Luanda - António Urbano de Castro, também conhecido por Urbano de Castro, Urbanito, Preta Fula ou então Kota Dikuba, nasceu em Luanda em 21 de Agosto do ano de 1939, filho de Manuel Urbano de Castro e de Domingas Joaquim, tendo concluído os estudos primários na escola São Domingos. Foi serralheiro de profissão, trabalhou como operário na empresa União, fez parte do grupo coral da Igreja Tocoísta, em 1965, experiência que teve um papel importante na afirmação do mundo artístico, mas quando, em 1969, Urbano de Castro pisa o palco do Ngola Cine, pela primeira vez, aparece não como cantor mas demonstrando técnicas de acrobatismo, habilidade, e equilibrismo e tendo sido descoberto pelo empresário Luís Montês que o catapultou para o mundo da música.

Fonte: Radio MFM/Programa Kambas

A sua música ficou marcada pelas influências dos géneros dançantes da América Latina, Congo Democrático e pelo cancioneiro luandense, com os quais teve um contacto muito próximo, perceptíveis pela análise do conjunto da sua obra musical. Urbano de Castro cantava em kimbundu e em português, dominava os estilos Semba, Rumba, Merengue, Samba, Boleros e Lamentos. O seu sítio preferido para actuação era o Centro Recreativo Matopá no famoso Congo Pequeno (Cazenga).

 

Juntamente com Artur Nunes e David Zé, Urbano de Castro deixou um espólio musical que ajuda a compreender as conflitualidades sociais da sua época, as aspirações reais dos jovens angolanos, em situação de dominação colonial, o amor e o encanto da mulher: Chora/ chora, chora/ até meio-dia/ procurando a Rosa Maria/ que desapareceu/ eu andei/ noite e dia/ procurando/ a mulher que eu mais amei/ Rosa Maria/ eu andei/ noite e dia/ procurando/ a mulher que eu mais amei/ Rosa Maria…“Rosa Maria” é uma das canções mais conhecidas de Urbano de Castro, e a mais preferida pela nova geração de intérpretes. Na gravação original de “Rosa Maria”, Urbano de Castro foi acompanhado pelo conjunto Águias-reais, com Manuelito (viola baixo), Gino (guitarra ritmo), Gregório Mulato (percussão), Julinho, (tumbas), e Zeca Jacó (dikanza).
As canções

Urbano de Castro foi um compositor que transformava em canção, as mais singelas ocorrências do quotidiano, de forma inusitada e ocasional. Muitas da suas composições surgiram em encontros de amigos, e ficaram na história as tertúlias realizadas nas “casas gémeas”, no bairro Rangel, zona do México, propriedade do cantor e compositor, Óscar Neves.


Urbano de Castro gravou com os Kiezos, Jovens do Prenda, África Ritmos, África Show, e Águias-reais, tendo deixado em singles as canções: “Assim vai a moda”, “Carnaval chegou”, “Comboio”, “Dilangue”, “Fatimita”, “Ginginda”, “Hima”, “Kialumingo”, “Lamento de filho”, “Margarida”, “Maria da horta”, “Merengue Joaquina”, “Nvula”, “Deus perdoa”, “Rosa Maria”, “Se uala ni ginginda”, “Semba avó”, “Semba careca”, “Semba lekalo”, “Lamento de Visconde”, “Semba Maria”, “Mona”, “Rumba negra”, “Rumba soba”, “Arranjar marido, “Nzambi iami ngui loloké”, “Mamã está chateada”, “Muxima uolo mbanza”, “Mulata, “Merengue Urbanito”, “Adeus perdoa”, “Luanda capital”, “Rumba muxima”, “Ginginda”, “Malta da rebita”, “Merengue Joaquina” e “Mukongo”, canção em homenagem ao seu avô, um caçador muito conhecido.

Em 1970, foi preso pela PIDE, onde esteve recluso durante três anos, na sequência de uma tentativa de fuga para Cabinda, com o fito de se juntar aos guerrilheiros do MPLA . A segunda tentativa, com êxito, ocorre em 1973, tendo-se juntado, posteriormente, ao “Esquadrão Maiombe” com Sabata, Kiamuchi, David Zé, Francisco Vasco Vigário e Passarão, guerrilheiros do famoso esquadrão Mayombe. A canção “Angola liberté”, editada em single, é desta época, e teve um enorme efeito mobilizador nas bases das FAPLA, acompanhada pelo conjunto “Merengues”. Amigo do cantor e instrumentista Dikembé, Urbano de Castro integrou, como um dos principais vocalistas, o célebre conjunto musical FAPLA-POVO.

Morreu na saga dos triste acontecimentos do pós 27 de Maio de 1977

A memória e o conjunto da obra de Urbano de Castro, foi recordada no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Agosto de 2004, ocasião em que os herdeiros dos cantores receberam, a título póstumo, um diploma de mérito. Os cantores: Urbanito Filho, Paulino Pinheiro, Pakito, Santos Júnior, Dom Caetano e Legalize, interpretaram “Luanda capital”, “Rosa Maria”, e “Maria da Horta”.


Um outro gesto de reconhecimento aconteceu no programa “Muzongué da Tradição”, do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, que recordou o conjunto da obra de David Zé e Urbano de Castro, na sua edição de Setembro de 2010, no âmbito do projecto de preservação, valorização e divulgação dos cantores e compositores representativos da história da Música Popular Angolana. Nesta homenagem, a segunda depois da morte de Urbano de Castro, os cantores Legalize, Gaby Moy e Calabeto interpretaram os principais sucessos da carreira de Urbano de Castro, acompanhados pela Banda Movimento, da Rádio Nacional de Angola.

 

 



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