Luanda - A Presidência da República é uma casa cheia de mistérios e curiosidades em qualquer Estado, fruto da sua própria natureza, não fosse a responsável por decisões, boas ou más, pela vida de milhões de pessoas, observando-se, com isso, transformações, por mais simples que sejam, sempre que o seu mítico poder muda de mãos, como vimos acontecer ainda há pouco nos Estados Unidos, na França e, dentro de um mês, vamos assistir no Brasil, só para citar estes exemplos.

Fonte: Club-k.net

Os presidentes norte-americano, Donald Trump, o francês, Emmanuel Macron, conferiram decerto um novo estilo às suas sedes de poder, Casa Branca e Palácio do Eliseu, respectivamente. O recém-eleito presidente brasileiro Jair Bolsonaro também vai dar o seu toque mágico ao Palácio do Itamarati.


Em Angola, com a chegada ao poder do Presidente João Lourenço, também assistimos à tal mudança, com o indescritível toque mágico, que alterou a forma de se fazer política a partir do Palácio Presidencial. Notamos que João Lourenço quer que a sua presidência seja despida de distanciamentos entre o governo e governados, consciente de que os distanciamentos, nesse sentido, apenas prejudicam as relações.


Em circunstâncias devidas, o seu secretário para os assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa, Luís Fernando, decidiu, por opção estratégica, eternizar os actos do Presidente em livro, com o retrato dos bastidores das grandes decisões que orientaram, no seu primeiro ano de mandato, as suas acções e práticas.


Luís Fernando centrou o seu olho clínico, apurado ao longo de anos de experiência em jornalismo, gestão de informação e criação de conteúdos de comunicação, para, mais do que partilhar, levar ao convívio das famílias angolanas os momentos ímpares da vida profissional do Presidente João Lourenço.


“Notícias do Palácio” preenchem assim um vazio há muito reclamado pelos cidadãos, que, em várias ocasiões, pediram uma gestão das coisas de suas vidas mais aberta, mais próxima, e sujeita, também, a sua crítica e opiniões. Por isso, é de esperar que o livro provoque boas reacções naqueles cidadãos que querem acompanhar o poder real de perto e se sintam de forma indirecta incluídos. A partir de agora, para esses cidadãos, o que se produz no Palácio, ou as suas motivações, deixam de ser coisas distantes ou de domínio exclusivo de alguns. Isto acabou. O livro Notícias do Palácio põe fim a isto, pois, torna a Presidência e o Presidente João Lourenço mais próximos, mas também mais humano.


Temos uma boa oportunidade para discutir estratégia de informação, produção de conteúdos de comunicação, dentro de um sistema de domínio complexo, o que exige, para tal, capacidade técnica e conceitual, imaginação e criatividade, enfim, recursos espirituais e materiais. Sendo certo que apenas desta maneira, e não de outra, será possível uma avaliação crítica de “Notícias do Palácio”, sob pena de destoar-se a abordagem e o processo criativo do livro.


E pelo esforço mental a que exige o exercício, poucos estão dispostos ao desafio. E quando assim acontece, sofre o autor, não apenas por ver a sua obra desprezada, maltratada, mas pelos golpes reles e vergonhosos desferidos contra si, com o fim único de o humilhar.


No caso de Luís Fernando, a coisa não se fica somente pelo autor, vai mais longe e atinge contornos políticos, profissionais e literários, pois, ele é só um dos mais brilhantes escribas da nossa praça. Porém, como se não bastasse, Luís Fernando também é o secretário para os Assuntos de Comunicação Institucional e de Imprensa do Presidente João Lourenço, condição que agrava o quadro. Pois bem, o que tem a ver a iniciativa de Luís Fernando com bajulação ou traição ao antigo presidente da República? É difícil aceitar que se cole o livro “Notícias do Palácio” a tudo de mau que ficou dito acima, ou que se transforme o autor num bajulador.


Em primeiro lugar, deve ficar claro para todos nós que o livro “Notícias do Palácio” não é um mero exercício de escrita, atende, o mesmo, à acção pensada e enquadrada no esforço de comunicação para assistir o Presidente da República. Dentro dos vários segmentos de comunicação institucional, encontramos momentos distintos quanto à criação de conteúdos, à sua divulgação, à circulação, e todos estão sujeitos à crítica. Portanto, não existem domínios absolutos, quando se trata de comunicação; existem somente contextos e opções disponíveis e questionáveis.


Em segundo lugar, ainda não vi ninguém ir por esse caminho. Dos poucos “sábios” que li, encontrei apenas nos seus argumentos de razão inveja, ódio e insinuações descabidas. Por exemplo, fazer juízo de uma “obra literária” somente tendo em conta o anúncio do seu surgimento no mercado, é grave e demonstra claramente que quem assim procede pretende unicamente atingir o seu autor, usando como pretexto a crítica técnica e científica. É, pois, com esta motivação que se justificam insinuações segundo as quais o Secretário Luís Fernando está a intrometer-se na vida das empresas públicas de Comunicação Social, uma tremenda falha, a que se sujeita passar quem tem desejos de ocupar o lugar de secretário do Presidente, ignorando, por isso, que no Executivo de João Lourenço existe um ministro da área que atende pelo nome de João Melo, tão astuto, que jamais se permitiria a ser mera figura decorativa. Perguntem, publicamente, ao senhor ministro João Melo, que, de sua verdade, a trate de os desmentir. João Melo tem domínio das empresas públicas de Comunicação Social, assim como da comunicação institucional do Executivo, sendo responsável por conteúdos e acções das actividades de ministros e Ministérios.


Perante a crítica, Luís Fernando, como qualquer autor, pode sim ser questionado, aliás isto é incontestável. Agora, sujar o seu nome ou ridicularizar o seu livro “Notícias do Palácio” com argumentos mesquinhos de gente que prefere o caminho da intriga e da inveja, não se deve aceitar e, mais do que isso, se deve reprovar.


Em nenhum momento, encontramos nas páginas do livro “Notícias do Palácio”, de forma expressa ou implícita, sinais de adoração ou de bajulação ao Presidente da República.


Pelos pronunciamentos públicos de João Lourenço, está bem claro que ele não vai tolerar tais práticas, algo por todos nós percebido, só o seu secretário seria o único a não perceber? Claro que não. Luís Fernando, como homem feito de carne e osso, também é imperfeito, com limites e desejos, e tem medo, um dos principais reguladores do equilíbrio emocional do ser humano. Logo, está atento ao que o seu chefe directo diz e quer.


Ficam afastadas assim, de forma verdadeira, as insinuações que o secretário Luís Fernando quer introduzir no Presidente João Lourenço o gosto em ser bajulado, uma tremenda falta de respeito ao Chefe de Estado.


É caso para dizer: vejam só até aonde os “malfeitores” chegaram com a perseguição a Luís, que, mais do que o desejo natural de serem ministros, queriam o lugar de secretário do Presidente.


A obra de Luís de Fernando, como acima já ficou referido, é um dos vários mecanismos da grande estratégia de comunicação montada à volta do Presidente da República, se ocupando de dois momentos na execução da comunicação, nomeadamente no nível da estratégia operacional e no nível da circulação de conteúdos. Além de o livro “Notícias do Palácio” responder, na prática, as orientações do Chefe de Estado quanto ao seu pensamento estratégico para pôr em prática ditames da Constituição concernentes à liberdade de expressão e de imprensa, de pensamento e de criação, faz um desenho concreto da oportunidade de empresas e cidadãos em como devem materializar as suas aspirações.



O livro, mais do que valorizar o seu autor, é mais um dos fortes sinais que o Presidente da República envia a todos nós de que os desejos de manifestação das liberdades são para avançar e concretizar no mais curto espaço de tempo. Nesses termos, e seguindo o pensamento do Presidente da República, do Palácio Presidencial somos brindados com o livro “Notícias do Palácio”, algo que deve estar claramente em sintonia com o exercício das empresas públicas de Comunicação Social, as quais devem abrir-se aos sinais do tempo, cumprimento com as orientações do executivo de informarem os cidadãos com verdade, de forma constante e dentro de princípios sistematizados.


Ora, tal desiderato só é possível com interpretações técnicas e científicas capazes e devidamente enquadradas na máquina de comunicação do Executivo que tem a missão não apenas de orientar os sectores, mas acima de tudo de cuidar do processo criativo de todo um sistema. São definidas em ambientes de cobertura de Estados, dois grandes campos de comunicação, o público e o institucional, domínios de excelência técnicas e conceitos afinados para atender aos interesses públicos e de criar a relação, a forma como vemos o próprio Estado, que, em último lugar, designamos tecnicamente por imagem.


O livro “Notícias do Palácio” não está fora desta vocação, sendo o resultado de uma parte dela para atender a um segmento, mais para justificar um futuro em forma de passado, o testemunho real daquilo que foi feito, podendo mostrar com palavras, discursos, fotografias, enfim, com toda a parafernália desejada para reunir toda a espiritualidade de um processo criativo que diz respeito à vida de todas as pessoas de bem. Em comunicação, é imperdoável a prática de exercícios sem referência, por se tratar de um mundo complexo, onde a confusão entre informação e dado, ou entre conhecimento e informação podem surgir quando menos se espera. Os nossos sábios deviam visitar as escolas da Nova Comunicação, as suas teorias matemáticas e semiológicas, ou ainda, as teorias sobre um Mundo Antigo que se perde para um Mundo Novo, que ainda não chegou.


Pelo livro “Notícias do Palácio”, desejo a todos boa leitura!

(*) Especialista em estratégia e gestão de informação

 

 



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