Luanda - Antigo braço direito de Eduardo dos Santos foi ouvido recentemente  numa “audição discreta” na sede da PGR, num processo em que foi arrolado Mirco Martins, seu filho, e outro ex-presidente da Sonangol, Francisco Lemos.

Fonte: Expansão

Investigação de corrupção no processo TAP/Sonair


O ex-vice-presidente Manuel Vicente foi interrogado, na Direcção Nacional de Prevenção e Combate à Corrupção (DNPCC), num processo de inquérito no âmbito da investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro entre a Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) e a Sonair, a transportadora aérea pertencente à Sonangol.



Trata-se de um processo em que a subsidiária da Sonangol é acusada de ter pago elevadas quantias à TAP durante cerca de quatro anos, até 2013, para que esta lhe fizesse a manutenção aos aviões. Acontece, de acordo com fontes judiciais, que nenhum serviço foi prestado e os dinheiros públicos em causa foram utilizados para a compra de apartamentos luxuosos em Portugal.


O Expansão contactou o porta-voz e director do gabinete do Procurador- Geral, Helder Pitta Grós, o procurador Álvaro João, que confirmou a audição do ex-vice- -presidente de José Eduardo dos Santos, Manuel Vicente, mas recusou- se a prestar informações sobre o andamento do processo por razões de segredo de justiça.


O alegado esquema de corrupção ocorreu no período em que Manuel Vicente estava à frente da companhia, razão pela qual a PGR entende que a operação terá sido do seu conhecimento, mais ainda pelo envolvimento do seu filho Mirco Martins, também ele ouvido pelos procuradores da DNPCC, numa audição dirigida pela procuradora Inocência Pinto.



Outro angolano implicado no processo é Francisco Lemos Maria, o economista   que havia substituído Manuel Vicente na presidência da Sonangol. Fontes judiciais revelam que não foi aplicado nenhuma medida de coação, uma vez que o processo se encontra ainda em fase de instrução contraditória.



O Expansão tentou contactar Manuel Vicente através da Assembleia Nacional e de pessoas próximas, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.


Em Dezembro passado, a PGR solicitou às autoridades portuguesas, através de cartas rogatórias, o arresto de bens, sobretudo de nove residências, no caso TAP/Sonair.


Em Portugal, três advogados e outras quatro pessoas que tiveram ligação à TAP, um deles como membro do Conselho de Administração, foram acusados pelo Ministério Público de Portugal (MP) de corrupção activa com prejuízo no comércio internacional, branqueamento e falsificação de documentos.

A imprensa portuguesa noticiou que as casas em questão foram apreendidas pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) de Portugal no quadro do processo, mas o juiz do processo Ivo Rosa decidiu, depois de não levar os sete arguidos do caso a julgamento, restituir os imóveis aos seus proprietários, na maior parte dos casos, sociedades ‘offshore’. Decisão contestada pelo Ministério Público português.



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