Lisboa - A tentativa de golpe militar na Etiópia, esta madrugada, provocou a morte do chefe do Estado-Maior do Exército etíope e do presidente da região Amhara, onde teve lugar o ataque, revelou fonte do governo do país.

Fonte: Lusa

O chefe do Estado-Maior do Exército foi abatido pelo seu guarda-costas, horas depois de uma tentativa de golpe em Amhara, estado regional cujo presidente também foi morto, seguindo o porta-voz do primeiro-ministro do país.

 

O porta-voz disse à imprensa que um "comando assassino", liderado pelo chefe de segurança de Amhara, invadiu uma reunião sábado à tarde, ferindo fatalmente o presidente da região, Ambachew Mekonnen, e outro alto funcionário.

 

Um pouco mais tarde, o chefe do Estado-Maior do exército etíope, general Seare Mekonnen, foi morto pelo seu guarda-costas, durante o que parece ter sido "um ataque coordenado", segundo o porta-voz.

 

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, disse ao canal de televisão estatal que o seu governo frustrou esta madrugada uma tentativa de golpe de Estado, liderada por um oficial militar de alta patente e outros militares do país, numa região fora da capital, Adis Abeba.

 

No seu discurso, o primeiro-ministro disse que algumas pessoas foram mortas e outras ficaram feridas na operação.

 

A Embaixada dos Estados Unidos informou ter ouvido um tiroteio no sábado em Adis Abeba, tendo pedido às pessoas para terem cuidado.

 

O golpe contra o Governo desta região que junta a segunda maior etnia do país, começou na última hora de sábado na capital, Bahar Dar, e foi pouco depois dominada pela forças de segurança, segundo revelou à cadeia estatal ETV o porta-voz do primeiro-ministro, Nigussu Tilahun.

 

"A tentativa de golpe de Estado em Amhara é contra a Constituição e está destinada a perdurar a ganância na região", declarou , defendendo que "esta iniciativa deve ser condenada por todos os etíopes".

 

Um jornalista em Bahir Dar, a capital regional, disse à AFP que os tiros foram ouvidos logo após o pôr do sol e continuaram por várias horas.

 

Desde que assumiu o cargo, em abril de 2018, após dois anos de distúrbios na Etiópia, o primeiro-ministro reformista Abiy Ahmed está a tentar democratizar o país. Legalizou grupos dissidentes, melhorou a liberdade de imprensa, mandou deter dezenas de militares acusados de abusos dos direitos humanos e fez as pazes com a Eritreia depois de mais de vinte anos de conflito.

 

Apesar disso, a Etiópia foi palco de conflitos étnicos em várias partes do país nos últimos meses, nomeadamente entre os grupos Oromo e Somali.

 

Além das necessidades de ajuda humanitária aos deslocados, a Etiópia acolhe ainda perto de um milhão de refugiados oriundos de países vizinhos, como o Sudão do Sul e a Somália.

 

 



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