Lisboa - O maior julgamento por narcotráfico dos Estados Unidos continua a decorrer. Miguel Ángel Martínez, um dos braços de "El Chapo", revelou como a droga foi transportada para os Estados Unidos.

Fonte: Observador

Um túnel secreto, camiões de duplo fundo e latas de jalapeños — uma malagueta conhecida na gastronomia mexicana. Estas terão sido algumas das técnicas que Joaquin “El Chapo” Guzman terá utilizado para transportar as cerca de 200 toneladas de cocaína e outras drogas ao longo de três décadas do México para Los Angeles. Quem o revelou foi Miguel Ángel Martínez, um dos testemunhos do maior julgamento por narcotráfico dos Estados Unidos, que arrancou no dia 13 de novembro e continua a decorrer.

 

Segundo o El Espanol, Martínez, que foi o braço direito de “El Chapo” no cartel Sinaloa, falou da existência de um túnel em Agua Prieta, na fronteira com os Estados Unidos, que terá sido construído pelo arquiteto Felipe Corona e foi utilizado entre 1985 e 1990 para transportar entre 25 a 30 toneladas de cocaína por ano. O local para o túnel foi pensado tendo em conta a ligação à polícia, que terá sido subornada para se manter em silêncio.

 

Depois de o túnel ter sido descoberto, Guzman teve de procurar outras formas de transportar a droga para Los Angeles e, para isso, serviu-se de latas de jalapeño para colocar a droga. Em cada camião, seguiam mais de 2.000 quilos de cocaína, colocada nessas latas. As embalagens, em vez de terem a malagueta, continham areia no interior para terem o mesmo peso que o rótulo marcava.

 

Martinez, que atuava como piloto e estava encarregado de contactar os cartéis colombianos, explicou também que foram criados compartimentos secretos em carros, em tanques de gasolina e até mesmo através de sistemas hidráulicos colocados debaixo da cama, um deles localizado na residência de “El Chapo”, para encobrir o acesso a uma sala secreta onde a droga e o dinheiro eram guardados.

 

“El Chapo”, considerado o traficante de droga mais poderoso do mundo desde a morte de Pablo Escobar em 1993, é suspeito de ter traficado para os EUA cerca de 200 toneladas de cocaína e outras drogas ao longo de três décadas. O julgamento decorre no Tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, depois de, em 2016, o governo mexicano ter conseguido a extradição do barão da droga para os EUA.

 



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