Luanda - O código de estrada, em vigor no nosso país, determina a condução pela direita, mas a verdade é que boa parte dos condutores (de todas as idades e ambos os sexos) prefere conduzir pela esquerda, causando transtornos à fluidez do trânsito e provocando mesmo acidentes.

Fonte: Club-k.net

Como se sabe, em cada país, o código de estrada determina se a condução se faz pela direita ou pela esquerda. E as estradas são construídas e sinalizadas, tendo em conta esse pormenor.


Instrutores de condução, agentes de trânsito, condutores e peões foram desde tenra idade educados segundo esse princípio, de modo que cada um actue nessa base, sempre com o fito de facilitar o trânsito e evitar acidentes.


Mesmo quando andamos nos passeios e nas escadas rolantes, funciona normalmente esse mesmo princípio da condução, pois os nossos cérebros ficam formatados nessa base.


Por cá, o código de estrada determina a condução pela direita. Isso pressupõe que a ultrapassagem se deve fazer pela esquerda, sendo também a faixa da esquerda, a denominada faixa rápida.


Contudo, não se sabe por que carga de água, passou a ser comum para muita gente circular pela faixa da esquerda.


Há anos venho observando este fenómeno irregular (mais um!) e constato o seu rápido crescimento, ao ponto de haver viaturas da polícia e viaturas de escolas de condução a circularem lentamente pela faixa da esquerda, até em vias rápidas.


Por que razão isso acontece?

A principal razão tem a ver com o medo que se instala nos condutores, sobretudo nos menos experientes. E depois vira hábito.

Se antigamente esse medo nos obrigava a conduzir quase que apenas pela direita, hoje a situação inverteu, ao ponto de haver mesmo quem considera que a faixa da esquerda deve ser a mais lenta. Já ouvi de parte de um condutor, o seguinte: “Como eu conduzo sempre devagar, tenho mesmo que circular pela esquerda!”

Uma outra razão, que está certamente relacionada com a primeira, é o facto de os retornos se fazerem pela esquerda – e não pela direita, como determinam os manuais para os países onde a condução se faz pela direita.


Numa via rápida, não seria crível e menos ainda admissível que os retornos se fizessem pela esquerda. Tinham de ser feitos a partir da faixa mais lenta (a da direita). Mas, por incrível que pareça, não é isso que ocorre.


Quer dizer que as vias são construídas sem atender à regra básica enunciada, de retorno a partir da faixa pela qual se faz a condução. Ou seja, por cá, é o próprio Estado a inverter a regra, causando transtorno às cabeças já transtornadas de muitos condutores, que utilizam assim este argumento para circular lentamente pela faixa de rodagem mais rápida: “Vou virar à esquerda daqui a dez quilómetros…”


Condução pela esquerda é causadora de acidentes

Na grande maioria dos países, a circulação faz-se pela direita. Mesmo em África, a circulação faz-se mais comumente pela direita (como sucede em Angola.


Só na África Austral existe supremacia de países com condução pela esquerda, tal como se pode verificar na imagem a seguir (países a azul).


No que respeita a causas dos acidentes de viação pelo mundo, destaque vai para a distracção (ou falta de concentração na condução), que é responsável pela maioria dos acidentes. Eis a lista das principais causas de acidentes:


- olhar para o lado,
- olhar a paisagem,
- cansaço,
- distrair-se com os demais passageiros,
- condução na faixa errada (no nosso caso, condução na faixa da esquerda),
- falar ao telemóvel,
- más condições da via,
- condições climatéricas.


Por cá, devemos juntar a essas causas, as seguintes:

- má preparação dos condutores,
- condução sob efeito de álcool,
- má condição das viaturas,
- excesso de velocidade,
- sinalização inexistente ou pouco visível,
- individualismo exacerbado (do tipo “Quem tem prioridade sou eu. Sempre!”).

Devemos perceber que temos entre nós condutores (de ambos os sexos) que, mal entram numa estrada com 2 ou 3 faixas, se dirigem de imediato para a faixa da esquerda.


E isso tornou-se já um vício. Tanto que, se alguém que se sinta prejudicado por isso reclama, os infractores ainda reagem como se tivessem razão.


A consequência é, normalmente, os lesados serem obrigados a ultrapassar pela direita, apesar de o código de estrada o proibir.


Não é por acaso que, em tempos, um condutor experiente me disse que, “hoje em dia, a faixa rápida passou a ser a da direita”…


Também já ouvi dizer que os nossos maus condutores deviam ir conduzir para Moçambique ou para a África do Sul (onde a condução se faz pela esquerda). Mas não. Se eles forem para algum desses países, vão manter-se infractores, conduzindo aí pela direita. Portanto, sempre ao contrário daquilo que a lei determina.


Para além de acidentes, estes condutores de faixa da esquerda causam sérios embaraços ao trânsito, congestionando-o, com a completa anuência das autoridades.

Muitos engarrafamentos são causados por este tipo de má condução.

Pelo mundo, estima-se que a condução pela esquerda seja responsável por um número elevado de acidentes de viação. Nos Estados Unidos, esse valor foi de 4% em 2015.


Por cá, acredito que os erros de condução em geral (incluindo a condução na faixa da esquerda) sejam responsáveis por bastante mais de 15% dos acidentes de viação.

Reverter o quadro

É preciso reverter este quadro com urgência.


As escolas de condução têm de instruir convenientemente os aprendizes, do mesmo modo que os agentes de trânsito têm de passar a controlar este aspecto da má condução, que é a circulação pela faixa da esquerda.


Sugiro que se conceba rapidamente uma campanha, que inclua spots e anúncios com indicação daquilo que não devemos fazer no trânsito. E os agentes reguladores de trânsito devem circular pelas ruas das cidades, indicando a quem conduz lentamente pela faixa da esquerda qual a faixa de rodagem devida.


Depois, é preciso começar a aplicar pesadas multas a quem circule devagar na faixa da esquerda.


Enquanto isso não acontecer, continuaremos a perder tempo no trânsito, a ter acidentes que seriam de evitar e a pôr nas cabeças dos condutores que cada um pode mesmo estabelecer no trânsito automóvel as suas próprias regras.

Paulo de Carvalho



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