Luanda - As autoridades angolanas alegaram hoje que estão a tentar convencer o grupo de oito mil refugiados congoleses que abandonaram o campo onde estavam, em Lóvua, a regressarem ao local em vez de irem para a República Democrática do Congo (RDCongo)

Fonte: Lusa

Dos 23.600 refugiados que estavam no campo, cerca de oito mil iniciaram uma caminhada de uma centena de quilómetros para regressarem ao seu país, de onde saíram há dois anos.

 

Um comunicado do governo da província da Lunda Norte, a que agência Lusa teve hoje acesso, refere que entre sábado e domingo, o grupo de refugiados decidiu abandonar à pé, o campo de refugiados do Lóvua "por sua livre e espontânea vontade", rumo à fronteira com a RDCongo.

 

Segundo o Governo angolano, há dois anos, as autoridades juntamente com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), têm dado todo o apoio necessário e continuam disponíveis para o fazer "até que seja possível o seu retorno organizado àquele país".

 

Sobre a sua situação, as autoridades angolanas recordam que no dia 29 de julho passado, na sequência de um encontro entre o ACNUR e os governadores da província angolana da lunda Norte e da província congolesa de Cassai, este último assegurou que "estavam criadas as condições" para que os refugiados regressassem ao seu país, como era desejo de muitos, após as recentes mudanças políticas ocorridas na RDCongo.

 

"Nessa reunião, foi acordado entre as partes definir posteriormente um calendário para o regresso dos refugiados do Lóvua", sublinha a nota, realçando que na sexta-feira passada, em reunião havida entre as autoridades da Lunda Norte e os representantes do ACNUR, a organização das Nações Unidas comprometeu-se a sensibilizar os refugiados que "aqueles que regressassem por sua conta não poderiam contar com o apoio da referida organização".

 

"A inesperada decisão do grupo de refugiados que decidiu, nas últimas horas, abandonar o campo de Lóvua e partir a pé para a RDC dificulta, por conseguinte, a definição do calendário acertado entre todas as partes envolvidas, para o regresso organizado dos refugiados, complicando o processo em geral", lê-se no documento.

 

Face à situação, as autoridades da província da Lunda Norte "tudo estão a fazer para demover os refugiados a prosseguir a sua marcha, até que todas as condições estejam realmente criadas para o efeito".

 

Contudo, o Governo angolano afirma que "está a ser prestado a esse grupo o apoio necessário, como água, alimentação e assistência médica, em especial para as crianças, mulheres grávidas e os mais idosos".

 

"As autoridades da província da Lunda Norte e o Governo da República de Angola comprometem-se a trabalhar, em conjunto com o ACNUR e as autoridades congolesas, para resolver este assunto com a urgência que o mesmo impõe, no quadro dos compromissos assumidos entre todas as partes", conclui a nota.



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