Luanda  - O Governo angolano apontou hoje a "qualificação de recursos humanos e a melhoria de condições de vida da população" como medidas para "vencer os grandes desafios" do VIH/Sida no país, que atinge cerca de 310.000 pessoas.

Fonte: Lusa

"Apesar dos esforços, como a implantação da 'Estratégia Testar e Tratar', temos uma taxa de abandono de cerca de 50% e uma taxa de transmissão do VIH de mãe para o filho de 26%", adiantou o secretário de Estado para a Área Hospitalar de Angola, Leonardo Inocêncio.

"Os desafios estão claros e são grandes. Para vencê-los, deveremos conseguir, entre outros, a redução da transmissão de mãe para o filho, melhorar as condições de vida da população, como a redução da pobreza e melhoria do saneamento e combater a falta de informação e o preconceito", afirmou.

O governante falava hoje, no município angolano de Viana, um dos mais populosos de Luanda, na abertura de um Encontro Nacional da Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO, organização não governamental).

No encontro, a ativista angolana, Carolina Pinto, seropositiva denunciou que instituições em Angola "continuam a exigir testes" de VIH/Sida para contratar, "inclusive a empregadas domésticas", afirmando que "persiste no país uma discriminação a vários níveis".

A ativista, que convive com a doença há 20 anos, considerou que as autoridades angolanas "devem rever as ações" de combate ao VIH/Sida, dando o exemplo do "insuficiente número de recursos humanos para dar resposta ao número de pacientes existente".

Contudo, na sua intervenção, o secretário de Estado para Área Hospitalar angolano deu conta que o Ministério da Saúde "está a promover mudanças na gestão do Sistema Nacional de Saúde a fim de torná-lo mais eficiente e humanizado".

"E tem feito advocacia e todos os níveis para a mobilização de recursos que permitam investimentos em melhorias e qualificação. Temos tido apoio do executivo e trabalhado incansavelmente para construir um sistema de saúde resiliente e sustentável", referiu.

"Especificamente para a redução da transmissão do VIH/Sida da mãe para o filho, realçou, temos o apoio total da primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, que lidera a Campanha Nascer Livre para Brilhar", acrescentou.

A taxa de seroprevalência em Angola é de 2,0% e as províncias angolanas do Cunene, com 6,1%; Cuando-Cubango, com 5,5%; Moxico, 4,0%, e Lunda Sul com 3,9% "continuam a registar altas taxas" da doença, segundo as autoridades.

 



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