Luanda - "Eu Arlete Ganga, funcionária do BPC - Banco Poupança e Crédito , há doze anos (12) com o número mecanográfico 537098 sem colocação. Venho por intermédio desta, manifestar a minha revolta e indignação desde 2014 que tenho assistido uma sucessão de comportamentos, por parte da Direção do Recursos Humanos, a todos os títulos condenável e desprezível.

Fonte: Facebook

Tendo em consideração os pronunciamentos esgrimidos no seu discurso de tomada de posse, onde evocou que “ninguém é suficientemente rico que não possa ser punido, nem pobre demais que não possa ser protegido” e acrescentando-o ao artigo 52 da Constituição da República de Angola a qual jurou cumprir e fazer cumprir, permita-me, Excelência, revelar-lhe que, desde Novembro de 2013, a vida da minha família não tem sido a mesma devido a barbaridade cometida pela guarda da UGP do presidente cessante José Eduardo Dos Santos, atingindo mortalmente o meu irmão, Hilbert Ganga. Desde aquele momento decidi me empenhar activamente no exercício da cidadania, participando em protestos, vigílias e outras actividades do mesmo género. Porém, em clara intromissão da empresa na minha vida privada, comecei a sofrer represálias no seio da Instituição onde trabalho há doze anos (12).

 

Em 2014 a minha mãe precisava de fazer uma cirurgia e precisava de ser acompanhada por um psiquiatra num país com mais recursos. Acompanhei então a minha mãe à Portugal e começámos a fazer as consultas na clínica dos SAMS com a qual o BPC tinha um convénio. Neste período, fiz uma campanha com a minha mãe para exigir justiça pelo assassinato do meu irmão, pois sou de opinião que a IMPUNIDADE ENCORAJA NOVOS CRIMES, Apesar de me ter legalmente ausentado da empresa, com o parecer da Direcção do Recursos Humanos e do meu ex-director da área onde estava colocada a Direcção de Operações Gerais, tão logo a campanha que fiz com a minha mãe foi publicada pelo Maka Angola, a Direção do Recursos Humanos meteu o meu nome no Jornal de Angola, para eu comparecer dentro de dois (2) dias na Direcção do Recursos Humanos, interrompendo o meu tratamento e o da minha mãe que estava com uma ferida de uma semana da cirurgia (1).

 

De regresso a Angola, fui à Direcção dos Recursos Humanos como exigido em edital do jornal, tendo sido recebida pelo ex. director Mariano Lucas, que me tranquilizou, dizendo-me que, apesar de me terem obrigado a interromper um tratamento de saúde com uma chamada vexatória, não havia problema nenhum tendo em conta que a minha ausência não foi sem anuência dos meus superiores. Entreguei os relatórios médicos, as cópias das receitas e comecei a trabalhar. Na semana seguinte, a chefe de Departamento da área administrativa da DRH, acabada de regressar de férias, ligou-me, solicitando que comparecesse na área administrativa. Posta lá, sujeitou-me a tortura psicológica, dizendo que o meu ex. director Paulo Admy Caquele, ligou para o recursos humanos alegando que não sabia nada sobre mime fez-me ameaças. Na semana seguinte, vendo que também o meu pai estava a ficar doente, redigi uma carta solicitando uma dispensa de 3 anos sem salário para poder tirar a minha família de Angola, porque todos nós precisávamos de um acompanhamento psicológico e porque pretendia fazer uma licenciatura de gestão bancária em Lisboa. A dona Manuela, sendo a chefe de departamento em 2014 disse-me que não seria possível eu pedir a licença, que se eu quisesse sair tinha que pedir demissão do banco. Mostrei-lhe na lei geral do trabalho o artigo que me permitia pedir essa licença sem remuneração mas, ainda assim, sem êxito. Na mesma semana fui notificada pela área jurídica do BPC para comparecer na área com 5 testemunhas para ser ouvida, pois também estava a ser acusada de fazer da área um armazém por ter levado candeeiros para mostrar as colegas para vender. Assim fiz, apareci na área jurídica acompanhada do meu advogado, a minha mãe e um familiar. Foi-me instaurado um processo disciplinar, fiquei 1 mês sem salário e sem o meu subsidio de fériase acabei por ficar 1 ano sem sair de férias, pois estava processar todos aqueles acontecimentos.

 

No mesmo ano, a Direcção de Operações Gerais (DOP) trocou a categoria da maior parte dos trabalhadores, promovendo os mais antigos e aqueles que tivessem entre 1 e 3 anos de banco e que fossem técnicos à analistas. Eu fiquei excluída da promoção. Descontente com a situação, escrevi para o antigo Presidente doutor Paixão Júnior a manifestar o meu descontentamento e sensação de estar a ser injustiçada. O doutor Paixão Júnior enviou a carta para o recursos humanos para darem o seu devido tratamento e que resolvessem a situação. A direcção do recursos humanos chamou-me e disse-me que tinha que esperar e ter mas paciência. Não satisfeita com a resposta pois, para mim era nítido que estava a ser alvo de perseguição, voltei a escrever para o doutor Paixão Júnior, a direcção dos recursos humanos voltou a chamar-me, dessa vez para me comunicarem que iriam trocar-me de área. Insisti que a minha petição se destinava a pedir tratamento igual ao que tinha sido dado aos outros. A sub-directora, na altura a Srª Hendrika Kiala Monteiro e o chefe de departamento, num tom severo, informaram-me que não estavam a endereçar um pedido, mas sim a emitir uma ordem que eu teria de acatar. Fui então colocada por quase um ano e seis meses numa área disfuncional (Banca de Investimento) que, efectivamente, não tardou a ser extinta. De lá para cá tenho sido vítima de humilhação institucional. Tendo em conta o tempo de trabalho, o empenho que tive ao longo dos 12 anos, achei indigno o facto da direcção do recursos humanos depois de estar em casa a 1 sem colocação ligar-me para uma entrevista para uma área nova, sendo que a única vaga disponível era para o previsível posto de secretária, depois iria para uma outra área onde estaria na área administrativa, consistindo o meu trabalho em controlar os carros dos balcões. Depois de 7 reuniões com os 4 directores do recursos humanos, ficou visível que existe uma tentativa de me desmotivar e cansar-me psicologicamente para que eu peça demissão do BPC, já que não encontram razões para despedir-me por justa causa. Estando ainda na banca de investimento, onde fico das 7h00 às 17h00 sem fazer nada, resolvi ir me capacitar mais fazendo um curso de inglês por conta própria. Fiz a transferência para a escola da África do Sul para um curso de 5 meses. Escrevi para o antigo presidente do banco, Doutor Ricardo Viegas de Abreu e me foi negado o meu pedido alegando que o banco estava em reestruturação.Não fui. Entretanto, a direcção de tesouraria e mercado fez um recrutamento interno, eu concorri, fui seleccionada para a entrevista com o director Harley e a directora Cláudia, responsáveis pela área. Fiz a entrevista, que segundo o diretor Harley correu bem, dizendo-me que me enquadrava perfeitamente na área que trabalha com os balcões, tendo em conta que já tinha trabalhado na área comercial, na direcção de operações gerais onde passei pelos quatros (4) departamentos, mas acabei por não ser admitida numa impressionante inversão de discurso: afinal não tinha o perfil que eles procuravam.

 

Já não é segredo nenhum que a subdiretora Manuela e diretora Hendrika estão a perseguir-me e, numa reunião que tenho gravada no telemóvel, admitem que há gente que me quer ver pelas costas e que só concordaram em não fazê-lo porque tendo sido o meu irmão assassinado num caso mediático e tendo eu assumido uma postura pública visível, o melhor seria não o fazerem.

 

Em 12 anos de trabalho e inúmeras avaliações de desempenho, que critérios serão esses que eu não consigo cumprir para não ascender a mais do que uma mera secretária?

 

Tendo esgotado a busca de soluções, resolvi escrever à Sua Excelência, objectivando uma solução baseada na justiça dos desprotegidos, tal como enfatizou no discurso da esperança de que o amanhã será um dia melhor. Sem mais a aflorar, queira receber as minhas saudações".



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