagi também contra o uso em moldes pejorativos do termo bantu Cubata para desqualificar as casas que o GPL demoliu.
 
Passado esse momento o debate decorreu em ambiente marcado por uma intervenção feita com frontalidade e propriedade mas serena. Tão serena que, (revelo aqui) até deu para adormecer um pouco enquanto esperava a minha vez para falar.
 
Não deixando de corrigir sempre que necessário aspectos de interpretação da lei como no caso do Artigo 12, nº4 da lei Constitucional mal citado pelo jurista do GPL, optei por, ao mesmo tempo, ter um desempenho até de procura de compromissos para uma parceria com base no respeito pelos direitos humanos por aqueles que fazem a gestão urbana da nossa cidade. Procura essa que até teve uma resposta positiva do Vice Governador e a que, em breve, daremos continuidade com a apresentação de propostas de trabalho orientadas para o apoio a programas de desenvolvimento de comunidades suburbanas.
 
Continuo a defender que o que aconteceu às comunidades do Iraque e Bagdá, em minha opinião, foi mais do que a incidência dum erro de governação "legalista por excesso". Brevemente, em lugar próprio para esse fim, apresentaremos o resultado da dissecação detalhada desse caso de desalojamento forçado realizado sem que o Governo tivesse acautelado a garantia pelo respeito dos direitos das pessoas, assim, vitimadas. O GPL tem obrigações a cumprir decorrentes da legislação angolana e de pactos internacionais ratificados por Angola.
 
Estamos obrigados a uma existência que, como todos já pudemos constatar, não é feita da partilha de conceitos nem de solidariedade com as práticas governamentais. No entanto, reafirmo, ainda que com cada parte continuando a manter e defender as suas posições, considero que é possível o entendimento suficiente para um mínimo de acção conjunta em prol dos habitantes da nossa cidade e isso, para nós, é o mais importante. Esperamos que para o GPL também o seja. Mesmo sendo contestatórios das práticas de governação que nos vêm sendo impostas seremos capazes de interagir com o GPL desde que não nos seja imposta nenhuma cumplicidade, nem por omissão,  com práticas que desrespeitem os direitos humanos.
 
 
Luiz Araújo
Coordenador da Direcção
SOS Habitat
Fonte: Club-k.net