Alemanha - Para além da polémica “Moção/Voto Construtivo de Desconfiança”, cujos contornos assim como os prós e contras vimos na última consideração, o Sistema Político alemão tem outras particularidades, por vezes características típicas de Sistemas Parlamentaristas. O “zweite Stimme”, ou seja o Segundo Voto, é uma delas, entretanto para a grande maioria dos 62 milhões de alemães chamados a votar daqui há uma semana, ser algo desconhecido e para os poucos que a conhecem mal a conseguem interpretar.


Fonte: Jornal Angolense

O desconhecido 2o Voto e o Tradicional Duelo Televisivo


2o Voto, o mais decisivo?


Antes dizer que o voto na Alemanha não é obrigatório, mas sim facultativo e que cada eleitor vota com 2 votos, onde o segundo é visto como sendo o mais importante e veremos porquê.


Enquanto que com o seu primeiro voto, os eleitores escolhem o deputado que deverá os representar o seu distrito (circulo eleitoral) no Bundestag em Berlim, por isso o mandato chamar-se de "mandato directo" (são 328 assentos directos), já com o Segundo Voto, uma espécie de “Voto de legenda”, o eleitor escolhe os ocupantes dos restantes 328 assentos (de um total de 656. Este número varia segundo os chamados Mandatos suplementares), assentos estes que determinam a força política de cada um dos partidos políticos, através dos quais a maioria simples dos votos decide a obtenção do mandato em cada distrito eleitoral. Porém, é deste Segundo voto, cuja natureza é difícil de entender, acredito, são formadas as maiorias parlamentares na Alemanha.


Resumindo e simplificando, com o Primeiro Voto, estou votando o meu representante (seja ele integrado num Partido ou independente) ao Parlamento, mas com o meu segundo Voto, estou votando ao Partido que governará o país, daí a importância deste último.


Mandatos suplementares


Para além desta particularidade no Sistema Eleitoral alemão, existe a chamada “Cláusula de Mandatos suplementares”. Isto ocorre quando um partido conquista mandatos directos em número superior ao total a que teria direito de acordo com os votos de legenda obtidos.


O partido pode, então, ficar com tais mandatos excedentes, aumentando assim o número total dos deputados ao Parlamento federal alemão. Estes são os chamados “Überhangmandate”. Actualmente o Bundestag está recheado de 14 Mandatos suplementares.


A caça ao Voto


Cenários festivos marcam a caça ao voto, começando logo pela manhã, é o que se vive nas principais praças e pracetas das aldeias e cidades alemães, vestidas de cores de vários partidos políticos na véspera das Eleições de 27 de Setembro próximo. Barracas, plataformas e tribunas móveis são montados em fracção de minutos para acolher alguma actividade relacionada com o pleito eleitoral.

 

Hoje, Quarta-feira 9 de Setembro, atípica manhã de verão pois as chuvas de Outono já ameaçavam cair, passeando pelo centro de Kaiserslautern, mencionada por lapso na primeira abordagem como sendo a sede do Tribunal Federal Constitucional, omitindo Karlsruehe no Estado de Badenwuertemberg, passei casualment pela praça central da cidade, o cenário não fugiu á regra. Oskar Lafontaine do Partido “Die Linke”, ou seja (A Esquerda), é o político- hóspede mais importante nesta cidade. Este ex- Candidato á Chancelaria Federal pelo SPD, partido do qual se separou depois de desavenças surgidas a pois a victória do seu Partido em 1998 quando seu correligionário Gerhard Scroeder “bateu” o poderoso Helmut Kohl, tornando-se Chanceler e ele, Lafontaine uma espécie de Super- Ministro da Economia e Finanças.

 

Lafontaine, ex- Giovernador no Estado de Saarland, forma um dupla com o jurista e ex- membro do Comité Central do Partido Comunista Unificado da Alemanha-PCUA, numa força Política chamada “Die Linke” ou seja ou seja a Esquerda , sucessora do extinto PDS- Partido Socialista Alemão.


Numa actividade simples mas com bastante música popular (Volksmusik), o político discursou e conquistou no seu estilo peculiar de gesticular, principalmente a camada que mais vota á “Esquerda”, idosos e meio idosos, que não constituem uma minoria na Alemanha, mas sim um grande estrato do eleitorado alemão. 

 

Por força do seu passado histórico, esta força política passou por várias vicissitudes, mas como tempo cura feridas, o Die Linke é agora, um elemento a ter em conta mesmo na formação de um Governo Federal de Coligação, em Berlim.

 

O tradicional “Das TV Duell” / Duelo Televisivo


Considerando por alguns analistas como “morno”… o conhecido “TV- Duell” é uma espécie de Barómetro através da qual o eleitorado e em particular analistas conseguem encontrar as “linhas de força” para medir a “pulsação” política da nação bem como a tendência do ou dos votos, é praticamente tradicional para o qual os 2 principais candidatos são expostos cara á cara respondendo e argumentado sobre temas mais candentes da vida da nação.

 

O dia escolhido foi o Domingo, 13 de Setembro e mais de 20 milhões de interessados acompanharam o debate através dos ecrãs televisivos em suas casas, cafés e até em ecrãs gigantes em algumas grandes cidades como Berlim, Munique, Hamburgo e outras.


No centro, constituíram linhas de força e de argumentação matérias tais como as políticas de impostos e energia nuclear, ambos considerandos típicos na maioria das eleições alemães. Embora Walter Steinmeier, candidato social-democrata á Chancelaria Federal, se tivesse apresentasse em melhor "performance argumentativa" durante o debate não conseguiu entretanto suplantar sua rival Angela Merkel da CDU, calma mas consequente, no seu estilo característico de argumentar.

 

O debate foi tão harmonioso, e foto acima, tirada antes do debate, traduz o que os dois candidatos disseram sobre a actual coligação: “tivemos uma boa governação”. Nota de realce durante o debate foi o facto de que nenhum dos candidatos á poltrona de Chanceler em Berlim, ousou desacreditar o outro, o que justifica a afirmação antes citada.


Steinmeier, cujo SPD segue atrás dos conservadores de Merkel nas sondagens, com uma diferença entre os 11 e os 14 pontos percentuais (fica-se por uma média de 23 por cento das intenções de voto para o sufrágio de 27 de Setembro próximo.


* Politólogo e Consultor Internacional
   em Kaiserslautern, Alemanha



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