Assim, não faltam alarmistas de todo tipo invocando uma futura desgraça, um retorno a guerra. Se aquilo ou isso, não  se resolver em tempos adequado e lugar desejado. E nisso, sem querer exagerar, não faltam, incluso aqueles, a maioria deles políticos, que na sua luta para conquistarem o poder, vivem ameaçando o poder legal, a ordem e toda a sociedade a um possível retorno dos tempos sangrentos ou de chumbo. É como se numa  guerra, ou nessa guerra que tantas vezes é anunciada, as vítimas estarão  simplesmente de um lado.

As pessoas têm que ter consciência que a guerra é um desastre, que ao surgir, vem para arrasar a vida de todos, sem se importar com o poder aquisitivo de quem está no meio do conflito. Além disso, é insensato querer convencer as pessoas que a miséria econômica: o desemprego, a falta de boas condições de saúde, educação, resolvesse simplesmente invocando atitudes violentas. Com a intenção de se abater quem está lá em cima a governar. Coisa que, diga-se, muitos jornalistas, em nome da chamada liberdade de imprensa, procuram instigar. Uns porque na sua luta pela conquista de poder e ganância sentem-se na trilha do sujeito que não tem nada a perder. Ora, quem como angolano age e pensa dessa forma, ou é porque tem tripla nacionalidade, e vive na ansiedade de ver o círculo a pegar fogo; ou então é um ex-colono, angolano de conveniência, radicado nas cidades do Porto, Lisboa e mundo afora, e que perdeu tudo aquilo que tinha antes do 11 de Novembro de 1975 no território angolano ( entre os primeiros  e os segundos para mim não existi diferença). A esses últimos, devemos dizer, que, nem com todas as guerras possíveis  -coisa que temos certeza que não retornará- vão recuperar, jamais aquilo que têm alegado como algo de direito, mas que todos sabem que foi usurpado  aos angolanos ao longo dos 500 anos de colonialismo.

Os terceiros  incendiários nessa história são aqueles ditos angolanos, por certo, muitos deles têm pela mania de  considerar-se mais angolanos que o resto da população. Geralmente, são visivelmente racistas e tribalistas em suas declarações,  e a manifestação de rancor e ódio nessas pessoas é evidente. É gente sabidamente derrotada nos últimos conflitos que o país teve que atravessar, e sobreviveram muitos deles  em nome de um gesto jamais protagonizado, por nação ou povo algum.

Esquecem-se que como povo e nação que somos temos as nossas peculiaridades que foram cultuadas ao longo dos trinta anos de independência, guiado e protagonizado pelo partido que hoje está no poder. E que essa atitude, não só do governo, mas também desse partido, que é reconhecidamente elogiável nacional e internacionalmente é uma lição a ser imitada e seguida por todos aqueles que vêem na paz uma condição  necessária para se tirar um país da miséria. Para se resolverem os problemas do saneamento básico, da educação, da saúde, do desemprego e de toda miséria social  que o capitalismo vem gerando ao longo dos últimos trezentos anos de sua existência. E assim para nos livrarmos da miséria psicológica e de todas as manias como, por exemplo, a cobiça do preguiçoso e a inveja daqueles que acham que para se reconstruir um país começasse logo com a satisfação dos interesses individuais de cada um de nós. Sem  se quer  oferecer nada a esse país.
É o país que precisa de nós. E somos nós que devemos oferecer a esse país o melhor de nós, sem choradeiras de nenhum tipo, sem reclamações. E como dizia o grande Fidel: devemos oferecer a humanidade o que há de melhor em nós, mesmo quando ela não tenha nunca nos oferecido nada. Por isso, os cubanos foram lutar em Angola, por vinte anos, e saíram dela sem ter levado um diamante ou um barril de petróleo.

A questão aqui não é saber o que é que o país vai fazer por nós. Esse é um recado ao bando de intelectuais que existem por aí, e que só sabem instigar  à guerra, principalmente, porque acreditam que se sentem seguros na diáspora.  A questão é perguntar-se o que eu tenho a oferecer a nação, para que a situação não continue do mesmo jeito da mesma maneira. O que posso dar de melhor com o meu trabalho, inteligência (ainda sendo pouca) e com o meu talento.

Entre os  brasileiros existe um provérbio interessante: se não vai ajudar ou colaborar, então, ao menos que não atrapalhes. O que significa dizer, que para muitos que vivem de baixo dos instintos da desgraça,  da providência, do fado, do azar, das causas irrealizáveis e impossíveis, a essa gente devemos dizer, por favor, deixem em paz ao povo angolano e  as pessoas que têm interesse em trabalhar e colaborar com o mesmo povo.

Por outro lado, o MPLA não é o ANC (com todo respeito a esse último partido e organização, e aos seus heróis), Angola não é a África do Sul. Nós os  angolanos fomos os primeiros  que tivemos a grande iniciativa de que o regime do aparthei só poderia ser derrubado com a força das armas, com o sacrifício e o suor de todos os africanos; e vencemos! O resto, os sul-africanos  e os outros por aí que cuidem dos seus problemas; incluindo aos zimbabuenos. É por isso, ainda, que não sou contra o sonho e as ilusões do cambaleante Roberto Mugabe: em África, a Terra deve pertencer aos africanos; doía a quem doía; goste quem goste, mas ( e sempre) deveria ser assim. E infelizmente não é, principalmente, na própria África do Sul, por isso esta acontecendo o que todos vêem por aí. Principalmente na África do Sul onde até hoje as minas de ouro, urânio  e o resto que existe por aí, ainda pertencem aos ingleses e aos europeus.

É verdade que a nossa miséria econômica não é muito diferente que a do povo Sul-africano, mas como já tentei fazer entender, existem diferenças na estrutura política e social em cada nação. Na África do Sul, país que não passou por guerra nenhuma ao longo dos 80 ou 90 anos, o poder político foi transferido, por bom senso a maioria negra, mas o poder econômico continua, e pelo jeito vai continuar por muito tempo, nas mãos da minoria branca. Horror!!!!!!!!!! Eu não queria viver nesse século, em pleno continente africano, no meu próprio país ser discriminado por ser pobre e negro.

Em Angola, as coisas, sim, são diferentes. Saímos de uma guerra de quarenta anos. Nosso problema atual não é só a distribuição da riqueza social que se faz mal, por motivos de classe e racismo como se faz na África do Sul, é essencialmente a falta de compreensão daqueles que andaram fazendo uma guerra desnecessária. Ninguém esquece e poderá esquecer isso ao longo dos trinta anos que vem. Não se trata aqui de invocar o bode expiatório. É real dizer o que estamos dizendo; a guerra desgraçou nossas vidas. A vida de todos que por aí estão, até daqueles que vivem reclamando, eles vivem reclamando (inconscientemente, às vezes) precisamente por que a guerra provocou o que  até hoje estamos vendo.  E na luta cega  pelo poder tem gente inescrupulosamente aproveitando-se da desgraça do povo e de todos que eles mesmo provocaram.

A pergunta a ser feita é: é de outra guerra que precisamos para se resolver todos os problemas que temos? Claro que não.

É de paciência, trabalho, estudo, dedicação, cultura e tudo isso num ambiente de paz , só assim  sairemos  da  miséria. Não se justifica uma guerra eterna, em nenhuma parte do mundo, para se resolverem problemas que devem ser e podem ser resolvidos num ambiente de paz. Fazer a guerra para resolvermos os problemas que temos é uma atitude para os débeis mentais, e não só, para gente reacionária  e anti-patriótica; para o portuguêszinho que perdeu a coroa em Angola e que nos últimos 40 anos viveu dos diamantes de sangue. A pergunta ainda que segue é: é essa guerra que muitos querem participar e fazer? Para alimentarmos aqueles que desejam a nossa desgraça?. Não se esqueçam que a paz foi conquistada pelos próprios angolanos, com esforço único desse povo e dessa nação. E é isso que muitos dos nossos adversários por aí não consentem, estão inconformados. A paz não só constitui uma condição de progresso para nós angolanos, é, além de tudo,  a vitória final, tão desejada ao longo desses anos. É a derrota humilhante da mentalidade colonial  portuguesa e salazarista em pleno século XXI que existe por aí, e, que, como um  zumbi, como um fantasma, insiste em querer dizer ou mostrar que não morreu, ou simplesmente não foi derrotado.

Esses sim, os últimos mencionados estão mortos para sempre. Mas nós os angolanos, a nação e o povo estamos vivos. E os vivos, mais do que nunca, precisam de paz e progresso. De preferência a paz perpetua! Como profetizou Emanuel Kant! A esse podemos escutar.


* Nelo de Carvalho
Fonte:
http://blog.comunidades.net/nelo/

 

 



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