Luanda - As autoridades angolanas anunciaram hoje que das cerca de 310.000 pessoas que vivem com VIH/Sida no país, apenas 75.000 fazem o tratamento antirretroviral, manifestando-se preocupadas com a "elevada taxa de abandono de cerca de 50%".

Fonte: Lusa


Segundo o secretário de Estado para a Saúde Pública de Angola, José Vieira da Cunha, a taxa de prevalência de VIH/Sida no país é de 2%, afirmando que "determinantes sociais e a crise económica impediram os progressos da expansão do diagnóstico e tratamento" da epidemia.

 

"Temos hoje cerca de 75.000 pessoas em tratamento antirretroviral, porém ainda enfrentamos muitos desafios a serem superados, principalmente relativos ao abandono do tratamento, que se estima em cerca de 50%", frisou.

 

Segundo o governante, "apesar dos investimentos do executivo" para expandir o diagnóstico e o tratamento da doença, atualmente a cobertura de tratamento com antirretrovirais em Angola está estimada em 27% para adultos, 34% em mulheres grávidas e 14% em crianças.

 

"Para que todos os avanços que a ciência nos proporcionou em relação a esta epidemia sejam acessíveis a todos, precisamos garantir que os direitos humanos sejam respeitados, que não haja discriminação de qualquer natureza", disse.

 

José Vieira da Cunha falava hoje, em Luanda, na abertura do workshop de balanço da subvenção VIH do Fundo Global (FG) 2016-2018 a Angola, promovido pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) assumiu que o país "ainda enfrenta vários desafios" no domínio do VIH/Sida.

 

Nesta luta, observou, Angola tem tido a "inestimável colaboração" do Fundo Global através de projetos que este órgão financia, e no caso do VIH/Sida, que o PNUD implementa como principal recetor.

 

De acordo com o governante angolano, entre 01 de julho de 2016 e 31 de junho de 2018, o FG disponibilizou cerca de 30 milhões de dólares a serem aplicados em atividades da resposta ao VIH/Sida e cerca de 70% do montante foi para a aquisição de antirretrovirais.

 

"Todo o recurso executado teve um papel inestimável, mas ainda nos falta muito para o alcance das metas que assumimos", realçou.

 

Em maio, o Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS) angolano anunciou que pelo menos 13.000 pessoas morrem anualmente vítima da doença e que das 310.000 pessoas vivendo com VIH/Sida, cerca de 27.000 são crianças, 190.000 mulheres e 21.000 grávidas.

 

As províncias angolanas do Cunene com 6,1%, Cuando Cubango com 5,5%, Moxico 4,0% e Lunda Sul com 3,9% "continuam a registar altas taxas" da doença segundo as autoridades.

 

José Vieira da Cunha considerou hoje que para aumentar o diagnóstico, a ligação das pessoas com VIH/Sida aos serviços e a retenção em tratamento, "é preciso unir as melhorias em logística e recursos humanos" a serem promovidos pelo Ministério da Saúde.

 

"Os recursos nunca são suficientes para todos os planos que desejamos executar, principalmente, em períodos de crise mundial. Mas temos feito advocacia a todos os níveis para expandir a oferta de serviços de saúde de qualidade e os projetos comunitários", concluiu.

 



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