Luanda - O responsável pelo departamento nacional de Educação e Prevenção sobre o Risco de Minas e Outros Engenhos Explosivos e Remanescentes de Guerra, Edgar Lourenço, manifestou preocupação com os números apurados durante este ano, apenas registados antes do fim das cerca de quatro décadas de conflito armado no país.

Fonte: Lusa


"Lembrar que números como este tivemos somente na altura do conflito armado, ou seja, tivemos esta situação antes do ano 2002. De 2002 até à presente data tivemos entre 20 e 25 [casos], nunca números acima de 30 ocorrências", referiu à agência Lusa.

 

Conforme salientou o mesmo responsável, este ano já ocorreram cerca "de 28 feridos e 14 mortes, relativas a estas incidências".

 

Face à situação preocupante, o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher, em colaboração com a CNIDAH, vai lançar, na sexta-feira, em Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte, o Programa de Educação e Prevenção sobre Acidentes com Minas e Outros Engenhos Explosivos e Remanescentes de Guerra.

 

"Este programa visa essencialmente diminuir, senão mesmo, eliminar os incidentes que ultimamente têm ocorrido em todo o país, essencialmente com engenhos explosivos não detonados", disse Edgar Lourenço.

 

Segundo o responsável, "a ideia é ir sensibilizando, educando, a população", para que não toquem e que não devem lidar com esse tipo de material, "porque o resultado normalmente é fatal".

 

O programa, com a duração, na fase inicial, de 24 meses, poderá ser prolongado em função dos resultados, revelou Edgar Lourenço, acrescentando que o objetivo é o seu alinhamento com o novo Plano Estratégico do setor de ação de minas, para 2020-2025, nesta altura em finalização.

 

Edgar Lourenço explicou que a províncias que apresentam maior preocupação são as do Bié, Cuando Cubango e Moxico, contudo, estão a ser notificados casos em outras regiões do país.

 

"Aquelas em que o resultado da contaminação do longo conflito que vivemos, no caso do Cuando Cubango, Bié e Moxico, são as mais preocupantes. De qualquer forma outras também são tidas como preocupantes, na medida em que todas províncias tiveram alguma consequência do conflito armado", frisou.

 

A execução do programa vai ser liderada pela CNIDAH e contará com a participação de outros órgãos do executivo angolano, nomeadamente os ministérios da Defesa, do Interior, da Cultura, da Administração do Território e Reforma do Estado e da Comunicação Social.

 

"Todos estes vamos tentar agregar para este programa, que será feito com várias temáticas, vamos envolver grupos teatrais e outras entidades que nos poderão ajudar para a divulgação, massificação, da mensagem do perigo que as minas e outros engenhos representam para as comunidades", vincou.

 

O programa contará com colaboração internacional, através de organizações não governamentais estrangeiras, maioritariamente financiadas por doadores externos.

 

De acordo com o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher, a realização deste programa 17 anos depois do fim da guerra deve-se ao facto de, das 3.293 áreas identificadas, em 2007, restarem ainda 1.200 campos de minas confirmados.

 

O programa justifica-se também pelo "crescente número de acidentes com minas, e sobretudo outros engenhos explosivos não detonados [bombas, granadas, morteiros, entre outros], que vitimam muitos cidadãos, essencialmente crianças", pelo que "obrigam a uma intervenção urgente e alargada".

 



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