Luanda - Quatro estudantes angolanos, do 3.º ano do curso de Sistema de Informação de Saúde, da Faculdade Técnica de Ciências de Saúde, da Universidade de Ciências Médicas de Havana, na República de Cuba, foram expulsos, no mês passado, da universidade onde estudavam, por ordem da Embaixada de Angola em Cuba, por alegadamente terem reprovados numa disciplina nuclear do curso. Embaixada desmente-os, acusando-os de irresponsabilidade e falta de empenho.

Fonte: NJ

"Somos estudantes angolanos residentes há três anos em Cuba, e fomos injustiçados pela Embaixada de Angola, que nos expulsou daquele País porque reprovámos numa cadeira anual, em Julho último, e essa disciplina não permite repetência, mesmo tendo a universidade feito um pedido formal à Embaixada angolana para fazermos o recurso. Infelizmente, a nossa Embaixada disse que não, explicam. E nos expulsou", contaram sob anonimato ao NJOnline os estudantes.


Os visados fundamentam que a faculdade informou a Embaixada sobre a situação, avisando que podia dar oportunidade de recurso aos estudantes, coisa que, segundo os mesmos, não aconteceu por parte da Embaixada angolana.


"A universidade pediu-nos para aguardarmos até que da Embaixada chegasse uma resposta. Esperámos quase dois meses por uma solução do nosso caso, e a Embaixada respondeu dizendo que não, alegando que a universidade é que estava expulsar-nos, porque não estavam a aceitar que repetíssemos a disciplina, mas, por sua vez, a universidade alegou que a Embaixada é que estava a expulsar-nos e que a situação em nada tinha a ver com a universidade", explicaram.


Os ex-bolseiros contam que os seus encarregados, em Angola, ainda entraram em contacto com o INAGBE, que os informou que nada tem a ver com o assunto. "A faculdade, como recebeu a resposta de que não iriamos repetir o projecto, emitiu um documento que só certifica que fomos injustiçados, porque no documente está espelhado que o nosso 3.ª ano termina com o trabalho e que quem reprovasse nesse trabalho tinha o direito de repetir", declaram. E acrescentam: "Esse documento refere que essa petição foi feita, mas a nossa Embaixada não permitiu que fizéssemos o tal recurso".


Os jovens dizem-se incrédulos com a situação e não percebem a atitude da Embaixada angolana.

"Ficámos sem perceber porque é que nos fizeram isto, pois não éramos maus estudantes. É a primeira vez que reprovamos numa disciplina nestes três anos", esclareceram. Os quatros estudantes contaram ao NJOnline que foram várias vezes à Embaixada e que, sempre que lá se deslocaram, receberam um "não".


No dia 21 de Agosto, contam os ex- estudantes do 3.º ano do curso de Sistema de Informação de Saúde, da Faculdade Técnica de Ciências de Saúde de Havana, a Embaixada tentou fazê-los regressar para Angola à força. "Fomos à Embaixada para resolver o nosso problema e lá informaram-nos que voltaríamos para Angola no dia seguinte. Como não estávamos preparados, não comparecemos".


Os quatros bolseiros contaram que a situação se repetiu no mês passado, antes de serem recambiados de regresso ao País. "No mês passado, aconteceu-nos a mesmíssima coisa e voltámos a não comparecer, desta vez com o apoio da pessoal da universidade que estava do nosso lado. Até que a Embaixada decidiu expulsar os estudantes de Cuba no dia 26 de Setembro".

"Não era uma situação difícil para os nossos responsáveis em Cuba, era um problema de apenas um sim! E não um não! Porque nós tivemos notas excelentes desde o 1.ª ano até ao segundo trimestre do 3.ªano. E achamos que houve má-fé da do pessoal da Embaixada angolana", salientaram.


Os visados acrescentam que a faculdade apenas reprovou o projecto do grupo por não ter atingido os pontos necessários para ser apurado numa defesa. Nós nem se quer chegámos a defender o trabalho e a faculdade deu somente a conhecer à Embaixada, como de costume. E da nossa Embaixada não veio nenhuma resposta favorável, ainda nos expulsaram e anularam as nossas bolsas como se fôssemos criminosos", argumentaram.


Os agora ex-estudantes bolseiros em Cuba contam, pela experiência de quatro anos vividos em Cuba, que esta é a primeira vez que isto acontece na história dos estudantes bolseiros. "Neste momento as nossas vidas estão completamente destruídas, não somente por perdermos a categoria de bolseiros, mas pelo facto de destruírem uma boa conduta curricular com excelentes notas", concluíram.

Chefe do Sector Estudantil da Embaixada de Angola (SAE) em Cuba desmente alunos que acusa de irresponsabilidade e falta de empenho

Em resposta, o chefe do Sector Estudantil da Embaixada de Angola (SAE) em Cuba, António José Mateus, mais conhecido como "Zé Maria Boyoth", que representa o Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), considerou que os quatro ex-estudantes do INAGBE, da Faculdade Técnica de Ciências de Saúde, simplesmente tornaram-se "fantasmas".


"Esses estudantes foram infelizes por não aproveitarem as oportunidades que já lhes foram dadas. Em vez de se prepararem para uma disciplina nuclear anual, foram irresponsáveis e pouco dedicados aos estudos, segundo os documentos justificativos de baixa académica da Universidade de Ciências Médicas de Havana", disse "Zé Maria Boyoth", responsável pelos estudantes angolanos em Cuba.


"No meu gabinete, eles mantiveram mais de cinco encontros comigo, e no sexto encontro, um deles, veio como chefe do grupo, esteve a prestar falsas declarações contra os outros três colegas, mostrando ser um verdadeiro malcriado, pronunciando palavrões, e fazendo-se de inocente".


Segundo "Zé Maria Boyoth" são verdadeiras as declarações que dão conta de que a universidade cubana outorga uma repetição da disciplina. "Porém, à luz do Regulamento das Bolsas externas do INAGBE, no seu Artigo 61º, na sua alínea a), perdem o direito à bolsa de estudo externa os Estudantes bolseiros que apresentem fraco desempenho académico. Como foi o caso deles", explica.


"Zé Maria Boyoth" diz que o sector de apoio estudantil da Embaixada de Angola não interfere no plano curricular das instituições onde se encontram os estudantes angolanos. Mas que, "infelizmente, muitos estudantes formam-se sem o acompanhamento dos seus tutores".


"Esses jovens não foram brilhantes como disseram. Se fossem, não teriam sido reprovados. Lamento e condeno o comportamento deles, mas rogo o perdão de Deus para que eles possam formar-se e compreenderem, um dia, isso que fizeram impiedosamente", terminou.



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