Ondjiva - O Presidente angolano admitiu neste final de semana, em Ondjiva, a necessidade de reforçar o Programa de Emergência de Combate à Seca no Cunene para acautelar o agravamento do fenómeno, refletido no aumento de mortes de pessoas e animais desde outubro de 2018.

Fonte: Lusa


Em declarações aos jornalistas no final da visita que efetuou à província do sul do país, João Lourenço manifestou-se "preocupado" com o facto de os próximos cinco meses continuarem a ser de estiagem, uma vez que marcam a época seca (cacimbo) em Angola, e continuarem a afetar quase 300 mil famílias.

 

"Estamos preocupados com os próximos meses, sobretudo os próximos quatro ou cinco meses [até outubro], que é quando começam as chuvas no país. E, até lá, acreditamos que esse quadro, que observamos no Namibe e Cunene, se vai agravar", referiu.

 

"A partir de 15 de maio, começa em Angola a época seca propriamente dita, que será bem mais severa, com o clima a oferecer condições mais adversas para as populações e para o gado. É diferente de se viver a seca em época de chuva", sublinhou.

 

Ao fazer um balanço da visita ao Namibe e Cunene, as duas províncias vizinhas mais afetadas pela estiagem, João Lourenço admitiu que, face à realidade, a resposta do Governo também deve ser mais efetiva, com caráter de emergência, para uma solução definitiva.

 

Porém, enquanto esse momento não chega, João Lourenço alertou para a necessidade de se ir dando prioridade às emergências que vão surgir nos próximos tempos.

 

"O programa de emergência deve ser reforçado para que, até lá, não se tenha mais perdas humanas e de gado nesta região", frisou.

 

João Lourenço adiantou que a sua presença nas duas províncias é sinal de que o Governo está atento ao que se está a passar em todo o Sul de Angola, em particular no Namibe e no Cunene, cada uma à sua medida, mas também nas províncias da Huíla e do Cuando Cubango.

 

"Do que vimos ontem [sexta-feira] no Namibe e hoje aqui em Ondjiva [capital do Cunene], saímos com a impressão de que estamos perante uma situação bastante crítica. A seca deste ano é bastante severa e as populações, como consequência disso, estão a sofrer bastante, mas o Governo não está indiferente a isso", garantiu.

 

O chefe de Estado explicou que o Governo tomou algumas medidas com caráter de emergência, para fazer, de imediato, frente à situação, mas precisa de encontrar soluções definitivas para o futuro, que, no seu entender, não podem ser resolvidas em um dia.

 

"Os programas que nós aprovamos [compra de bidões, camiões cisterna, abertura de furos, desassoreamento de ribeiros, construção de barragens, canais adutores e transvase] vão ser executados num período de três anos e meio ou mesmo quatro anos", sublinhou, lembrando as medidas tomadas a médio e longo prazo.

 

Em 02 de abril, João Lourenço aprovou um pacote financeiro de 200 milhões de dólares (178,2 milhões de euros) para solucionar os "problemas estruturantes" ligados aos "efeitos destrutivos" da seca que assola o Cunene, ordenando, ao mesmo tempo, às autoridades locais para que "desencadeiem, de imediato, os procedimentos de contratação, por concurso público", dos serviços para a edificação de um conjunto de obras com aquele fim.

 

Em concreto, João Lourenço ordenou a construção de um sistema de transferência de água do rio Cunene, que partirá da localidade de Cafu até Shana, nas áreas de Cuamato e Namacunde, destinando para a obra o valor em kwanzas equivalente a oitenta milhões de dólares (71,3 milhões de euros).

 

Um segundo projeto prevê a construção de uma barragem na localidade de Calucuve e o seu canal adutor associado, num custo global de 60 milhões de dólares (53,5 milhões de euros), no seu correspondente em moeda nacional.

 

O Presidente angolano destinou também 60 milhões de dólares (também 53,5 milhões de euros) para a construção de uma outra barragem e o respetivo canal adutor, na localidade de Ndue.

 

Em 26 de fevereiro, o vice-governador da província do Cunene, Édio Gentil José, decretou o "estado de calamidade" devido à seca, que continua a afetar mais de 285.000 famílias, pedindo a Luanda mais apoios e a definição de estratégias para mitigar o fenómeno.

 

"Estamos a falar de um total de 285.000 famílias afetadas em toda a província. Continuamos a somar porque, enquanto não chove, os números têm tendência para aumentar. A província atravessa um dos piores momentos de seca", disse então.



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