Benguela - O Projecto Integrado de Intervenção Dombe 4.0, desenvolvido pela Fundação ATLANTICO e demais parceiros, visa apoiar as famílias rurais da Comuna do Dombe Grande no caminho da sustentabilidade financeira, contribuindo para a dinamização da actividade familiar e para a sua integração no mercado formal da região.

Fonte: Club-k.net

Projecto Integrado Criado em Maio de 2018, o Projecto Dombe 4.0 arrancou com a realização de um diagnóstico a 182 famílias da Comuna do Dombe Grande, cuja densidade populacional é de 41.434 habitantes, numa superfície de 2.172 k2. Este diagnóstico decorreu durante 20 dias, tendo sido conduzido por oito técnicos licenciados recrutados na Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo.



Das seis comunidades abrangidas (Kalondende, Elefante, Viete, Secu, Casseque e Kachimbumba), a do Elefante teve o maior número de membros envolvidos, tendo participado nos inquéritos 55 camponeses. Cerca de 50% dos inquiridos estão ligados ao movimento associativo local, sendo que a Associação Ongonguela era a que apresentava um número mais elevado de camponeses associados, atingindo os 27%.

 

Deste diagnóstico, para além de outras informações relevantes, foi possível apurar que 80% dos inquiridos não retira da sua actividade diária o rendimento suficiente para a auto-sustentação familiar, tendo necessidade de procurar trabalho noutras actividades e inclusive noutras áreas geográficas; que 66% recorre exclusivamente ao trabalho manual para a preparação da terra; que 11% praticam a agricultura para sustento próprio, sem qualquer perspectiva de rentabilidade e de crescimento económico; e que para 83% dos inquiridos ( para os quais o mercado informal é a única via para o escoamento da produção) a disponibilização de meios de produção e de assistência técnica potenciaria a produção agrícola e a criação de riqueza para as famílias da Comuna.

 

Os dados recolhidos reforçaram a confiança dos promotores na implementação deste projecto, que visa tornar as famílias da região auto-suficientes e, em simultâneo, profissionalizar a sua actividade com vista à sua integração no mercado formal e ao escoamento do seu excedente de produção para as grandes superfícies que operam em Angola, designadamente. José Maria Wanassi, responsável pelo Projecto, sublinha que o projecto Dombe 4.0 tem como objectivo “desenvolver a actividade das famílias camponesas, contribuindo para o aumento da sua produção e para o escoamento dos seus produtos. Porquê e para quê? Para que a renda mensal destas famílias aumente e para que a sua qualidade de vida possa ser incrementada.


Se produzirem para sustento próprio e para venda terão dinheiro para aceder aos bens de primeira necessidade, à saúde, à educação, e tornar-se-ão membros activos da comunidade e da economia local e nacional. E este é o grande objectivo deste projecto social que agora apresentamos – o de contribuirmos para que as nossas famílias sejam activas e intervenientes no processo de desenvolvimento económico e social do nosso país”.

 

O mesmo responsável acrescentou: “O trabalho de diagnóstico desenvolvido o ano passado permitiu-nos apurar o que enquanto entidade promotora precisávamos de saber para ajudarmos as famílias rurais a estabelecerem modos de vida resilientes e produtivos, pensar como podem os produtos e serviços responder às necessidades pertinentes das famílias rurais; que estratégias de negócio desenvolvermos para apoio directo às famílias rurais e às suas culturas, com vista à produção cíclica permanente”.


IMPACTO SOCIAL DO PROJECTO É PARA REPLICAR NOUTRAS COMUNIDADES

Hoje, o projecto está em curso, com o arranque da campanha de produção de feijão, iniciada em Maio deste ano. Foram distribuídas 10 toneladas de feijão e 9 toneladas de fertilizantes a 162 famílias da Comuna. A expectativa é a de que sejam produzidas 80 toneladas de feijão, das quais 60 toneladas já estão contratualizadas para serem vendidas à Maxi. As restantes serão comercializadas junto de outras superfícies comerciais nacionais e contribuirão também para o sustento das famílias abrangidas pelo projecto.

 

Para já, toda a cadeia de produção e escoamento funciona com o apoio directo dos promotores do projecto. No futuro, o objectivo é que as associações locais ganhem força, com a adesão das famílias produtoras, e que sejam estas a negociar a venda e o escoamento da produção junto das superfícies comerciais angolanas.

 

Outro dos objectivos é a introdução do cultivo cíclico de culturas, como a batata doce, a batata doce, a ginguba e a cebola, por forma a criar um ciclo de produção anual que alimente a sustentação familiar e os mercados que se tornam compradores dos produtos.

 

Finalmente, lembra José Maria Wanassi, “o objectivo maior é o de replicar o modelo por forma a que o projecto se estenda para outras zonas geográficas de Angola para que a educação, a mecanização agrícola, o acesso aos mercados e a qualidade nutricional sejam uma realidade nas várias comunidades agrícolas do país”.


Para implementar o projecto Dombe 4.0 foram disponibilizados até à data recursos consideráveis, sendo que a expectativa é a de que as famílias agora abrangidas sejam completamente autónomas e atinjam a auto-sustentabilidade ao longo de um período de quatro anos (até 2022).

 

O Banco ATLANTICO tem sido um dos motores do financiamento do projecto, motivo pelo qual António Assis, Presidente do Conselho de Administração, se mostra satisfeito com os resultados alcançados. “Saber que enquanto instituição financeira damos o nosso melhor contributo para que os Angolanos sejam cidadãos comprometidos, activos e empreendedores nas suas comunidades é algo que o ATLANTICO considera de extrema importância ao nível do seu desempenho. Da nossa parte o compromisso com o desenvolvimento e com o futuro é constante e permanente”, sublinha.

 



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