Luanda - O Supremo Tribunal Militar (STM) retomou esta segunda-feira, 23, após 27 dias de interrupção, o julgamento do comissário Francisco Massota, actual conselheiro do comandante geral da Polícia Nacional (PN) e antigo director da Escola de Polícia de Protecção e Intervenção, acusado de ter burlado mais de 100 cidadãos com a promessa de incorporá-los na PN.


Fonte: NJ

A audiência de 27 de Junho tinha sido cancelada pelo tribunal, depois de o réu Francisco Massota ter apresentado problemas de saúde durante a audiência de discussão e julgamento, que decorre nas instalações do Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais "Osvaldo Serra Van-Dúnem".


Na sessão desta segunda-feira, a ré Elizandra Tomás, agente da Polícia Nacional, que denunciou os factos às autoridades em 2017, após ter sido reconhecida como a principal burladora dos 100 cidadãos, disse ao tribunal que o comissário Francisco Massota tentou influenciar a sua família de modo a convencê-la a ir para cadeia para não comprometer o nome do general.


"O comissário Francisco Massota, quando viu que as coisas estavam a ficar apertadas, disse à minha mãe para convencer-me a ir para cadeia, porque ele é general, e por isso havia de me tirar de lá, porque a corda rebenta do lado mais fraco, e ele era general e nada lhe iria acontecer", afirmou a ré, acrescentando que "em nenhum momento" podia deixar os seus filhos para ir para a cadeia.


Perguntada porque denunciou os factos às autoridades, a ré respondeu que estava a ser ameaçada pelas pessoas que deram o dinheiro para ser incorporadas na Polícia Nacional (PN) e que acharam que o tempo de espera era demasiado.


"Quando vi a minha mãe a ser agredida fisicamente por um dos lesados, recorri ao comissário Massota para pedir ajuda e ele simplesmente me respondeu que a corda rebenta do lado mais fraco. Foi aí que vi que estava diante de uma burla e participei os factos às autoridades", disse.


A ré Elizandra Tomás, que é agente da Polícia Nacional, contou ainda que quando o réu Francisco Massota foi chamado a prestar declarações sobre o assunto, na Procuradoria-Geral Militar, o comissário ainda a procurou para tentar "abafar" o caso.


"Ele me disse: "Tenha paciência, eu vou devolver os valores de forma paulatina. Mas antes retira a queixa que fizeste contra mim`, disse a ré, acrescentando que não aceitou retirar a queixa.


Segundo Elizandra Tomás, passados vários meses, a pressão das pessoas tinha aumentado, situação que fez com que ela devolvesse aos visados, do seu dinheiro, oito milhões de kwanzas.

 



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