Luanda – O grupo empresarial “Bruno Miguel Pegado Limitada” detentor da marca angolana de automóveis, “Pegado Motors”, lançada oficialmente na passada segunda-feira, dia 25, em Luanda, garante criar, numa primeira fase, mil postos de emprego directo em Angola, com a chegada ao país, a partir do mês de Julho do corrente ano, de mais de 800 viaturas em diferentes modelos fabricadas na República da China.

*Óscar Ganga
Fonte: Club-k.net
A confirmação foi do presidente do grupo, Bruno Miguel Pegado, à imprensa, durante a cerimónia de lançamento da marca, tendo garantido por outro lado a aprovação do projecto, por parte de parceiros internacionais, em um financiamento, ainda não disponível, avaliado em “58 milhões de dólares para a implementação de uma fábrica para a produção e montagem de veículos” no município do Waco Cungo, província do Cuanza Sul, onde se perspectiva a criação de mais de 60 mil empregos com o espandir das linhas da marca “Pegado”.

Na primeira empreitada para a importação de 876 viaturas (Pegado) que ainda este ano chegam a Luanda, alega o empresário, foi aprovado 16 milhões de dólares, a serem amortizados faseadamente junto dos seus fornecedores, com emprego garantido para mil candidatos, sendo que 25 por cento será de mão de obra expatriada, já a partir de Julho de 2019.

Os candidatos a serem admitidos, com experiência mecânica comprovada, para prestar serviços de assistência técnica às viaturas nas oficinas da referida instituição “vão ser beneficiados com formação em especializações por um tempo considerável na China”, assegurou Bruno Pegado.

O empresário fez saber aos jornalistas que a marca ora lançada apresenta 11 modelos distintos, cuja as escolhas dos nomes para a simbologia dos referidos veículos representam monumentos, lugares e figuras históricas de Angola como, Okavango, Zambeze, Kalandula, Bakama, Ombadja, Welwitschia, Kissama, Samanhonga, Lombe, Camacupa e Macocola, esta última com o preço mais baixo.

“A escolha destes nomes foi uma inspiração patriótica/nacionalista, porque a nossa cultura há muito que não se fala num sistema educacional. Portanto, precisamos retratar estes lugares, monumentos e nossos antepassados para que a nossa juventude tenha conhecimento da sua existência e seus verdadeiros significados”, esclareceu.

Questionado sobre a garantia de qualidade do produto de origem de um país do continente asiático, como a China, na condição de proprietário da marca com seu sobrenome (Pegado), o investidor assumiu garantias de “alta qualidade” aos seus futuros clientes/consumidores, porquanto a marca assumir-se-á no mercado angolano e não só como fabricante e não apenas como simples concessionária.

“A marca Pegado vem a Angola para ficar, e ficar para mandar. Eu próprio sou a garantia número 1 da marca. Não vou trazer um produto sem qualidade para os angolanos. Vamos ter toda logística para assistência técnica, manutenção e peças sem limitação, porque uma coisa é ser representante, outra é ser fabricante”, assumiu o empresário angolano, tendo realçado de que a origem da marca “Pegado” é uma homenagem ao seu pai, de eterna memória.

Das bicicletas, buggys 4×4 aos automóveis

Quando se dirige a alguns bancos, Bruno Pegado escuta sempre, deles, o seguinte: ‘por que é que não começa por algo mais pequeno? Apesar da idade, há muito que o jovem que deu os primeiros passos no ramo empresarial e no segmento em que se quer manter. A evolução para os automóveis convencionais, cujos primeiros exemplares estarão em Angola tão-logo se conclua o pagamento, é fruto de uma jornada que teve início com outros produtos da marca Pegado. As E-Bikes Pegado, as motorizadas Welwitcha, Cuanavale, Mwana Pó, Ndemba, Ombaka, Tundavala, Yaka e Tundavala Forças Especiais, assim como os buggys 4×4 Bakama, Grande Bakama, Kalandula e Kalandula Forças Especiais foram alguns dos produtos que já foram comercializados pelo Grupo Bruno Miguel Pegado (BMP), hoje sem stocks devido à procura que tiveram no passado e a falta de financiamentos. Aliás, como aficcionado, foi com um dos automóveis que o próprio fabricou, o Ombandja Rafeiro, que atingiu um dos lugares cimeiros de um dos campeonatos todo-o-terreno em Angola.

‘Eu queria manter aqui (na loja) pelo menos um modelo de cada, mas não foi possível’, desabafou o empresário, apontando para um dos espaços da loja que possui na Centralidade do Kilamba, em Luanda, onde também comercializa outros produtos. A partir do Ramiros, onde arrendara um espaço, pretendia continuar a montar as bicicletas, motos e os buggys 4×4, mas uma vez mais a falta de apoios da banca em cerca de cinco milhões de dólares também o impossibilitou, tendo grande parte da mercadoria sido retida no Porto de Luanda. ‘Com Deus no comando’, um dos slogans que diz levar para onde vai, Bruno Pegado não esmorece, apesar das dificuldades que ainda encontra. Continua a avançar com os meios próprios, a desfazer-se de alguns bens e a apostar na marca. ‘Quando estou em baixo, algo corre mal e o vejo, dá-me vontade de continuar a trabalhar’, contou o jovem, apontando para um trofeu que venceu na 5ª edição da Expo Transportes e Logística de Angola, na categoria de melhor empresa privada. ‘Estou atrás dos meus sonhos.
Sou um patriota. Se der certo teremos, garantidamente, mais de mil postos de trabalho no país’, rematou, sonhando com a implementação da linha de montagem dos automóveis Pegado em Angola.



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