Lisboa - Esta manhã, já perto do fim de mais um debate quinzenal - o segundo de 2019 -, o primeiro-ministro António Costa , perdeu definitivamente a paciência com a líder do CDS. Chegando ao ponto de lhe insinuar um comportamento racista. Foi quando, a propósito dos atos de violência urbana que têm sido registados nos últimos em vários pontos da área metropolitana de Lisboa, nomeadamente contra propriedade pública, Assunção Cristas lhe perguntou: "O senhor condena ou não condena esses atos de vandalismo, defende ou não defende a autoridade policial?!"

 

Fonte: Diário de Notícias

O chefe do Governo, que já se tinha começado a irritar antes quando a líder do CDS o questionara sobre a auditoria à CGD, exaltou-se definitivamente, disparando: "Deve ser pela cor da minha pele que me pergunta se eu condeno ou não condeno a violência."


Esta intervenção levantou protestos de indignação pela parte das bancadas do CDS e do PSD e levou Ferro Rodrigues a pedir contenção. Assunção Cristas recusou-se a "responder ao comentário final" de Costa: "Fiquei com vergonha alheia."


Recordando que foi o seu governo quem mandou fazer a auditoria - e não o anterior, que Cristas integrava como ministra da Agricultura - o primeiro-ministro disse à líder do CDS que esta deveria ter o "decoro" de não falar do assunto.


A violência urbana registada nos últimos na área metropolitana de Lisboa marcou as intervenções da maior parte das bancadas. O PSD, através de Fernando Negrão, tentou pôr António Costa a desautorizar o Bloco de Esquerda pelas críticas globais à PSP que bloquistas fizeram na sequência dos confrontos no Bairro da Jamaica (Seixal). O PCP também se demarcou das posições do BE dizendo, através de Jerónimo de Sousa, que "uma andorinha não faz a primavera".


Costa limitou-se a afirmar que concordava plenamente com as críticas que ontem Carlos César fez aos bloquistas. A líder do BE, por sua vez, procedeu a um recuo tático - dizendo que a violência de uns quantos polícias não pode "manchar" a corporação toda. E até considerou "sensato" que a direção da PSP tenha instaurado um inquérito interno.

 



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