Luanda - Um ano depois de ter sido morto a tiro o jovem jorge Peterson da Silva Miguel, de 26 anos de idade, o tribunal Provincial de Luanda começa a julgar, amanhã, na 5ª Secção da Sala dos crimes comuns, dois jovens acusados de terem participado do assassinato do estudante bolseiro, no Morro Bento.

Fonte: OPAIS

Dos quatro integrantes do grupo de marginais que engendrou o assalto, a Polícia Nacional conseguiu deter dois, que irão responder em tribunal, no conhecido Palácio Dona Ana Joaquina, pela morte de Jorge Peterson, que tinha sido surpreendido por marginais armados a 22 de Janeiro do ano passado, às 13h, nas imediações da ex-rotunda da Gamek. Jorge vivia na África do Sul, onde estava a formar-se, e no ano em que foi assassinado iria receber o diploma em Abril.


Dois dias antes da sua partida, como recordou o seu irmão, Vivaldo, em entrevista ao jornal OPAÍS, foi morto quando quatro jovens o assaltaram por 600 mil Kwanzas, dinheiro que Jorge procurava trocar em dólares para usar no país de Nelson Mandela. De acordo com a mãe da vítima, Romana da Silva, que na altura falou também com o jornal OPÁIS, durante o assalto, a máscara de um dos meliantes havia caído, o que gerou uma situação de pânico no seio dos assaltantes devido ao medo de virem a ser reconhecidos.


De forma a silenciar a vítima, um dos marginais disparou à queima-roupa contra Jorge, tendo a bala atingido a região do estômago, provocando lhe morte imediata. Durante o assalto, que durou menos de cinco minutos, o amigo da vítima, que conduzia a viatura, conseguiu fugir e sair ileso. E, apesar de ser à luz do dia, em nenhum momento a Polícia apareceu para travar a cena que chocou a família e os transeuntes que circulavam no local do crime.


“Da forma como o meu filho foi morto parecia que ele não era uma pessoa qualquer. É triste criar e formar um filho e vê-lo morrer desta forma tão brutal. Isso não se faz. Queremos que a justiça seja feita. Eles não mataram apenas o meu filho, mataram-me também, porque a dor é tanta…”, lamentou, na altura, aos microfones do nosso jornal.


A família estava preocupada com o tempo que levou para serem detidos os acusados, bem como para serem chamados a acompanhar o julgamento em tribunal, mas agora mostra se esperança num desfecho justo deste caso.


Crime pode ter sido premeditado Para Romana da Silva, a forma como o seu filho foi morto indica que o crime terá sido premeditado. Conforme explicou, se fosse, na realidadade, um simples assalto, não havia necessidade de se matar a vítima, tendo em conta que em momento algum ele mostrou resistência.


A mãe frisou ainda que durante o tempo que o filho esteve em Angola não teve brigas nem desentendimentos com ninguém. A família vive na Centralidade do Kilamba, mas dona Romana fez saber que o filho preferia passar grande parte dos dias em casa de uma outra filha, no projecto Nova Vida. “Era um miúdo muito calmo.


Não se metia na vida de ninguém. No mesmo dia, por volta as 11 horas, ele ainda ligou me. Nem eu pensava que afinal de contas fosse o último telefonema da sua vida. Desconfiámos que eles estavam a ser seguidos a partir de casa. É que, em nenhum momento, houve resistência.


Os bandidos, inclusive, não aceitaram levar o telefone, o fio de ouro e outros haveres. Parece que a intensão era apenas matar o miúdo e levar o dinheiro. É bastante doloroso”, desabafou a senhora.

 



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