Menongue - Para atrás ficou o município de Rivungo ao qual foi administrador municipal, até ser nomeado ao mesmo cargo, no mês de Abril do corrente ano, para dirigir os destinos do município de Menongue, capital da província do Cuando Cubango.

Fonte: Club-k.net
Menongue possui três comunas designadamente: Missombo, Caiundo e Jamba Cueio, com uma densidade populacional de mais de 300 mil habitantes. Durante cerca de sete meses à frente da administração municipal o (novo) administrador pode radiografar inúmeros problemas de carácter socioeconómico que a população enfrenta.

Em entrevista ao Club-K, Júlio Vidigal garantiu como uma das prioridades dinamizar o sector da agricultura para uma produção de rendimento em vez de apenas para subsistência no seio das comunidades. O outro desafio consistem nos sectores da educação, saúde, energia eléctrica e água potável.

Club-K: Do Rivungo a Menongue. Obviamente, os desafios são diferentes. Nestes sete meses já se pode fazer pré-balanço, e quais são as prioridades?
Júlio Vidigal: podemos considerar balanço positivo. Procuramos redimensionar os recursos de acordo às prioridades. Enquanto administrador, a obrigação é melhorar a qualidade de vida das populações com base nos principais serviços como saúde, educação, água potável, energia eléctrica, saneamento básico e outros.

A sua gestão tem estado a corresponder as espectativas dos municipes?
Enquanto quadros e gestores públicos temos que ter a capacidade de fazer leitura dos tempos e encontrar enquadramento legal para harmonizarmos a filosofia governativa. Portanto, devemos esperar que de facto haja recursos tanto humanos como económico e financeiro para continuarmos a concretizar os objectivos da administração para assistir os direitos dos municipes.

A população camponesa, sobretudo, clama por apoio por parte do Governo. Que medidas estão a ser tomadas para dinamizar o sector da agricultura, sendo uma das principais actividades de subsistência da população?
Queremos passar de uma agricultura de subsistência para uma agricultura de rendimento. Daí, a nossa especial atenção em potenciar o campo, não só com imputes agrícolas, mas também com novas técnicas para criar incentivo aos camponeses a produzirem o suficiente ao ponto de atrair interesses das cidades para os campos.

Com as devidas reclamações por falta de apoio, qual tem sido o envolvimento das comunidades nesse processo?
Muita envolvente. De um tempo à esta parte vimos falando com as comunidades, entre autoridades tradicionais e religiosas no sentido de se incrementar a multiplicidade da produção para que nos próximos anos tenhamos também micro e pequenos empresários ao nível das comunidades, de maneira que as pessoas não se desloquem à cidade para comprar açúcar, óleo, sabão e outros.

Como se pode explicar o conceito de agricultura de rendimento?
Criando cooperativas agrícolas, fornecer diversos tipos de sementes de ciclo de produção curto e médio para resultados imediatos. Dessa forma, as pessoas com dificuldade de emprego ao nível da cidade, podem encontrar no campo, alternativas. Aquisição de tractores, charruas, juntas para tracção animal à medida daquilo que as pessoas precisam, com base na realidade dos solos. Fazendo com que a produção agrícola não sirva apenas para o consumo de subsistência familiar.

Até certo ponto Menongue apresenta alguma vulnerabilidade por parte de municipes. De que assistência sócio económica as populações vulneráveis beneficiam da administração?
No quadro da assistência social à população vulnerável, achamos que durante os sete meses da minha administração melhoramos no saneamento básico. Reduzimos o lixo significativamente. Auscultamos as comunidades e à estas levamos mantimentos à altura das necessidades de modo a diminuir a carência de vida das famílias.

Muitas aldeias ao nível do município registam défice no sistema de saúde. Qual é a cobertura no sector?
Sobre a saúde ainda se regista alguma insuficiência na capacidade de resposta face a pressão dos campos para cidade. De realçar que para além do Hospital Geral de Menongue, o município conta com 30 unidades, entre postos de saúde e centros à disposição dos munícipes. Todavia, para atender às necessidades das aldeias, pelo menos duas vezes por mês deslocamos ambulâncias com uma equipa de enfermeiros para realizar feiras de saúde ou consultas ambulatórias nas comunidades.

Quais são os projectos estruturantes no domínio da educação?
Reconhecemos que ainda temos alunos que estudam por baixo das árvores, e, em alguns casos, em igrejas. Contudo, temos projectos em curso. Para 2019, temos arquitectadas mais 20 escolas ao nível da zona suburbana e na sede municipal para diminuirmos esse défice.

Menongue possuir vários rios entre os quais o “Cuebe” que quase divide a cidade ao meio. Ainda assim a circunscrição regista défice de água potável e energia eléctrica. Como justificar esta situação?
Brevemente teremos solução no sector da energia. São questões contratuais e de conjuntura financeira. Mas o Estado já cumpriu com as suas obrigações junto da empresa encarregue para a conclusão das obras afins. Cremos que antes do fim do ano teremos esta situação minimizada. Para Menongue ter energia de maneira eficiente precisaria perto de 70 megawot, e neste momento estamos a trabalhar apenas com uma turbina a “meio gás”. Em relação a água potável, também há défice, mas os órgãos competentes estão a tudo fazer no sentido de fornecerem água aos bairros.

Alguns relatos de municipes apontam para ocupações ilegais de terrenos e construções desordenadas de residências. Que medidas de urbanização a administração toma para impor ordem?
Em quase todo território nacional há situações de género. Mas o importante é que queremos controlar estas ocupações e construções anárquicas na nossa urbanização.

De que maneira a administração controla este fenómeno?
Uma das medidas passa pela criação de espaços para auto construção dirigida. A administração possui três reservas fundiárias para o loteamento e distribuição de terrenos às populações para construções de residências nas zonas da Barragem, Tukuve-1 e Tukuve-2, cujo arranque está para breve.

Que resposta a administração tem em relação a falta de espaços de laser, questionado pelos munícipes?
Já existem algumas zonas eleitas para este fim. Tudo está planificado, ouvindo a juventude e os proprietários de alguns espaços, tão logo houver melhoria financeira, vamos implementando à medida das nossas possibilidades. Portanto, é nossa obrigação criar condições para que os jovens encontrem espaços para se divertirem. À semelhança do que fizemos no jardim ecológico que hoje o espaço ganhou dignidade.

No sector evangélico. Como está a proliferação religiosa?
Temos algum controle quanto a isto. Algumas igrejas reconhecidas pelo Estado, mas também nos preocupa a aparição de outras que na calada da noite constroem igrejas de chapas de zinco. Mas a Polícia Nacional tem feito o seu trabalho para evitar que elas ganhem corpo e se transformem numa desordem social.

No que diz respeito a tolerância política. Como tem sido a convivência entre os partidos políticos existentes em Menongue e a administração local no âmbito do conselho municipal de auscultação?
O relacionamento entre os partidos políticos aqui é salutar. Não temos nada que estar a brigar uns com os outros. As coisas estão bem definidas, as tarefas da administração e os direitos dos partidos políticos.

Quanto as medidas de segurança pública, alguns cidadãos questionam a existência de uma Quiosque onde se vendem e consomem bebidas alcoólicas até altas horas, há poucos metros da parte frontal do Aeroporto “Comandante Kuenha”. Tem o domínio da situação?
Temos no referido local patrulhamento da Polícia Nacional. Mas também já foram estabelecidas regras pelo facto de a Quiosque estar nas imediações do aeroporto. Os horários para o seu funcionamento estão consensualmente bem definidos ao cumprimento do proprietário do estabelecimento. Ao nível do município achamos que temos a situação sob controle. A polícia aqui tem sido eficiente no combate e controle da criminalidade.



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