Luanda - Se alguém lhe dizer que os fundadores do MPLA (Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz, Gentil Viana, Hugo Azancot de Menezes, Matias Miguéis e Eduardo Macedo dos Santos) são amadores, saiba que os profissionais inventaram o Titanic e os amadores inventaram a Arca de Noé. Quando alguém se recusar dos fundadores do MPLA, a história saberá dizer que ninguém apagará os marcos históricos dos trabalhos de Mário Pinto de Andrade, de Viriato Clemente da Cruz, de Hugo Azancot de Menezes, de Matias Miguéis, de Gentil Viana e de Eduardo Macedo dos Santos, aliás, são esses os verdadeiros artífices históricos do MPLA, que fizeram surgir o MPLA na face da terra, se de Viriato Clemente da Cruz parte a ideia da criação do PCP, depois o mesmo seria transformado em PLUA por Ilídio Machado após ser preso pela PIDE em 1956, não se pode negar o trabalho exercido pelos nacionalistas Mário Pinto de Andrade, Viriato, Matias Miguéis, Gentil Viana, José Eduardo Macedo dos Santos e Hugo Azancot de Menezes, cujo vislumbre fez – se viveiro histórico da origem do MPLA. Mesmo que os homens se calem, a história jamais se calará, porque sem o trabalho acérrimo desses nacionalistas, o surgimento do MPLA, nem sequer no sonho estaria previsto, de então.

Fonte: Club-k.net

O primeiro farol que iluminou a libertação de África do mundo escravo, encontra – se no distante tempo que pariu a conferência de Bandung. Pela ironia do destino, Angola foi a grande ausente nesse encontro de carácter essencial sobre o fim do colonialismo em África. Bandung incidiu sobre inúmeras modificações que deram – se nascidas no plano africano e asiático, modificações estas, centradas em cenários políticos de carácter profundo e irreversível no plano da estrutura internacional. Foi a partir de então, que deu – se o surgimento do terceiro mundo, cujo alicerce era caracterizado por uma sólida unidade ideológica, firmada no neutralismo africano, estabelecida em laços que enalteciam a liberdade dos povos da Ásia e de África da ocupação ocidental, impondo desde então o anti – colonialismo e o fim de uma era nebulosa e escrava para África e Ásia.

A consolidação, em paralelo, do terceiro mundismo, do neutralismo e do não-alinhamento, após a II Guerra Mundial, assenta:

· sobre uma consciência de subdesenvolvimento, aliada à da potencialidade virtual em matérias primas e/ou em posições geo-estratégicas;

· sobre consciências culturais;

· ou sobre a progressiva constatação de b) e os decorrentes esboços de alternativa […].

 

 

O objectivo desta conferência sobre os Estados de África ainda sobre alçada colonial eram claros, apelava – se como meta capital a necessidade de afirmação da independência, dado que esta representava “[…]. a tomada de consciência dos povos da Ásia, quanto ao seu valor, como ainda o reconhecimento da necessidade de uma solidariedade activa com os de África […].”

 

Quando o mundo sentiu a voz do fim da conferência de Bandung, tornou –se um facto a voz clamada de vivo tom pelos conferencistas, segundo os quais, a necessidade emergente da independência do continente berço, se tornara numa palavra de ordem, e, que todos os povos que já viviam à baixo da sombra de independência, fossem desenvolver esforços titânico no plano de ajudas bilaterais à países ainda reféns do colonialismo, seja de que índole fosse.

 

Foi aí também considerado o colonialismo como um mal ao qual era preciso pôr fim rapidamente, uma vez que a sujeição dos povos à exploração estrangeira constituía uma negação dos direitos humanos elementares e era contrária à Carta das Nações Unidas (a que a Conferência aderia inteira e plenamente), bem como à Declaração Universal dos Direitos do Homem.

 

O ar respirado no desfecho de Bandung continuava teimoso à inspirar um senso delirante entre os conferencistas, colocando rancor na garganta dos conferencistas, rapidamente brasonavam atropelar o mundo escravizador do velho continente, e, o lançar longe da perspicácia de África. As vozes levantaram – se em ódio como o som de um simbalo que tine de madrugada, tocaram a sua trombeta para que não se calassem os morteiros encontrados já em estado de riste, e ordenaram as armas automáticas à começarem à emitir as suas vozes sem parar, até que se poderia ver uma África em pé, mas independente […] da vontade escrava. Os ataques verbais dos africanos ficaram robustos, e ousaram ser a hora da virada, para arrebatar África presa nas mãos do Ocidente, mesmo que fosse isto realizado sobre letras escritas com tinta de feito à sangue derramado em frente de combate dos próprios filhos de África à morrer pela liberdade de sua mãe, que fosse isso realizado com ferro ou com o bronze, caso a razão e a palavra não fossem capazes de curarem as feridas implantadas pelo colonialismo. A liberdade se transformara num acto imperativo para África, que se tornara desde então, o continente do terceiro mundo, e, em processo subdesenvolvido. Neste enxofre de vozes ansiosas, umas agudizadas outras moderadas, as ondas do nervosismo contra o colonialismo ocidental não encontravam silêncio algum. No final do encontro, os conferencistas levantaram em audácia a previsão da realização de um novo colóquio dos países africanos em Cairo. Todavia, o tempo ditou – lhe à realizar em 26 de Dezembro de 1957 e 1 de Janeiro de 1958, afirmando – se no firmamento mundial uma voz africana que desfraldava em nome do neutralismo panafricano.

 

As vozes de África revoltaram – se contra a URSS, como crocodilos atacam a sua vítima em rios adormecidos pelo silêncio, e, acusaram – na de estar à inflamar o avanço do colonialismo em África, pela ironia do destino, no Cairo, a URSS apareceu com um voz de leão [nas profundezas do seu juízo encontrava – se guardado um segredo em nome da expansão do comunismo e do socialismo para contra – pôr o domínio do capitalismo e da democracia de natureza americana], em nome da liberdade do continente berço, completamente manipuladora, a apresentação em nome da URSS, na pessoa do seu representante, era destemido em nome de uma África livre da vontade colonial que voava do Velho Continente, nestas declarações, um ar de surpresa tomou o corpo do ânimo dos conferencistas, e, em pé, levantaram – se em aplausos, abraçando agora a URSS como importante aliada na luta contra o colonialismo imposto pelo Ocidente. A URSS afirmava ser capaz de ajudar África com todos os seus recursos materiais e financeiros, para levar esta, longe da escravidão ocidental. Como o Egipto, nessa altura, era afiançado por Moscovo, o neutralismo traduzia – se numa aproximação ao sovietismo.

 

 

Nkrumah, Chefe do Governo do Ghana, que em 6 de Março de 1957 proclamara a independência do seu país, vendo inicialmente em Nasser um papel útil para o suporte na luta contra o colonialismo, apoia-o, mas, retomando a ideia da Negritude, vai depois procurar distanciar-se e transferir para a África Negra a direcção surgida e tutelada em Bandung.

 

Nesta conferência a Ásia passou à revelar – se descontente com o processo de colonização, quer essa imposta na Ásia como na África, nesta sorte, uma misantropia veio à ser imposta pelo movimento afro – asiático contra o processo de colonização ocidental, não tardou para que se fosse calar de modo mediato a turbulência colonial dos povos europeus ligados aos seus vassalos africanos.

 

Ao movimento e ao sentimento com ele articulado podemos ir buscar as origens de vários acontecimentos em África e na Ásia, assim como a sua actuação, em bloco, na ONU. Podemos, então, ligar a este movimento o Pan-Africanismo, iniciado por Henry Silvester Williams, no início do século, e cuja influência se manifestou sobretudo depois da Conferência de Bandung.


Nota – se neste congresso que pela primeira vez na história do movimento panafricano, os delegados africanos engrossaram com maior número a cúpula panafricana, tendo - se evidenciado debates cujo foco visava a libertação de uma África colonizada. Esse congresso foi realizado por um secretariado especial presidido por Peter Milliard da Guiana Inglesa (actual Guiana), incluindo R. T. Makonnen das índias Ocidentais (tesoureiro), Kwame Nkrumah de Côte-de-l'Or (actual Gana), George Padmore de Trinidad (co-secretários), Peter Abrahams da África do Sul (secretário de relações públicas) e Jomo Kenyatta do Quênia (Secretário adjunto). O congresso reuniu mais de duzentos delegados a maioria das colónias britânicas na África, que incluía futuros chefes de Estado independentes. Um veterano do panafricanismo, W. E. B. Du Bois presidiu todas as sessões do congresso. As deliberações e especialmente as resoluções do Congresso de Manchester foram marcadas por um tom muito mais agressivo e muito mais radical do que nos congressos anteriores. A declaração às potências coloniais foi citada com veemência e altivez visando o seguinte:

A. «a completa emancipação e independência dos africanos e outros grupos raciais sujeitos ao domínio das potências europeias alegando exercer poder soberano ou tutela»;

B. «a revogação imediata de todas as leis raciais e outras leis discriminatória»;

C. «liberdade de expressão, associação e reunião, liberdade de imprensa»;

D. «a abolição do trabalho forçado e a igualdade de remuneração para trabalho igual»;

E. «o direito de votar e elegibilidade para qualquer homem ou mulher com idade de vinte e um anos ou mais»;

F. «o acesso de todos os cidadãos aos cuidados médicos, protecção social e para a educação».


Os delegados também exigiram que a África fosse removida da dominação imperialismo estrangeiro político e económico. Pela primeira vez os africanos alertaram fortemente às potências europeias que se persistissem em querer colonizar África à força, eles também acorreriam ao uso da força para recuar o mundo escravo, e se tornarem livres. Ao mesmo tempo, em uma declaração dirigida aos povos da África, os delegados enfatizaram o facto de que a luta pela independência política foi apenas o primeiro passo e os meios para alcançar a emancipação completa economicamente, culturalmente e psicologicamente. Eles pediram a população de cidades e campos africanos, intelectuais e membros de profissões liberais à unir – se, a organizar – se e a lutar até a independência de África em completo.


O quinto congresso finalmente constituiu o panafricanismo uma ideologia de massa, desenvolvida por africanos para o bem de África. Primeira ideologia reformista e protestante que fez o uso massivo das populações de origem africana residente na América, o panafricanismo se tornou uma ideologia nacionalista e defensora da libertação do continente africano. Panafricanismo no mundo de Du Bois, a luta de Garvey pela autodeterminação e autonomia, o retorno à cultura africana defendida por Césaire passaram à compor desde logo a totalidade do nacionalismo africano. Vários delegados, como Nkrumah ou Kenyatta partiram logo após Londres à África, onde eles iriam levar seu povo à independência. Todos os movimentos nacionalistas incluídos em suas disposições estatutárias inspiraram – se do panafricanismo

 

[…] Da segunda - a 1ª Conferência de Estados Africanos Independentes, que decorreu entre 15 e 22 de Abril de 1958, - destacamos na Declaração Final, a fidelidade à Carta das Nações Unidas, à Declaração Universal dos Direitos do Homem e à Declaração da Conferência de Bandung, denotando, deste modo, um forte sentido de unidade em relação ao Ocidente, unidade esta que assenta na própria unidade do Continente que tinha em comum a sujeição colonial, no passado, e uma determinação de evitar aderir a qualquer bloco […].

 

Todavia, ao longo da realização da segunda conferência, que teve lugar em Acra, dos 6 aos 13 de Dezembro de 1958, tomaram expressão emitidas nas vozes de Nkrumah as seguintes fases à serem impostas pela vontade da maioria presente que clamava por uma África independente de forma absoluta:

1) Obter a liberdade e independência;

2) Consolidação da liberdade e da independência;

3) Criar a unidade e a comunidade dos Estados livres de África – Estados Unidos de África;

4) Proceder à reconstrução económica e social do continente africano […].

 

No final da Conferência, foram adoptadas três resoluções que, com base no direito dos povos disporem de si mesmos, visavam encorajar os movimentos independentistas em toda a África. Após estas duas Conferências em Accra, a discussão passa a pôr em causa a própria presença do homem branco no Continente. “A segunda Conferência de Estados Africanos Independentes decorreu de 4 a 8 de Agosto de 1959, em Monróvia, tendo sido adoptadas quatro resoluções; a quarta proclamou o direito à autodeterminação dos territórios coloniais.”

De 25 à 31 de Janeiro de 1960 tornava – se realizada a segunda Conferência dos Povos Africanos em Tunes. Tal anúncio veio como o relâmpago dos céus que de súbito despertou nacionalistas angolanos à comparecerem em peso, se em Bandung, nenhum angolano se fez presente, desta vez, os nacionalistas angolanos, não foram mais tomados pelo sono. De tão cedo, ouviu – se o simbalo da alvorada, e, a marcha dos nacionalistas angolanos que arrepanhavam as mangas, e, lançavam – se à caminho de Tunes. Desde logo, volveram – se, à colocar pela primeira vez a sola dos sapatos, sobre o chão de Tunísia. Em Tunísia avistaram – se com o líder fundador da UPA.

 

O grémio de intelectuais do MAC não pude tomar parte da conferência afroasiática que teve campo no Cairo, por volta de 1957. A cúpula do MAC, somente se fez presente num evento de alto valor, enaltecido em nome da independência, que teve lugar em 1959, cujo espaço, era a capital de Itália, o qual intitulava - se:

 

· IIº Congresso de escritores e artistas negros.

Foi no movimento de vozes clamadas em nome da independência, que a consciência sobre as reais alternativas à tornar práticos os sonhos, foi conseguida. Todavia, Roma deu – lhes a sorte, e serviu – lhes de muleta à transmitir amizade em nome da independência de Angola, um médico psiquiatra de vislumbre racional raro e de argúcia elevada, cujo nome era Frantz Fanon, médico revolucionário e autêntico panafricanista abraçou a causa da cúpula do ultramar, Fanon teria oferecido – se de forma altruísta como mestre de guerra, para treinar o grémio de intelectuais ultramarinos, no que concernia as tácticas de guerra e invasão militar, assim como operações militares anti – colonialistas junto do exército argelino, para de então, começar um enérgico esforço de guerra anti – colonial, aplicado sobre o plano real angolano. Fanon voltaria a insistir na necessidade de penetração em território africano e na nacionalização da luta. Fanon, teria também ofertado um livro para ajudar os jovens nacionalistas intitulado “Os Condenados da Terra”, acreditava que só com a guerra era possível acabar com a colonização no ultramar.

 

 

De Túnis, os nacionalistas da África Lusa ali presentes, exalaram o seu ar de preocupação com a grande ausência do confrade Amilcar Cabral, a cúpula preocupou – se com a sua ausência, os homens ficaram ansiosos com o coetânio que ficara por teimosia em Paris, sem querer embarcar à Tunísia, o clima ali vivido dava sorte aos fins que todos em uníssono clamavam por defender, mas a grande ausência de Cabral inspirava um mal-estar na cúpula. Todavia, chegaram a telefonar para Amílcar Cabral em Paris, a pedir - lhe que embarcasse de súbito à Tunísia, porque todos recomendavam a conveniência de, [no futuro], se apresentar com uma formação nacional própria para cada província do ultramar [actualmente País]. Mas a teimosia de Cabral e de Lara, fizera – lhes retidos em Paris, não obstante, o chefe fundador do partido que tornou livre Guiné – Bissau do colonialismo — PAIGC [Amilcar Cabral], ficou importante e raro nesse instante, nem mesmo o grande Tchiweca [Lara], assim como outros coevos da cúpula de nacionalistas do ultramar, conseguiram que a “All African Peoples” aceitasse o “MAC” como membro. Era imperativo repensar um partido de dimensão nacional naquela altura, mesmo sendo num lugar inconveniente chamado “Hotel Bristol”, assim, a 31 de Janeiro de 1960, dissociou – se o “MAC”, para tornar uma nova força política à fazê – lo substituto, era o “FRAIN” — Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas, pensado e criado por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz e seus coetâneos presentes, [excepto Amilcar Cabral e Lúcio Lara] em Tunes que serviria de representação para a entrada como conferencistas de Tunes, passou assim à surgir uma outra organização política desde então, parafraseando Nelson Mandela “A tarefa mais difícil da vida é a revolução e a mudança”.

Foi em Tunes, onde Viriato da Cruz repensa o estatuto do PLUA, onde o mesmo num acto imperativo diz ser necessário a formação de um movimento popular amplo, que viesse congregar variadas organizações no seu âmbito. Desde logo, aparece aos olhos do mundo inteiro pela primeira vez em Tunes (1960) o nome MPLA na voz de Viriato da Cruz, um nome que se encontrava apenas no manifesto do PLUA cuja natureza de sua origem tinha de Viriato da Cruz seu cunho desde 1956 quando fora instituída a sigla MPLA, e 1958 quando terá posto a circular a necessidade de se inventar um amplo movimento de libertação popular.

 

 

A recusa de aderir ao MAC por Amilcar Cabral apareceu em forma de brasas acesas, quando fez declarações abertas numa carta dirigida aos seus confrades ao 29 de Março de 1961, segundo a qual era imperativo que o MAC fosse deixar de existir, e os seus elementos consolidarem novas ideias para instituírem novas organizações [pensar em] de natureza nacional. O seu núcleo directivo impulsionará a formação de movimentos de cada colónia e desempenhará as funções de ‘comissão coordenadora da luta de libertação, na retaguarda do inimigo. Era o tempo do MAC conhecer o seu dia do fim, e nada lhe ser reservado mais à continuar em frente dos sonhos da unidade das colónias do ultramar português, estava claro que cada colónia deveria formar o seu partido e depender deste para a libertação desta colónia, os irmãos do MAC encontraram alternativas para isso, e constituíram partidos para cada colónia iniciar uma guerra armada contra o império de Salazar.

 

BEM - HAJA!

 



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