Luanda - Alguns concidadãos nossos, a julgar pelos relatos da imprensa nas últimas semanas, terão recebido um “convite de saída compulsiva” de território da República Democrática do Congo, decisão que teria sido tomada pelo Conselho de Ministros da Região do Baixo Congo.

 

Fonte: O Pais

Não pode ser um parla mento qualquer
 a decidir que uns não mais possam
viver e prosperar no solo de outro

Os relatos dramáticos atestam que muitos dos angolanos agora “convidados” a abandonar compulsivamente (se a moda pega, estamos tramados…) o solo pátrio congolês democrático, têm vindo a fazê-lo apenas com a roupa do corpo, ou seja, sem ao menos poderem trazer os seus parcos haveres. Alguns, continuando a citar a imprensa, residem na RDC desde os tempos em que aquele terra era LEOPOLDVILLE e mais tarde ZAIRE. Portanto, homens e mulheres que não podem ter permanecido décadas em situação ilegal naquele país, ainda que de um Congo se tratasse.

 


Que razões as autoridades Congolesas democráticas teriam para assim proceder em relação a amigos, irmãos e vizinhos seus? Quem como eu já se abeirou das fronteiras entre Angola e o Congo Democrático, facilmente perceberá a dificuldade em distinguir quem são os angolanos e quem são os congoleses tal é a similitude de culturas e modus vivendi dos dois povos (pelo menos ao longo das fronteiras). A minha infância foi povoada de músicas de Francó e Tabulei Rochereaux que ouvia quando o meu vizinho, senhor Sebastião, colocava os discos de vinil naquele velho gira-discos ou ainda quando o meu falecido tio “Cabrito Escuro” a quem nós chamávamos Pai-Grande, dava uma de cantor e imitava todos as músicas de cantores zairenses (na altura). É certo que também assisti ao florir de praças em todos os cantos de Luanda, presenciei à invasão dos “micates” ou mesmo o batalhão de curandeiros investidos de poderes mil para cura de todos os males mas que paradoxalmente não conseguem resolver os problemas deles.

 

Logo a seguir vi, como muitos de nós, as nossas festas serem perfumadas pelos ritmos quentes do “Zaíre” e as nossas pistas de dança povoadas por danças claramente influenciadas pelos nossos irmãos (insisto que devia ser mais fácil chamarmos os congoleses democráticos de irmãos que aos brasileiros). Tem de ser um tremendo de um “péssimo entendido” na base de tal situação. As razões, milhares delas se calhar, não importam agora ser tidas ou achadas neste meu escrito.

 

O importante é encorajar a quem de direito a assumpção de uma postura que permita o fim destes “convites forçados” ao abandono da terra de Francó, M’pongo Love ou Lumumba… Dois povos como os de Angola e da RDC têm laços históricos tão fortes que não pode ser um parla mento qualquer (não importa de que lado seja) a decidir que uns não mais possam viver e prosperar no solo de outro.

 

Angolanos e Congoleses (que até são DEMOCRATICOS) devem hoje demonstrar que têm intelecto suficiente para ultrapassar todos os obstáculos que se nos aparecem no caminho. É preciso não esquecer que ao longo dos anos, Angola e RDC resistiram a muitas tentativas de dividi-los…quem anda na casa dos quarenta (no mínimo) sabe do que falo.

 

É preciso estarmos atentos a estes sinais…VIGILÂNCIA, VIGILÂNCIA, VIGILÂNCIA… Ao que soube, o Chefe de Estado da RDC terá já ordenado a interrupção da expulsão de cidadãos angolanos. Que assim seja e que mais rapidamente se possa ter o retorno à normalidade. Os números avançados pela imprensa referem cerca de 20 mil angolanos repatriados…é MUITA gente e significa um grande problema para as autoridades angolanas resolverem. Alojamento, logística, condições de sanidade, assistência médica e muito mais coisas… Arregacemos as mangas e mãos à obra!


*Jornalista



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