Luanda - O Presidente angolano desdramatizou sexta-feira as "48 horas" da polémica que antecedeu as exéquias fúnebres do líder histórico da UNITA, realizadas a 01 deste mês, defendendo que o que conta para a história é o "final feliz".

Fonte: Lusa


João Lourenço, em entrevista ao semanário Novo Jornal e pela Televisão Pública de Angola (TPA) difundida na noite de sexta-feira, lembrou que o Governo angolano apoiou o processo desde o início, quando, em meados de 2018, o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Isaías Samakuva, o abordou nesse sentido.

 

"Não houve muita polémica. Só 48 horas. No fim do jogo, se se ganha, é o que conta. Ninguém vai querer saber se algum jogador se magoou durante a partida. Teve um final feliz. O que são 48 horas de desentendimento", afirmou o Presidente angolano, que se escusou a entrar em pormenores sobre uma eventual falta de diálogo entre Pedro Sebastião, de um lado, e a família e a UNITA, do outro.

 

Jonas Savimbi, cofundador da UNITA, em 1996, foi morto em combate em 2002, o que levou ao final dos 27 anos de guerra civil, e estava sepultado desde então no cemitério municipal do Luena, à guarda do Estado angolano.

 

Durante todo o processo que se seguiu, com a exumação dos restos mortais de Savimbi e com a confirmação do corpo através do ADN, as exéquias fúnebres, realizadas a 01 deste mês, estiveram em perigo de não se realizarem devido a desentendimentos entre o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República angolana, Pedro Sebastião, e a UNITA e a família de Savimbi.

 

Pedro Sebastião alegou que tinha ordens para transportar os restos mortais do Luena, capital da província do Moxico, para o Andulo, no norte da do Bié, e não para a capital provincial, Cuíto, onde se encontrava a família e todo o "Estado-Maior" da UNITA a aguardar pela entrega da urna.

 

O impasse só foi ultrapassado depois de Samakuva apelar a João Lourenço para ajudar na resolução do problema, o que só se verificou na véspera das exéquias fúnebres, que decorreram em Lopitanga, 30 quilómetros a oeste do Andulo, terra natal dos pais de Jonas Savimbi, numa cerimónia que contou com milhares de convidados.

 

Sexta-feira à noite, na entrevista, João Lourenço referiu também que a sua presença nas exéquias fúnebres de Savimbi nunca esteve perspetivada.

 

"Não podia acontecer. Nunca alimentámos tratar o caso como um funeral de Estado. Apoiámos sempre todo o processo", afirmou, recusando qualquer comparação com o caso do antigo general da UNITA Arlindo Chenda Pena ("Ben Ben"), a 13 de setembro de 2018, quando o corpo foi trasladado de um cemitério sul-africano e tratado em Luanda com "honras de Estado".

 

"Não há comparações com 'Ben Ben', que foi um general oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA), Chefe do Estado-Maior Adjunto das FAA [depois da unificação dos exércitos governamental e da UNITA]. Era um homem de Estado e teve honras de Estado. Não tem comparação possível", sustentou João Lourenço.

 

O general "Ben Ben" morreu de doença na África do Sul em 1998.

 



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