Lisboa - Morreu João Carvalho, o «Jota», de 62 anos, após doença prolongada. Natural de Luanda, vivia exilado em Portugal desde 1980. Neste ano tinha fugido de Angola, após anos de prisão e de tortura pela DISA, a polícia política do regime de Agostinho Neto. João Carvalho esteve detido na Prisão de São Paulo, de Dezembro de 1977 a Janeiro de 1980. Depois de sair em liberdade pediu uma licença de férias para visitar os seus pais que se encontravam a viver em Portugal e nunca mais voltou à terra onde nasceu.

*Maria Leonor Figueiredo
Fonte: estrratetizando.pt

Ele e muitos outros jovens desta altura, segunda metade dos anos 70, cuja doutrina política era crítica do MPLA no poder, viram-se «caçados» pela DISA e encarcerados durante muito tempo, sem direito a defesa nem a julgamento justo. As sentenças eram proferidas por um Tribunal Popular Revolucionário, composto por membros sem competência.

 

Militante activo do Movimento Estudantil em Luanda, que surgiu pouco depois do 25 de Abril em Portugal, João Carvalho foi também membro dos Comités Amílcar Cabral e da sua sucessora, a Organização Comunista de Angola. Ficou conhecido pela sua generosidade nesses tempos, abrigando na sua casa de Luanda quem necessitasse.

 

Lembra quem o conhecia que João Carvalho, de uma certa forma, nunca recuperou dos danos físicos e psicológicos que sofreu na prisão em Angola. Os seus primeiros tempos foram bastante complicados, pois tendo ele optado pela nacionalidade angolana após a independência, viu-se várias vezes impedido de beneficiar de certos requisitos em Portugal. Sofria há anos de problemas cardíacos e de insuficiência respiratória.

 

João Carvalho deixa duas filhas e um neto a quem endereçamos as nossas condolências. Amigos e familiares despediram-se ontem, dia 29, do «Jota», numa cerimónia que terminou na sua cremação, que decorreu no cemitério de Barcarena.

 



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