Luanda - O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola rejeitou hoje que a manifestação de zungueiras (vendedoras ambulantes) nas ruas de Luanda, tenha a ver com direitos humanos, mas sim com os seus interesses comerciais.

Fonte: Lusa

Francisco Queiroz, que falava hoje à imprensa à margem do ‘workshop' para a recolha de contribuições à proposta da estratégia do executivo sobre os Direitos Humanos, foi instado a comentar as manifestações que têm ocorrido nos últimos dias capital angolana, a última realizada esta segunda-feira.

 

Cerca de meia centena de zungueiras - mulheres que vendem todo o tipo de produtos pelas ruas - saíram à rua, tendo sido impedidas pela polícia, que não permitiu que chegassem ao Palácio Presidencial.

 

Para o ministro, estas manifestações "têm mais a ver com interesses comerciais de cada um".

 

"Não sei se têm a ver com direitos humanos, se calhar, tem mais a ver com interesses comerciais de cada um", disse o governante angolano, acrescentando que "cada um está a defender os seus direitos comerciais".

 

"São interesses comerciais. O Estado tem um interesse, esse sim, é de direitos humanos, é manter a ordem e a tranquilidade", realçou o titular da pasta da Justiça e Direitos Humanos em Angola.

 

Em causa está a "operação Resgate", colocada em prática pelas autoridades angolanas a 06 de Novembro e que visa reforçar a autoridade do Estado em todos os domínios, reduzir os principais factores desencadeadores da desordem e insegurança, bem como os da violência urbana e da sinistralidade rodoviária, aperfeiçoar os mecanismos e instrumentos para a prevenção e combate à imigração ilegal, e proibir a venda de produtos não autorizados em mercados informais.

 

Na segunda-feira, aparentemente de forma espontânea, cerca de 50 ‘zungueiras', todas oriundas do Mercado de São Paulo, em Luanda, surpreenderam as autoridades locais que só conseguiram pará-las a poucas centenas de metros do Palácio Presidencial, sem que se tenham registado quaisquer incidentes.

 

Cerca de uma hora depois, a polícia, já na zona da Maianga, conseguiu dispersar a meia centena de ‘zungueiras', que partiram, a pé e a cantar, de volta ao Mercado de São Paulo, depois de a polícia lhes ter dado garantias, ouvidas pela Lusa, que os produtos confiscados serão devolvidos.

 



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