Luanda - O fardo das perturbações mentais continua a aumentar, com impacto significativo na saúde e consequências devastadoras a nível social e económico, em todos os países do mundo. Para responder adequadamente a estes desafios no país, o Ministério da Saúde em Angola, com o apoio da OMS, realiza a partir de hoje, em Luanda, uma oficina de consenso e validação da Estratégia de Saúde Mental, Álcool, Tabaco e Outras Drogas.

Fonte: Club-k.net

A oficina é uma iniciativa essencial, que permitirá a definição e aprovação da Estratégia de Saúde Mental, ferramenta crucial para a criação de capacidades de resposta aos principais desafios e prioridades de saúde mental, designadamente a prevenção; tratamento em tempo real; reabilitação e reinserção, baseados em evidências científicas actualizadas.


O Representante da OMS em Angola, Dr. Hernando Agudelo disse que os desafios da saúde mental exigem uma abordagem estratégica, com resposta integrada ao nível dos serviços de saúde e de cuidados sociais, por forma a garantir às pessoas com doenças mentais o direito a participação plena na sociedade.


“Com a definição da Estratégia de Saúde Mental, estarão criadas as linhas orientadoras para a promoção do bem-estar das pessoas com transtornos mentais, tratamento, acesso a programas educativos que se adaptem às suas necessidades, e ajuda para encontrar emprego e habitação que lhes permita viver e ser activos nas suas comunidades”, sublinhou.


Dados do Ministério da Saúde apontam que, em Angola, em 2018, foram registados cerca 31619 mil casos de pessoas afectadas com transtornos mentais, que incluem depressão, transtorno afectivo bipolar, esquizofrenia, demência, deficiência intelectual e transtornos de desenvolvimento.


Segundo a Coordenadora Nacional do Programa de Saúde Mental e Abusos de Substâncias, Massoxi Vigário, em Angola, nos últimos anos, os casos de violência, homicídios e suicídios tem crescido de modo assustador. Portanto, esta situação merecerá uma resposta adequada no âmbito da prevenção e tratamento em saúde mental, através da primeira estratégia nacional de saúde mental.


“Precisamos criar condições para melhor prevenir e tratar os transtornos mentais, bem como reduzir a mortalidade e morbilidade das pessoas com problemas mentais. Por conseguinte, uma estratégia de saúde mental abrangente e envolvente, é fundamental para a saúde e bem-estar das nossas populações”


A saúde mental tem um impacto crítico no desenvolvimento económico e no bem-estar das pessoas, todavia os sistemas de saúde continuam a não responder adequadamente ao fardo das perturbações mentais. Cerca de 76% a 85% de pessoas com perturbações mentais nos países de rendimento baixo e médio não recebem tratamento, enquanto que , cerca de 35% a 50% de pessoas com perturbações mentais nos países de rendimento elevado, encontram-se na mesma situação.

Esta realidade afecta fundamentalmente os mais vulneráveis, considerando que as pessoas expostas a dificuldades e em situação de pobreza extrema, apresentam maior risco de desenvolverem perturbações mentais e de comportamento, sobretudo as crianças e adolescentes, idosos, pessoas vítimas de abuso sexual e de violência doméstica.

Para inverter esta situação, a OMS exorta os governos a adoptarem uma liderança e governação mais eficaz para a saúde mental; prestar serviços abrangentes e integrados de saúde mental e assistência social em ambientes baseados na comunidade; implementar estratégias de promoção e prevenção; e reforçar os sistemas de informação e de investigação.

A oficina sobre a Estratégia Nacional de Saúde Mental, Álcool, Tabaco e Outras Drogas, a decorrer até ao dia 21, Sexta-feira, contará com a participação de 40 especialistas que vão discutir, propor recomendaçoes e validar a estratégia, e respectivo plano Operacional.



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: